quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quadrilha (Drummond)

Eu só queria saber onde é que está o maldito J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história.

Onde é que ele tá? Quando é que ele entra?

Pra bom leitor, um verso basta.

Caralhada de coisas

Puta que o pariu, eu tenho tanta coisa pra contar... do sarau, de Friends, do meu sobrinho fofo, dos meus amigos massa, do meu quarto, da praia, dos meus alunos, dos meus colegas professores legais, dos meus colegas professores malas, das minhas vontades atuais, da barba do meu amigo, do filme que eu vi ontem, das músicas que quero cantar, das férias que estão chegando...

Mas eu tô com um sono da peste, e se eu não der uma dormidinha agora, fudeu...

Então, fica pra próxima. Desculpa.

Passa lá no meu orkut pra ver as fotos, pelo menos...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Correria




Nasceu o sobrinho.


Nasceu o musical.




Depois eu volto pra contar.


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A conversa do peido e outras coisinhas mais

Eu sei que eu jurei... jurei que ia colocar aqui a conversa do peido que eu tive com meus amigos no bar sábado. Que gerou protestos entre risadas.

Mas, pensando melhor, eu acho que não vale mais a pena. Quer dizer, não vale mais a pena contar ela inteira. E o blog é meu e eu escrevo o que quero, então foda-se. Vou contar só o que eu quiser.

Resumindo a primeira parte da história, eu estava contando pros meus amigos sobre uma conversa de peido que eu tive com outros amigos, eu confessei umas coisas sobre peidos. E depois recontei a história pros amigos que estavam no bar no sábado. Que ficaram horrorizados por eu falar com certas pessoas sobre peidos.

A minha resposta foi a de sempre: eu sou assim e pronto, gostou, bem, não gostou, amém. Foda-se. Que eu tenho usado muito foda-se ultimamente. Mas é verdade. Não tenho que escolher sobre quem eu converso de peidos. Claro, tudo tem limite; não vou falar com a coordenadora da escola sobre peido, a não ser que surja o assunto e seja essencial falar. Mas com qualquer outra pessoa, ainda mais em situações descontraídas, eu falo, sim.

Mesmo se for uma pessoa pela qual eventualmente eu possa vir a estar interessada, com pretensões, digamos, emocionais. Pôrra, esse é o melhor teste. Se o cara for tão babaca a ponto de se chocar com isso, desculpe, mas não é pra mim. Que pra andar do meu lado na vida tem que ser menos pudico. Bem menos.

Um dia estava eu com meus amigos na fazenda de um amigo, estávamos todos jantando à mesa e, não sei qual foi a conversa, soltei um palavrão. Nem lembro qual foi. Mas foi daquele jeitinho Juliana Palermo de ser, um palavrão gritado, sem pudor nenhum, seguido de uma gargalhada altíssima e escrachada. E uma amiga (que eu amo) ficou toda chocada e veio me dar bronca na frente de todo mundo, porque o pai do meu amigo (dono da casa) estava sentado à mesa com a gente. Oras, tenha dó (foi o que eu disse pra ela). Talvez eu tenha dito algum palavrão junto, não lembro, mas é provável. O pai em questão já presenciou todas as cenas possíveis e imagináveis nas festas que ocorrem na casa dele. Já viu gente caindo de bêbada. Já viu gente quase se comendo. Já viu até strip-tease (ok, isso foi depois do episódio da fazenda, mas já viu). E eu vou ficar pensando antes de falar palavrão na frente dele? Não acho isso falta de respeito... pra mim é até uma demonstração de que eu fico à vontade na frente dele, de que não preciso fazer um personagem na presença dele, que estou agindo natural e que essa sou eu. E ele sabe que eu sou assim. E eu duvido que ele tenha ficado chocado.

Tá, posso até estar errada. Tudo tem limite, mas não acho que cheguei ao meu. Eu não desrespeito ninguém com as minhas conversas sobre peidos ou com meus palavrões inofensivos. Eu não vomito no pé dos outros. Eu não invento histórias sobre as pessoas e não saio fofocando sobre elas as histórias inventadas. Eu não traio meu namorado ou namorada na frente dos meus amigos (até porque não tenho namorado - muito menos namorada, que eu gosto mesmo é de homem, de barba e de pêlos). Eu não dou em cima das pessoas de quem meus amigos estão a fim. Eu não faço a filhadaputa e não sou pivô de discussões sobre coisas que não me dizem respeito (porque, se disserem, daí eu faço mesmo a desgraçada). Eu não consigo fazer nada de concreto que prejudique ninguém (nem mesmo quando eu acho que a pessoa merece). Então deixa eu falar meus palavrões, deixa eu dar meus gritos, deixa eu falar sobre peidos com quem eu bem entender.

Se todo mundo falasse o que pensa, se dissesse os palavrões que pensa e quer, se não vestisse a máscara e falasse de peidos e merda e pôrra pra todas as pessoas pra quem quisesse falar, o mundo seria mais leve.

E se eu me fodo por causa disso, quem se fode sou eu. Me deixa. Na verdade, como eu disse, fodo nada. Eu acho que me foderia de verdade se estivesse me relacionando com uma pessoa sem ser eu de verdade, tendo que murchar a barriga e encolher a língua. Então, vamos descobrir logo de cara. Se eu não sirvo pra você, você não serve pra mim.


(Isso porque a galera da conversa do peido - a galera original - não se demonstrou chocada com minhas declarações. Eu sabia. Eu sei onde eu piso. Às vezes.)

Sem fantasia

Hoje eu fui dar aula de calça jeans. Não aula sobre a calça jeans, óbvio, mas vestida de calça jeans. Eu nunca uso calça jeans. E meus alunos reparam. Eles reparam em tudo.

- Professora, quem te deu a única calça jeans que você tem?

(Sua mãe).

- Professora, por que você veio sem fantasia hoje?

Tolinhos. Não entendem nada. Não entenderam que eu tava de fantasia justamente hoje. Que essa de calça jeans, tênis e moletom da Universidade de Michigan não sou eu.


(- Professora, você estudou em Michigan?
- Estudei, junto com a sua mãe.)
Adoro as mães dos meus alunos.

domingo, 23 de novembro de 2008

Pra quê?

Chove e tem um vento geladinho. Chove e eu vejo nas águas da piscina. Eu deveria estar trabalhando, eu sei. Trabalhei um pouco, já. Corrigi todos os trabalhos, faltam as redações. Mas eu também sou gente. Não sou máquina.

Chove e eu olho as gotas caindo na piscina, e ouço Gismonti e me permito ficar quieta. Fumo um cigarro sabendo que eu devo parar. Tomo um suco de morango sabendo que tem açúcar. Foda-se.

É louco porque o sol tá aqui, também. Tem chuva, tem vento, tem sol, e eu acho tudo uma doideira, acho que este texto não tem porquê (pra quê?), acho que penso demais e muita besteira, acho que minha cabeça podia parar um pouco às vezes, mas li um livro de meditação e achei foda. Eu penso em muitas coisas, e talvez se eu me permitisse só sentir de fato e não pensar e não planejar e não querer as coisas fossem mais fáceis.

Eu ia falar da conversa do peido de ontem à noite, mas não tô com saco pra isso. Fica pra um próximo post. Juro (jurei, heim?).

Noites assim.

Tem dias que eu fico no bar e me sinto daquele jeito olhando por detrás de uma vidraça... como se eu não estivesse lá, e estivesse assistindo às pessoas. É, é exatamente isso. É como se eu não estivesse lá, e, porque eu não estou lá, as pessoas agem naturalmente, como se eu não estivesse. Não, não agem naturalmente. Mas agem sem saber que estão sendo observadas por uma pessoa de fora. Eu gosto dessa sensação, mas confesso que às vezes me incomoda um pouco. Incomoda essa chavinha que de repente desliga e me passa pro lado de fora. E daí é difícil voltar. Geralmente acabo a noite do lado de fora, mesmo.

Fico pensando em relacionamentos, em ser sozinho, em ser parte de um todo, em ser parte de uma dupla, em querer ser parte de uma dupla, em querer ser sozinho, em querer fazer parte de um relacionamento sem saber exatamente o porquê. Fico olhando o que as pessoas falam, fico ouvindo as conversas, fico olhando seus tiques, fico olhando para a porta.

Eu odeio ficar olhando para a porta. E eu sei que eu odeio. Mas eu olho.

Vai ver que é porque eu estou do lado de fora.

Mas entrar ou não não é uma escolha só minha. Eu tento participar das conversas, mas em noites assim, não adianta. Vira e mexe olho pra porta de novo e vôo longe dali. Esquece. Nessas noites, o melhor é ir pra casa dormir.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Papo de adolescente doido

Estava eu saindo da terceira aula, rumo ao intervalo, no meio de um mar de adolescentes, quando ouço essa conversa atrás de mim. Juro, não tô acrescentando nem tirando nada...

- Eu curto Pink Floyd, cara. Você curte?
- Curto, curto sim. Gosto das letras.
- Qual você curte mais?
- Ah, assim, eu gosto bem de ACDC, sabe?
- Legal, eu também gosto. Eu fui no show do Aerosmith quando eles vieram.
- Eu curto muito aquela "We will rock you".

Juro por Deus, por Buda, por Alá, pelo que você quiser.

Ou eles estão completamente doidos, ou eu. Porque eu não entendi algumas coisas. Por exemplo, a passagem de Pink Floyd pra ACDC, depois pra Aerosmith e depois pra Queen não ficou clara pra mim.

Vai pensar rápido assim lá na puta que o pariu.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Caso sério

Eu fico pensando em nós dois
Cada um na sua
Perdidos na cidade nua
Empapuçados de amor

Numa noite de verão
Ah, que coisa boa
À meia luz, a sós, à toa

Você e eu somos um
Caso sério
Ao som de um bolero
Dose dupla
Românticos de Cuba libre
Misto-quente
Sanduíche de gente


Você e eu somos um caso sério. Na verdade, uma novela mexicana (ou uma comédia de enganos). Eu fico mesmo pensando nesse lance de cada um na sua, perdidos na cidade... olha, empapuçada de amor é uma boa, viu? Minha mãe falava muito isso, "empapuçado", quando alguém comia muito uma coisa e depois ficava enjoado, não podia nem ver. Meio que isso. Empapuçados de amor. Chega, já tive muito disso e enjoou. Na verdade, amor de verdade, não. Foi cereja de mamão. Não de verdade. Agora eu quero mirtillo.


Adoro essa versão do maldito Ed Motta (salafrário). Assista:

http://www.youtube.com/watch?v=r3e-pc2PWZ0

Acorda, Alice!

Vira e mexe, tá nos meus sonhos. Nos pesadelos, mas nos sonhos em geral. Às vezes nos sonhos bobos, daqueles que precisaria de um psicanalista fudido pra achar algo significativo. Tem uns que até eu entendo o que significa (e me dá um pouco de medo, mas eu sei que é tudo coisa da minha cabeça - ah, vá!). Mas o pior é quando aparece em sonhos bestas. De alguma forma, ele está lá. E eu fico puta quando acordo, caralho, que merda, por quê? Pra quê?

Eu sei que tudo isso vem da minha cabeça. Que no fundo, no fundo, as coisas todas vêm da minha cabeça e não do meu coração. E isso é que mata. Como é que pode uma pessoa ser tão burra? Depois de anos, de tanto tempo. Acorda, Alice. Acorda mesmo.

Me incomoda. Incomoda o fato de eu sonhar com ele, de ele aparecer sem ser chamado, e eu não entendo o que isso significa. Teimosia do caralho. Se não gosta mais do cara, se não quer ver nem pintado de ouro, se sabe tudo de ruim e de desgraça que isso traz, se não dividiria sua vida novamente com uma pessoa assim, por que é que a jogadora de merda insiste em lembrar da mãozinha que perdeu? Da rodada que não rolou? A filhadaputa da criança teimosa e mimada no meu inconsciente me prega peças de noite, e a mulher que tenta encontrar a luz de dia fica puta, porque sabe que tudo isso é uma grande bobagem.

Pelo menos isso. Pelo menos de manhã eu raciocino. Eu sei. E escrevo pra tirar de dentro, pra essa menina idiota que mora em mim de madrugada se tocar de que eu não tenho medo disso, que eu posso falar sobre isso, que eu não tenho medo de nada, que eu encaro tudo isso de frente e que não adianta ela ficar querendo me lembrar disso tudo. Já foi, sua besta. Eu perdi mesmo. Tinha cartas péssimas, uma estratégia péssima, jogava mal, não estava inspirada, fui ruim mesmo. E daí? Ganhei tantas outras partidas, antes e depois disso. E foda-se. Todo mundo perde. Eu também. Não me importam os motivos. Já foi. Já era. Se toca. E me deixa em paz, pôrra.

A volta

Eu não disse que voltava? Mais do que disse: eu jurei. Pois é. Como mulher de palavra que sou, cá estou. Agora coloquei um roteador aqui em casa. Agora sim, posso escrever do meu querido quarto, sem urubus nos meus ombros. Urubus do bem, mas ainda assim urubus. E eu tenho ornitofobia, então já viu.

Agora fodeu, porque quem disse que eu durmo? Inferno...

Tava dando uma olhadela por aqui e me assustei. Fazia muito tempo. Bom, na verdade, não fazia tanto tempo, mas é que em pouco mais de um mês muitas coisas mudaram na minha vida. Mudaram e não mudaram. Como sempre, algumas permanecem, outras somem. Boas e más, dos dois lados. Mas tudo bem. Dá aquela vergonhinha das coisas que passaram, da ênfase desesperada em coisas que não deram em nada. Mas também não é assim... primeiro, que eu não tenho que ter vergonha de nada, se eu não fiz mal pra ninguém. Segundo que cada coisa tem sua hora, e na hora foi bom. É isso, me deixa.

Ando numa fase de procurar músicas velhas, agora que eu consigo baixar músicas sem depender dos outros. Pois é, que coisa. Todo mundo faz isso há anos, e eu só comecei agora. E daí? Demora, mas pelos meus méritos eu chego lá. Fui ter meu carro com 26 anos, meu computador com 27. E devagar eu chego lá. Devagar, a hora de tudo chega. Ainda bem. Bom, voltando ao assunto, tô numa onda de baixar as músicas que eu sempre quis ter e nunca tive, sei lá por causa de quê. Baixei um monte de Scorpions, Alcione também. Que eu sou uma pessoa bem maluca (não eclética, mas maluca).

Além disso, tenho arrumado minhas coisas, e acho muitos papéis com escritos interessantes. Aos poucos, vou colocando aqui no blog.

Minha cabeça anda uma confusão de várias coisas... começo a fazer várias coisas e não consigo terminar. Comecei a ler vários livros juntos, e não terminei ainda nenhum (e fico comprando mais). Começo a arrumar o quarto, paro, vou pro abrigo e começo a arrumar, paro, começo a fazer palavras cruzadas, paro, e assim vai o dia. Que merda. Acho que estou precisando de um norte. Sinto esses meus escritos de agora da mesma maneira... parece que eu não disse nada.

Eu não disse mesmo. Esquece.

Voltei. Só preciso voltar ao jeito de antes.

domingo, 16 de novembro de 2008

Pesadelo de tarde

Eu queria escrever muito. Queria contar meu pesadelo dessa semana, um pesadelo que eu tive de tarde. Queria falar sobre minhas crises de riso de hoje à tarde, na Romana com meus queridos amigos. Queria falar de coisas que estou sentindo.

Mas tô com uma puta dor nas costas. Tô sentada no chão há muito tempo, com dor na bunda e nas costas. E agora eu vou comer pizza. Fiquei horas no computador, procurando uma maldita música do Madredeus chamada Ecos na (ou da) Catedral, mas não achei. Se alguém achar, me mande please.

Juro q essa semana eu volto. Juro.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tô viva

Tô viva. Mas minha internet tá morta.

Calma lá, tá? Em breve tudo vai normalizar.

Aproveito essa fase pra arrumar o quarto, corrigir provas, caminhar, dormir, hum...

Juro que volto. Quando menos me esperarem.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Abóbora

Inauguração de um bar novo na cidade. Amigas minhas trabalhando lá e comentando sobre como vai ser legal. E eu realmente torço para que seja.

Vamos lá, inauguração. Amigos, bebida, música, lugar novo.

Hum... Cheguei. Um monte de gente. Um monte de gente que não tem nada a ver comigo. Não tô sendo preconceituosa, juro. Juro que não tô. Estou somente constatando o fato de que essas pessoas fazem parte de um mundo do qual eu não faço a mínima questão de fazer parte. Não é nada com o bar. É o mundo da maioria, e as pessoas estão mais do que certas de procurar seus lugares e o que tenha a ver com elas. Mas não tem a ver comigo.

Calor. Calor demais. Gente demais. Música alta demais, eletrônica demais, pro meu gosto, óbvio (e vamos combinar que o meu gosto é foda). Eu tento me divertir. Mentira, tento nada. Tento beber alguma coisa, tento comer alguma coisa, mas não dá. É tudo uma delícia, mas não dá. Dia de ficar em casa é dia de ficar em casa. Por que raios eu vim?

Pessoas das quais eu não gosto. Não posso deixar de medir de cima abaixo, como elas fazem comigo, como fazem todas as pessoas do bar que eu desprezo no meu preconceito (as pessoas, não o bar). Dá vontade de chegar com 10 reais pra ela e pedir pra comprar uma calça igual pra mim e trazer o troco. Mas, afinal, deixa, o que é que eu tenho a ver com isso? Nada. Foda-se.

Olho para o outro lado. Um monte de meninas iguais. Cabelos iguais, vestidos iguais, corpos iguais, sorrisos iguais, vozes iguais. Os caras também são iguais, roupas iguais, penteados iguais e olhares iguais pras meninas iguais. Du, não tô generalizando, por favor me entenda. Não sou mais do que essas pessoas. Talvez seja mais chata. Sou diferente, só isso. Me deixa ser diferente.

Eu gosto de ser diferente, mas nessas horas eu acho que fico de bode porque talvez se eu fosse igual eu me divertiria, e não estaria aqui sentada nessa cadeira olhando pras pessoas e pensando sobre tudo isso. Estaria dançando no batidão pum-tss-pum-tss, jogando o cabelo, olhando pros bombadinhos.

Minha dor de garganta fica insuportável. Meu pobre corpinho me implorando pra ir embora, vai, caralho, sai daqui, o que é que ainda estamos fazendo aqui?

Já vou. Mas já? Já. Tô cansada, com dor de garganta, tô ficando velha e sociopata. A explicação que eu tenho que dar pra todo mundo. Milhares de pessoas na minha frente não me deixam sair, desconhecidos enormes me tapando a passagem, eu tenho vontade de sair chutando todo mundo, um filhodaputa pisa no meu pé, mas é bom pra eu aprender.

Venho no carro fumando mais um cigarro e minha garganta não me dá um minuto de sossego (represálias). Beatles no último. Vento na cara (foda-se a garganta). Desintoxicação.

Nada contra o bar, é lindo e vai dar muito certo. Mas hoje tava foda. Pra mim, velha que sou. Pra mim, chata que estou.

Ligo pro segurança. Chego, abro o portão, guardo o carro e, quando estou fechando o portão, ouço os sinos da igreja batendo as doze badaladas.

‘Bem a tempo de virar abóbora.” O segurança ri. Mas eu sinto como se eu tivesse dito a verdade mais absoluta do mundo.

Que eu tenho sido muito pouco Cinderela. Mas, quer saber? Eu adoro ser abóbora.

Sozinha

Sozinha. Olho minhas fotos e estou sozinha. Tenho boas companhias ao lado, mas estou sozinha. Mas sabe que eu gosto?

Acordo sozinha, vou pro trabalho e dele saio sozinha. Dirijo de volta pra casa cantando, sozinha, sorrindo. Vou com meu carro pra onde quiser, compro ou não o que quiser. Durmo à tarde, se me der na telha. Quase sempre dá. Se não der, leio, estudo, canto, trabalho. E não preciso contar nada pra ninguém, não preciso prestar contas, posso sair ou ficar, posso tomar banho agora ou depois, posso lavar o cabelo hoje ou amanhã. Lavo hoje. Me sinto leve.

Não tenho que ligar pra ninguém. Eu ligo, porque quero, mas se não quiser não é nenhum desespero, nenhum trauma. Assisto aos filmes que quero assistir. Faço uma lista daqueles que tenho que ver e ainda não vi, e pretendo ver um dia. Sozinha ou não. Não importa. Não dói mais.

Coloco a roupa que quiser, hoje menina, amanhã mulher, terça-feira camisola. Agrido as calçadas com minha bota pesada, coturno toc toc. Eu posso. Subo num salto porque quero. Hoje, rasteirinha, arrastando minha preguiça.

Ouço Gismonti e choro, sem motivo. Motivo: a beleza da arte. Como é lindo. Ouço Maria Rita e canto com ela e dou risada quando desafino ou quando a voz falha ou quando faço algo engraçado com a voz. Não tem ninguém pra ver. Às vezes eu queria que tivesse. Às vezes dou graças a Deus que não tem.

Penso em muitas pessoas. Em pessoas queridas que poderiam estar mais perto. Em pessoas queridas que ainda bem que estão longe, porque causam dor. Em pessoas que odeio, e nessas penso pouco. Tanta gente de quem quero me aproximar. Tanta coisa pra fazer. Pra fazer sozinha. Vou ali e já volto. Mas ninguém precisa saber.

Tantos livros pra ler! Tantos filmes pra ver, tanta bagunça pra arrumar, desde os meus papéis, passando pelo meu corpo, até os meus pensamentos. Tantas músicas para aprender, tantos textos para escrever, tantas coisas pra conhecer, pra aprender, pra ensinar. Não vou dar conta. E isso ocupa minha mente por demais. Essa ânsia tira o espaço da frustração que antes eu criava pra mim por ser sozinha. Sou, mas quem não é? Atire na minha boca o primeiro beijo o ser humano que não é sozinho.

Menstruo e me sinto mulher, me sinto limpa, me sinto no meu ciclo e na minha obrigação, no meu prazer. Me sinto especial, me sinto parte, me sinto todo. Me sinto toda, inteira, eu. Pela primeira vez. Sozinha de fato.

Abro a janela e vejo um bando de gente. Hoje não quero, hoje quero só a mim. Amanhã talvez. Entrem, mas sem pressa, entrem quando e como quiserem, mas com vontade, mas de verdade, porque tem que ser, se tiver. E se não tiver, não se incomode. Tô bem. Sozinha.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Nasceu...

Não foi de parto prematuro... essa fui eu, há 27 anos atrás. Meu computador finalmente chegou. Foi um parto, porque a espera por ele coincidiu com minha saída da editora, onde eu via e-mails todos os dias e escrevia no blog com mais facilidade. Na escola não dá... E ele demorou. Mas nasceu.

Esse post é só pra atualizar mesmo essa bagaça e dizer que não morri, que estou mais viva do que nunca, e que a partir de agora as coisas vão ser mais como eram antes, mais até do que eram antes. Que eu ando numa fase de pensar muito em muitas coisas, andei fazendo várias coisas diferentes nesses tempos, andei fazendo muito nada também, e foi bom. Mas agora é hora de sacudir a poeira e voltar com tudo.

Desconstruí algumas certezas furadas que eu tinha, ganhei novas dúvidas, novas alegrias, novos laoços, desfiz antigos, redescobri prazeres há muito esquecidos, pensei sobre mim e sobre a vida, chorei e ri, dormi muito. Mas agora acordei.

Aguardem.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

The truth is out there

Último dia de trabalho na editora. Tinha que ser assim meu último dia... tô só o pó. Ontem teve show no FEIA, na Unicamp. Quase 5 horas no vento, e eu que já tava gripada e com a garganta podre. Dormi menos de 2 horas e já acordei pra dar minhas aulas. Não consigo esquecer que tenho garganta, porque ela dói e fica me lembrando da sua existência o dia todo. Estou muito cansada, então minhas impressões do último dia talvez estejam um pouco prejudicadas.

Ontem o Diego me disse que está um pouco preocupado comigo, pois sempre que me vê eu estou cansada... É verdade, querido. É verdade. Eu estou mesmo muito cansada. Essa jornada tripla tem me matado. Mais do que isso, acho que o fato de eu saber que estava acabando me deixava mais cansada ainda, aquela coisa de você se arrastar. Mas agora muitas coisas vão mudar.

Vou ter minhas tardes livres, pra preencher como eu quiser. E quero preencher com muitos projetos bons, não quero ficar dormindo, não. Vou ter tardes livres pra colocar minha cabeça em ordem. Isso é muito importante, e necessário. Vou tentar ser uma pessoa mais calma, com mais tempo pra fazer as coisas. Essa lufada de ar fresco e novo que está entrando tem que ser boa pra mim. Só pode ser boa.

Fui juntar minhas tralhas aqui e é impressionante como em 6 meses eu juntei tanta coisa... tanto papel... um monte de lixo... e um monte de aprendizado também. Que o ser humano é essa máquina maravilhosa pra quem conhecimento nunca é demais. Não esgota, não é como a capacidade do meu MP3, por exemplo, que quando quero colocar músicas novas, tenho que apagar antigas. A mente da gente aceita tudo, vai aceitando as novidades sem ter que se desfazer das quinquilharias velhas.

Eu aprendi mesmo bastante coisa aqui. Não só sobre o processo editorial, que eu adoro, mas sobre mim. Sobre como me sinto "presa" em um lugar 9 horas por dia (10, com uma hora de almoço), sentada no mesmo lugar... Sobre como minha natureza é contrária à idéia de acordar todo dia e ir pro mesmo lugar fazer as mesmas coisas o dia todo. É bom pra eu aprender, mesmo. Pra vida toda. Pra nunca mais contrariar minha natureza e me aprisionar dessa maneira, mesmo se for pra fazer algo de que eu goste, porque com o tempo (e eu pouco tempo) me dá bode, eu enjôo do mesmo, do mais do mesmo, eu murcho, eu morro. Eu preciso da diferença, da quebra, da novidade e da surpresa. Pelo menos no meu trabalho...

Dar aulas é um meio-termo. Eu acordo todo dia e vou pro mesmo lugar. Mas é só meio período. E só 4 manhãs por semana. E uma aula nunca é igual a outra. Cada turma é diferente, cada aula é diferente, cada aluno é um, e os comentários deles são diferentes, e os meus também, em cada sala. E eu vou aprendendo mais e mais sobre o meu conteúdo, sobre dar aula, sobre mim. Às vezes, dou a mesma aula para 7 turmas, mas cada uma é diferente, e na sétima eu já aprendi um monte. E é um trabalho que exige criatividade, pensamento, interação real e direta. Claro que eu poderia fazer mais simples. Planejar o ano todo de uma vez, usar o livro, explicar pouco, trabalhar pouco e ganhar dinheiro no mole. Mas eu realmente gosto do que eu faço, e procuro ter prazer nisso. Se eu fizer de qualquer jeito, daqui a pouco vou cansar. Não dá. Eu tenho que me sentir motivada, sentir que posso criar quando eu quiser.

Por muito tempo, eu quis trabalhar em editora. E não é que eu consegui? A mente da gente é mesmo uma loucura. Eu consegui, e aprendi coisas muito legais. Aprendi, por exemplo, que tem partes do processo que eu posso continuar fazendo, da minha casa, no meu tempo e no meu espaço. Continuar mexendo com revisão, que eu adoro, sem a prisão de todo dia. A Dani me disse, quando eu entrei, que era uma prisão. A Dani do RH. Não com essas palavras, mas disse. Mas eu tava tão doida pra entrar que nem dei bola. Sábia Dani. Não é pra qualquer um. Não é pra mim.

Vou embora feliz. Foi uma experiência bem bacana. Foi por pouco tempo, mas tem coisas na vida que são assim. Não dá pra ter medo de mudar. 6 meses foram suficientes pra eu saber de muitas coisas e pensar muitas coisas; claro que eu aprenderia muito mais com mais tempo. Mas estava escrito desse jeito. Que minha passagem por aqui seria breve.

Breve, mas boa. Joguei o lixo fora e, junto com a minha caixa, levo muita coisa que aprendi, e que quero continuar aprendendo. Mas não só isso. Que não dá mesmo pra ficar parada aqui. Minhas aulas estão lá fora, meus alunos estão lá fora, minhas tardes, minha mente e meu corpo pra cuidar, minhas músicas e meus projetos estão lá fora, minhas sessões de cinema à tarde, minhas caminhadas, minhas papeladas pra arrumar estão lá fora. O mundo está lá fora.

"A verdade está lá fora". Ui. Que medinho. Medinho bom da peste.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ditado pela pequena Juliana Palermo

Eu encontrei um papel esses dias que me fez rir muito. É um papel escrito pela minha querida avó paterna, ditado por mim quando eu tinha entre 5 e 6 anos. Nessa época eu já escrevia, mas uma das minhas brincadeiras preferidas era ditar coisas pra minha vó escrever. Acho que eu achava o máximo ela escrever tudo o que eu pensava... e acho também que ela gostava da brincadeira tanto quanto eu.

Eu sei que nessa época havia o Funaro, um político. Eu era obcecada pelo Funaro. Ditava muitas coisas sobre ele. Em conversa esclarecedora com minha amiga economista Juliana, ela me informou que esse Funaro era o Ministro da Fazenda, e que, provavelmente, essa época em que eu ditava era a época do congelamento de preços.

Transcrevo abaixo o escrito do papel que já está amarelado... acho que isso diz muito sobre mim, sobre a minha cabeça maluca, e que já era maluca aos 5/6 anos. Quantas crianças que você conhece ditavam essas coisas para a avó nessa idade?


Quando o leite saiu, toda a turma veio tomar.
Agora o negócio mudou, quando sai o leite todo mundo quer comprar, e é muito caro.
Agora no sítio a turma toma de graça. E agora seria melhor o governo baixar o preço, porque senão ninguém mais vai tomar leite.
E então a carne está ficando mais cara ainda. Já pensou se ninguém mais comprar essas duas coisas? Vão acabar ficando sem almoço e então se você for tomar um cafezinho no bar, e se estiver muito caro, quero dizer, já está, ninguém mais vai poder se esquentar, é claro que não se esquentar com blusas.
E quase que você fica sem o frango porque está super caríssimo, e daí você vai ficar sem almoço como a carne, é claro.
No supermercado não tem mais nada, como é que vamos fazer? Se eu fosse o Funaro eu mandaria esse preço baixar, e punha tudo no supermercado e todos poderiam comprar.
Será que o Funaro não tem dó de ninguém pra comprar comida?
Acabaremos essa conversa amanhã.
Até lá.


Eu juro, isso saiu da minha cabeça, quando eu tinha entre 5 e 6 anos...

Sem comentários...

Ou melhor: comentem!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sobre alunos e plins

Sabe aquela história de professor, de que na classe sempre salva um? Ou alguns? Aquele lance de "poucos se salvam", quando o professor quer dizer que a maioria não presta e que apenas alguns são bons? Então...

Tem coisas que não dá pra negar. Apesar de todas as pedagogices que eu já estudei na vida (e olha que foi muito: apesar de não ter feito Pedagogia, fiz Magistério, fiz Licenciatura, então estudei na Pedagogia, fiz trabalhos pra alunos de Pedagogia e até hoje, na editora, reviso livros de Pedagogia), apesar de todas as teorias, não dá pra negar: tem alunos que não dão pra coisa. Não adianta. Você vê que aquele carinha não vai longe, não vai fazer uma boa faculdade, não vai ter interesse pelo conhecimento. E pode até ser que ele se dê bem em outras áreas, pode ser que ele trabalhe pra caramba e seja feliz. Mas não tem uma relação legal com a construção do conhecimento, com o saber, com o aprender.

Vejo todos os dias, TODOS OS DIAS MESMO, os professores reclamando na sala dos professores. Claro que há muito pra se reclamar. Eu também poderia reclamar o dia inteiro, se quisesse. Mas não quero. Não quero porque amo o que faço, porque reconheço que as falhas muitas vezes são nossas, ou dos pais, ou do sistema, e não exclusivamente dos alunos. Não quero porque reclamar não vai me ajudar, não vai mudar minha realidade. Não quero porque vejo o lado bom de todas as coisas. Até daqueles alunos que irritam. Não é a deles, escola não é a deles. Triste (ou não), mas verdade. Sei lá, creio que minha função é tentar entender o porquê das coisas serem como são, tentar trazer essas almas pra ver um pouco do que eu tenho pra mostrar. Tem gente que aproveita 100% do que eu ensino; tem gente que aproveita 5%. E tudo bem, porque é só o que esses podem dar. Eu reconheço, e quero tentar fazer com que eles aproveitem 6% amanhã, vai saber. Mas reclamar, tenha dó!

Agora, deixa eu falar outra verdade: que delícia que é ver aqueles alunos que são seus pares. Que podem ser professores amanhã, ou grandes profissionais em suas áreas, que amam aprender e sacar coisas. Como é gostoso o reconhecimento de iguais que rola quando vemos o bilho no olho deles, quando vemos que eles entendem, que gostam. E não estou falando dos CDF puxa-saco, não. Tô falando daquele menino inteligente, que pode até tirar notas baixas, mas que saca do que você tá falando. Que reconhece e entende, que tem insights. Você pode ouvir, se prestar atenção, um barulhinho de PLIM! que a mente dele faz quando ele pesca alguma coisa. É arrepiante.

Ouçam, professores. Ouçam.

Sendo feliz e só

Pela primeira vez na vida, aos 27 anos, eu tomei leite com aveia. Não me lembro de ter tomado antes, acho mesmo que foi a primeira vez. Será que não estou muito velha pra isso?

Não. Acho mesmo que nunca se é velho demais pra tomar leite com aveia. Nunca se é velho para modificar hábitos alimentares e hábitos de vida. Nunca se é velho para aprender coisas boas com os outros. Acho também que nunca é tarde demais pra apreciar a chuva na janela, pra achar lindo uma vidraça com gotas de chuva, pra ficar enrolando na cama num domingo de manhã, dando risada e abraçando alguém especial. Nunca é tarde demais pra descobrir que essa pessoa especial tem duas pintas atrás do lóbulo da orelha direita, pra olhar todas as pintas que ela tem nas costas, pra explodir de felicidade ao receber um abraço e um beijo gostoso, pra tirar o sono de quem precisa dormir (desde que se durma depois). Nunca é tarde pra ligar quando a gente tem vontade, mesmo que já passe da meia-noite, porque a gente quer saber se está tudo bem, saber como foi o dia da pessoa, ouvir aquela voz antes de dormir, já que vamos dormir sozinhos.

Acho mesmo que a felicidade não tem prazo de validade... Ainda bem!!!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ipês

Eu não sabia, mas na minha rua tem vários ipês. Rosa. Não sabia porque moro lá faz apenas alguns meses, e nunca tinha reparado, acho que eles não haviam florido ainda pra mim. São vários mesmo, e minha rua é uma subidona.

Há uns dois dias atrás, voltando pra casa da escola, eu estava meio com sono, cansada. Quando entrei na minha rua, aquela subidona, vi diante de mim um tapete rosa. Pelo fato da rua ser subida, ficava mais bonito ainda, porque o ângulo da minha visão me deixava ver um tapete mesmo de flores. E aquele céu azulzão, um calor de matar. Abri um sorriso ivoluntário, na hora. "Que bonito...".

Agora, chegar e sair da minha rua é uma festa. É lindo. O chão coberto de flores é tão simbólico, tão singelo e tão bonito. A parte mais bonita da árvore caindo no chão, e colorindo e enfeitando o chão, e nem por isso a árvore menos feia. Pelo contrário, agora que eu percebi que ela existe. Ela não guarda o mais bonito pra si. Deixa cair no chão, na rua cinza e feia, e enfeita a rua e acaba chamando a atenção para si mesma, e deixa tudo ao redor mais e mais bonito. Uma beleza mesmo.

Hoje, agora, vindo trabalhar na editora, vi uma velha tentando varrer a calçada. Raiva. Pra quê?? Tá tão bonito... E é tão inútil... As flores e as folhas vão cair mesmo, e deixa que caiam, não adianta lutar contra a natureza, é época de cair e vai cair, pra que sofrer com isso? Melhor aproveitar a beleza do momento, não é? Coitada, tentando varrer as flores, que são muitas mais do que ela, e flores novas vão cair dali a 5 minutos... Trabalho inútil, energia desperdiçada, olhos vendados pra beleza do mundo. Larga essa vassoura, sua velha. Vem pisar descalça aqui nessas flores tão bonitas!

Às vezes parece que estou falando pra mim mesma, por meio das minhas metáforas sem fim...

Sei que, quando eu já estava no fim da rua, bateu um vendo lindo e as flores começaram a cair... dirigi bem devagarinho e deixei que elas caíssem sobre o meu carro. Foi tão bonito, aquele tapete de flores, aquele céu azul com rosa das flores que ainda estão nas árvores, e as flores dançando no espaço entre o céu e o chão. Parecia mesmo uma bênção, um carinho daqueles no rosto "vai em paz, minha filha". E eu vou. Impossível não sorrir.

Que beleza. Vou tentar tirar uma foto pra mostrar pra vocês. Mas a maior lição disso é a da vassoura: NÃO ADIANTA!!!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Michael Jackson e outras pequenas alegrias

Eu ando meio bipolar. Nada sério, mas meio bipolarzinha. Tava ontem naquela onda de sono, meio deprê, cansada e talz. Mas eu tenho ouvido muito Off the wall, do mestre Michael Jackson, porque vamos tirar esse som no ensaio de hoje. Então ouço direto no carro. E, cara, é impressionante, é contagiante. Ontem, saindo do trabalho, ouvi bem alto. Não dá pra não empolgar. Cantei junto, me acabei de batucar no volante e de fazer dancinhas e bater palma (perigo no trânsito). Cheguei em casa cantando e meu pai até estranhou.

Tudo bem. Tinha combinado de sair com meus queridos amigos/família, mas depois do banho bodeei. Não queria mais ir. Liguei pra eles pra dizer que não ia, e eles tentaram me convencer a ir. Deitei na cama e acabei minha Agatha Christie. Daí resolvi ir. Já eram quase 10 da noite, mas resolvi ir, mesmo de bode. E foi bom. Ver meus amigos queridos, cantar com a diva Tatiana Rocha, dar risada, falar sério, sentir o perfume dos meus amigos mais perfumados (o perfume deles fica no meu nariz, e eu adoro homem cheiroso). Foi bom. E hoje, saindo da escola, coloquei Off the wall bem alto no carro. Cara, é impressionante, é contagiante. As pessoas escutam e começam a se mexer. Sabe aquela coisa de videoclip, quando o som começa e todo mundo nas ruas larga o que está fazendo e começa a dançar? Não é tanto, mas parecido. Muito bom.

Recomendo: contra bodinho, Off the wall.


http://br.youtube.com/watch?v=u5fJxtDkjwM

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Maluca

Tô meio distante, né? Eu sei, eu sei. Geralmente, quando as pessoas se afastam de seus blogs, é porque estão fazendo muitas coisas, estão super atarefadas e correndo muito. Não é o meu caso, confesso. Não estou fazendo absolutamente nada. Quero dizer, nada além do necessário, do essencial. Meu trabalho, mas só nas horas em que estou no trabalho. Tenho milhares de coisas pra fazer em casa, de trabalho também, de arrumações, mas simplesmente não consigo.

Não consigo, não consigo. Droga.

Hoje, que é minha manhã de folga, quando acordo relativamente cedo pra colocar papelada em dia, não consegui levantar. Não consegui, não consegui. Acordei às nove, dormi até às 10. Deixei todo o trabalho de lado e fiquei lendo. Daí dormi de novo, acordei quase no horário de ir pro segundo trabalho. Com muita vontade de ficar. Cansada, mas de quê, se não estou fazendo nada? Não é aquela coisa de depressão que eu conheço, querer ficar na cama pra não ter que enfrentar o mundo. É diferente. Eu tenho sono mesmo. Se for depressão, deve ser muito profunda, porque engana até mesmo a mim, disfarçada de sono. Eu não deveria ter sono, tenho dormido tanto, tão cedo. Mas me dá um sono incontrolável, e eu durmo e sonho. Sonho com o meu sobrinho, sonho que ele já nasceu e é exatamente do jeito que eu o imaginava. Sonho com o Dr. House, que ele é meu amigo e gosta de mim.

Gente, eu devo estar ficando bem louca mesmo.

Ouço muitas músicas no meu MP3. Hoje é dia de dentista e eu quero morrer, morro de medo de dentista. Me olho no espelho e me acho feia, mais feia do que nunca. E sono, sono, sono.

O que é que está acontecendo comigo? Meus amigos dizem que estou triste, quieta. Mas não acho, não percebo mudança. Estou com sono. Sono, sono.

Queria dormir a semana inteira. Ficar em casa lendo Agatha Christie, os mais bobos, entrar na trama, me preocupar com as personagens e esquecer de todo o resto. Que coisa.

Acho que preciso de férias bem legais.

Pensei esses dias que estou com saudades do Dani. Da nossa amizade. Como era bom ter o Dani de amigo. Dani figura que tirava sarro de mim direto, que sabia meus pontos fracos e fortes, que conhecia todas as minhas fraquezas, então não se impressionava com nenhuma cagada que eu fazia, mas me ajudava com todas elas. Que me fazia rir, me fazia pensar (mesmo que eu não pensasse), que estava sempre ali. Dani, Dani, querido Dani. Mas a louca aqui tinha que estragar tudo, né?

Saudades de você, Dani. Saudades de você ser meu amigo e de ser sua amiga, como éramos antes. Isso não tem a ver com ninguém, com meus amigos de agora e de sempre, não exclui ninguém, não menospreza ninguém. É só saudade. Das boas.

Vai estrear Blindness e eu tô louca já. Lembrei disso porque lembro do Dani e lembro do Lucas, e eu e o Lucas combinamos de ir ver Blindness na estréia, afinal, é o filme baseado no fodíssima Saramago, um dos dois livros mais importantes da minha vida (do outro já falei muito aqui). E eu vi hoje que o filme estréia sexta agora, dia 12. Quero muito ver. Quem sabe eu me mexo um pouco, dessa parada de merda na qual ando. Saramago mexe mesmo com a gente. Ou faz parar de vez e pensar de verdade. Lembro de mim conversando com o Lucas na cantina do IFCH, um dia que fui almoçar com ele lá, e ele me disse q o Fernando Meirelles ia filmar o Ensaio sobre a Cegueira. Não acreditei. Já faz quase um ano, e combinamos de ir juntos. Mas estou com o pressentimento de que ele vai furar, de que o Thunder Voice vai dar pra trás, vai ter alguma coisa pra fazer. Daí eu vou sozinha. Vou sozinha mesmo, sento e choro, aproveito pra chorar com tudo e por tudo, começo a chorar nos traillers.

Não tente achar um fio condutor nesse texto. Se é que alguém leu até aqui.

Eu teria muitas coisas mais para escrever, mas vou parar antes que eu enlouqueça ou morra de vergonha depois.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Aprendendo com os alunos

- Professora, namora comigo?
- Hahaha, que que é isso, menino?
- Namora comigo, professora. Você tem namorado?
- Mais ou menos.

(Aqui cabe uma explicação: não vou ficar dizendo pra esse bando de marmanjo que estou solteira, então quando eles me perguntaram no primeiro dia de aula se eu estava namorando, eu disse "mais ou menos" - e tenho que manter a palavra.)

- Ah, como assim mais ou menos, desde que você entrou aqui você fala isso, e já faz um mês!
- É, pra você ver como vocês homens são difíceis...
- Professora, eu não sou bonito, não tenho dinheiro, mas o amor verdadeiro compensa tudo.

(gargalhadas incontroláveis, minhas e dele)

- Vai, professora, vai ficar aí sofrendo por amor, sendo que tem alguém que gosta de você?
- E quem disse que eu tô sofrendo por amor, menino??
- Quem tá de rolo sempre sofre.

Caralho... brincadeiras à parte, levei um baile de um menino de 16 anos. Óbvio que ele está brincando com o lance de namorar. Mas a grande verdade que ele me disse, no meio dessa brincadeira toda, me deixou sem resposta.

E nós que achamos que os adolescentes não sabem nada da vida...

Taurus

Hahaha, então tá. Bem que podia ser verdade, heim??? Olha só o que o meu horóscopo disse hoje:

Touro (21/04 a 20/05)
Segunda, 01º de Setembro de 2008

O trabalho ganha ares de seriedade bem como os relacionamentos amorosos. O mês promete boas novidades nesses setores de sua vida. Fase boa para colocar em ordem papeladas e organizar todas as coisas e situações que saíram de seu controle no mês passado.

Se eu conseguisse realmente colocar toda a minha papelada em dia, eu seria praticamente a Wonder Woman... Bom, se eu corrigir as redações levando mais ou menos 10 segundos pra cada uma, talvez eu consiga. Mas, como eu sou uma professora caxias pra caralho e chata até a morte, eu levo beeem mais que isso... Portanto, acho que sempre vou ter papelada pra colocar em dia...

"O trabalho ganha ares de seriedade"... mas desde o começo já teve. Será que os astros acham que eu estou brincando de escolinha? Come on...

Quanto ao resto, piada, vai! "Os relacionamentos amorosos" ganhando "ares de seriedade"??? Hã-hã, conta aquela do papagaio, agora!!

"O mês promete boas novidades nesses setores da sua vida" - trabalho e relacionamentos amorosos. Falou. Faz de conta que eu acredito.

"Fase boa para colocar em ordem papeladas e organizar todas as coisas e situações que saíram de seu controle no mês passado." Putz, tanta coisa fora do meu controle no mês passado, que se tudo se organizar agora eu até vou achar estranho...

Podem confessar: quem foi que pagou o site do Terra pra colocar esse horóscopo hoje, heim? Quem foi? Quem foi?

domingo, 31 de agosto de 2008

Play that funky music

Do you remember?
Jesus Christ, olha o meu cabelo...

http://www.youtube.com/watch?v=rY4A_VvyiFk

Diazinho estranho, mas vídeo legal.

Amo... de paixão!!!

http://www.youtube.com/watch?v=2qXeLcuqen0

(Só pra esclarecer, a "dicotada" sou eu...)

Cu cu cu cu cu

Cu cu cu cu cu.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Pronto, passou. Precisava dar um grito virtual.

Minha cabeça tá o samba do crioulo doido, a festa do caqui com ovo. Em questão de horas, vou do céu ao inferno, como uma pessoa pode ser tão estranha assim? Uma hora me sinto leve e feliz, canto e danço e pulo e rio do nada. Algumas horas depois meu peito aperta, fico de bode. Depois agradeço tudo o que tenho de bom e a estrada aos meus pés; minutos depois choro sem saber por que, tento descobrir por que estou chorando e vem milhares de coisas na minha cabeça, um monte de cenas, um monte de gente, um barulho, uma confusão, eu só peço bem baixinho por favor, para que saiam, saiam todos vocês e me deixem aqui quieta, baixinho mesmo porque nem gritar eu consigo.

Montanha-russa do caralho.

Segunda-feira chegando assusta a gente. Deve ser isso. Não é, mas vamos fingir que é.

Cu cu cu cu cu.

Portas abertas

Sejam bem-vindos. Seja bem-vindo, mundo. A partir de hoje, o blog está aberto a quem quiser ver. Foda-se.


Este blog começou com uma história estranha, maluca, eu precisava escrever pra organizar minhas idéias, pra não surtar. Daí só eu lia. Depois eu e mais duas amigas. Agora tem uns poucos amigos fiéis que me visitam e deixam seus recados maravilhosos. Mas, quer saber? Eu não quero e nem preciso esconder nada de ninguém. Tô aqui, exposta.


Pra variar. Por que é que na Internet tinha que ser diferente?


Pronto, portas abertas. Por favor, limpe os pés antes de entrar, pra não sujar tanto. Sirva-se à vontade, não tem muita coisa, mas do que tem não falta nada. Cuidado pra não quebrar nada meu. Não leve embora minhas coisas sem falar comigo, eu sou uma taurina muito possessiva com o que é meu, mas empresto de boa. Procure não fazer muito barulho, tem dias que só quero o silêncio. Mas se quiser bater papo, ah, é comigo mesma!! Tente não pisar muito forte, por incrível que pareça eu me machuco muito fácil (é que eu escondo).


Mas não mais. Portas abertas, seja bem-vindo, mundo!

A pôrra do Telecine Light

Eu vi hoje pedaços de dois filmes na merda do Telecine Light. Não que eu queira parecer repetitiva but I can't help it.

Por que raios a gente tem q ver essas merdas? Por que raios as pessoas insistem em nos passar essas mensagens, essas imagens, as regras malditas que temos que seguir, um casal, os dois bonitos, as mulheres são geralmente loiras, ou morenas muito muito muito bonitas, e o cara sempre é gentil e bem resolvido, apaixonado, faz coisas legais, as musiquinhas bonitas tocam e eles são felizes. E se você não é assim, e se a sua vida não é assim, você tem que se sentir uma merda por isso?? Não. Mas por que você se sente?

Depois era um pedaço de um filme de uma mulher bem gorda, uma negona enorme de gorda e ela vai pra um spa e conhece um nigeriano que acha lindo ela ser balofa, e ela cria uma grife para gordinhas, muda o padrão de beleza e vai pra Nigéria ser feliz com o cara.

Que merda. Eu não quero ir pra Nigéria. Desculpa, mas gosto é gosto, eu gosto de homens brancos, branco geladeira, acho lindo. Eu não quero ir pra Nigéria pra ser feliz.

Alguém pode me dizer por que raios eu assisto a essas merdas? Por que raios eu fico tão puta com essas merdas que querem fazer a gente engolir goela abaixo?

Sábado de merda.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Bonito, profundo e sério (a segunda parte)

Sexta-feira é um dia longo.

Sexta-feira é um dia looooooooooooongo.

5 aulas de manhã, almoço, Papirus de tarde, ensaio de noite. Mas, como eu já disse por aqui, gosto de tudo. Gosto tanto de tudo que o dia nem fica mais longo. Fica um dia cheio. Mas cheio de coisa boa, então tá bom.

Eu geralmente acordo me preocupando com a minha noite. Isso não só de sexta-feira, mas todos os dias. Acordo e penso: o que vou fazer depois das 6? Porque, por mais cansada que eu esteja, 6 da tarde um bichinho me pica e eu acordo. Fico insuportável.

Mas hoje eu acordei tão de boa. Com um pouquinho de sono a mais, mas já passou. 4 da tarde e já passou. Tô no meio do meu dia, e ainda tenho tanta coisa boa. O ensaio é sempre legal. Tem sido. E eu não tô mesmo me preocupando com a minha noite, pela primeira vez em muito tempo. Como é bom deixar os pesos no chão. Pra que carregar tanta coisa, meu deus!? Pra que tanto problema, tanta preocupação, tanto "será que... ?". Pra nada. Pra estressar.

Quando eu durmo pouco eu fico assim meio lenta. Mas eu gosto. Tô tranqüila. Sexta-feira, 29 de agosto de 2008. Um dia bonito. Um dia sem fardos. Sem preocupações, sem pesos, sem cargas, sem expectativas, logo sem frustrações.

Tenho as costas livres. Tenho a mim e ao meu cansaço, e à minha animação. Tenho as costas e as mãos e o peito livre, e um caminho pela frente. Pé na estrada. Respira fundo e vambora.



* "Discutindo tudo isso, eles deixaram o parque. Caminhavam lado a lado, Clémence saltitava, colhia flores, perseguia os pássaros para tocá-los. Ela tinha, mais ou menos, a idade de Antoine; por momentos ficava muitíssimo séria e, no instante seguinte, desenvolta e leve, a sua personalidade não cessava de virevoltear. Com ar cândido, ela exclamou abrindo os braços:
- Por que a gente não teria o direito de criticar, de achar certas pessoas babacas e fracas, sob pretexto de que teríamos um clima pesado e ciumento? Todo o mundo se comporta como se fôssemos todos iguais, como se fôssemos todos ricos, educados, poderosos, brancos, jovens, belos, machos, felizes, como se todos estivéssemos com boa saúde, como se todos tivéssemos um carrão... Mas isso, obviamente, não é verdade. Por isso, tenho o direito de gritar, de estar de mau humor, de não sorrir idiotamente todo o tempo, de dar a minha opinião quando vejo coisas não-normais e injustas, e até de insultar as pessoas. Tenho o direito de protestar.
- Estou de acordo, mas... isso é fatigante. Podemos fazer isso de um jeito melhor, não?
- Você tem razão - concedeu Clémence. - É idiota gastarmos toda a nossa energia com coisas com as quais não vale a pena gastá-la. Mais vale guardarmos as nossas forças para nos divertir.
- E para passear na margem do rio.
- Passear na margem do rio... Isso é de uma canção, não?
Clémence cantarolou uma vaga canção. Eles caminhavam na calçada entre a multidão de trabalhadores e desempregados, estudantes, velhos e crianças. As lojas, as padarias, os bancos continuavam cheios desses glóbulos variegados que são os seres humanos no aparelho circulatório da cidade. Um carro passou diante deles buzinando e parou dez metros adiante, num sinal vermelho. Clémence tomou Antoine pelo braço.
- Feche os olhos - pediu-lhe ela. - Eu tenho uma surpresa para você.
Antoine fechou os olhos. Um vento leve e quente eriçou os cabelos dos dois jovens. Clémence conduziu Antoine puxando-o pelo braço; ela o levou para o meio da rua. A uns cem metros, vinha um veículo negro.
- Bem, você já pode abrir os olhos.
- Clémence, está vindo aí um automóvel negro - constatou tranqüilamente Antoine.
-Você prometeu que teria toda a confiança em mim.
- Não, de maneira nenhuma, eu nunca disse isso.
- Ah, sim, eu esqueci de lhe pedir que tivesse toda a confiança em mim. Tenha confiança em mim, certo?
- Clémence, o automóvel...
- Jure que você vai ter toda a confiança em mim e pare de gemer, seu medroso. Você não deve mexer-se, isso é muito importante. Jure.
- Está bem, eu juro. Eu não vou mexer-me, eu não... vou mexer-me...
O carro estava já a não mais de trinta metros, a sua buzina urrava para que os dois jovens saíssem do meio da rua. Antoine e Clémence não se mexiam, os passantes olhavam para eles. No penúltimo instante, Clémence puxou Antoine pelo braço e eles caíram na calçada. O carro negro passou resmungando ferozmente e arreganhando-lhes os dentes.
- Eu salvei a sua vida - disse Clémence. - Eu sou a sua heroína! - Ela se levantou e ajudou Antoine a se pôr de pé. - Isso quer dizer que nós estamos ligados pela vida. Doravante nós somos responsáveis um pelo outro. Como os chineses.
- Eu acho que já tive suficientes emoções por hoje.
- Você tem algum número de emoções que não pode ultrapassar?
- Sim, tenho, é isso, senão corro o risco de morrer de overdose. E não me diga que as overdoses de emoções são geniais, porque não estou acostumado a elas."

(Eu teria muitas coisas pra comentar sobre esse trecho do Martin Page - de um livro que já falei aqui. Mas isso é tão sério e profundo e bonito pra mim, que eu nem sei por onde começar. Eu não tenho um limite de emoções que posso ultrapassar, eu nunca tive, e eu não quero ter, e eu acho um absurdo que a pessoas tenham. Mas cada um é cada um. E isso também é lindo. Esse trecho é uma das coisas mais (de novo) bonitas e profundas e sérias que eu já encontrei em toda a minha vida. E o trecho posterior a esse também. Desejos de menina de verdade, de menina única, nem Pinochio nem David. A Fada Azul que sabe. E chega, que tô enlouquecendo e meu dia hoje é longo e cheio. Ainda bem.)

Norah Jones = Bitch.

Ela vem com aquela vozinha (de voz, não de vó) de quem não quer nada e destrói a gente.

Ontem de noite (bem de noite) ela entrou no meu carro sem ser convidada, sentou no banco de trás e começou a cantar na hora mais imprópria que podia existir... a música mais imprópria para o momento.

Mentira. Ela nunca acertou tanto. Eu não mudaria nenhuma palavra, nenhuminha...

Maldita Norah. Maldita.

Depois do solo, ela volta cantando assim:

Yeah well if my sky should fall
Would you even call?
Opened up my heart
Never wanna part
I'm giving you the ball

When I look in your eyes
I can feel butterflies
Could you find a love in me?
Would you carve me in a tree?
Don't fill my heart with lies
I will you love when you're blue
So tell me darlin' true
What am I to you?

Vida irônica, vida louca. Mais louca do que eu...

(Eu não vi o vídeo, pq aqui não posso ver, mas a música é essa. Vejam por mim.)
http://www.youtube.com/watch?v=VnolNQUxzdo

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Registro





Trilouca na casa da Tati terça. Noite memorável.


(fotos de Juliana Hilal)

Ferris Bueller's Day Off

Alguém merece chegar do primeiro emprego e, antes de ir pro segundo, ligar a TV e ver esse filme? Não, né? Talvez eu mereça, porque foi justamente o que aconteceu comigo hoje.

Vontade de matar o dia, também. De ficar a tarde inteira por aí, mas não dormindo!! De pegar um dia qualquer, pode ser uma quinta-feira como hoje, sem ser feriado, isso seria fundamental. Marcar com alguns poucos e bons amigos e sair tocando o terror. Ir a cinema, museu, parque de diversões...

Ah, que vontade!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Casa e a mensagem cifrada

Quando a gente chama alguém pra nossa casa, a gente tem que arrumar a casa antes, pra receber a visita. Não dá pra chamar a pessoa e ela encontrar a bagunça. Pra pessoa entrar e te ajudar a arrumar. A casa é sua. Você que tem que arrumar. A pessoa tem que desfrutar de uma casa organizada, ela está lá pra passar bons momentos, não pra arrumar a casa com você, ou, pior, pra você.

Não é?

Outra coisa, só mais uma coisinha: eu que eu queria mesmo era assombrar a cidade. Queria tanto! Há tantos anos! Mas tá difícil... Acho que tenho que arrumar minha casa antes.

Então, mãos à obra!

Terça-feliz

My Monday was supposed to be happy. No geral. Minhas segundas felizes. Mas as terças têm batido um bolão!

Strogonoff, vinho, música, risadas, plantinha, gato, cachorro, amigas, meninos lindos e divinas, divinas e maravilhosas, violão, coca-cola, chocolate, papos brabos, gargalhadas de doer a barriga, fotos, sonzeira.

O que mais eu podia querer?

Se eu quiser mais que isso, eu sou uma burra idiota.

(Por uns minutos eu sou, depois passa).

Obrigada, queridos, pela noite de ontem. Pena que a trabalhadora do Brasil tem que ir embora meia-noite, perigando virar abóbora...

Levando um lero com a Fada Azul

Os meus horários de almoço são muito corridos de segunda e quarta. Porque nesses dias eu dou aula até 12h45, corro pra casa, almoço e tenho que entrar na editora às 14h00. Eu sempre acabo comendo na frente da TV. E essa semana, com o sinal do Telecine aberto, tenho visto algumas coisas, alguns pedaços de coisas.

Hoje estava passando Inteligência Artificial. Eu amo esse filme, podem falar o que quiser. Eu vejo o Kubrick no filme (claro, o projeto era dele). Vejo muito, por trás do Spielberg. Estava justamente no final, na parte em que David vai pra Cidade Perdida (Manhattan), encontra a Fada Azul, e daí pra frente. Eu fico grudada na frente da TV, sem nem respirar direito, porque eu acho isso muito bonito, muito bonito.

Ando bem estranha, mesmo. Eu não diria sentimentalóide, diria super-emocionável. Qualquer coisa me emociona, me desestabiliza. E esse filme é foda. Fiquei pensativa pacas quando vi a cena do David com seu construtor, quando o cara fala que ele (David) tem a maior bênção dos seres humanos, que é a de lutar por seus sonhos, e também a maior bobagem, que é acreditar em coisas que não existem. Bonito, bonito. Somos assim mesmo, nós seres humanos. Não todos, óbvio. Mas desses, que não são assim, eu nem quero saber.

A jornada toda de David no filme é uma só, e isso tem muito a ver com a conversa que tive ontem com Tatiana na cozinha dela. O robô-menino, menino-robô passa o filme todo atrás de se tornar um menino de verdade, como o Pinochio. Ele quer ser único. Quer encontrar a Fada Azul e pedir a ela que faça com que ele se torne um menino de verdade. Um menino único. Ele vai literalmente até o fim do mundo atrás de seus sonhos. E, contra todas as expectativas, ele encontra a Fada Azul, mesmo que ela não seja exatamente o que ele pensava, e mesmo que seu sonho nunca possa se tornar real.

Irônico, muito irônico, é David descobrir que estavam se preparando para lançar uma linha de Davids. Ele, que queria ser único. Ele, que queria ser um menino de verdade, vê a si mesmo na linha de produção, tantos e tantos iguais. Mas o que ele não sabe e a gente sabe é que ele é, sim, único. Ele chora, ele sente. Tão fácil ver as coisas da vida dos outros. Tão difícil olhar pra dentro de nós mesmos.

Quem sou eu? O que quero deixar no mundo, como marca minha? Por que quero ser único? David viaja por mais de duas horas de filme atrás dessas questões, na verdade, atrás da única questão que realmente interessa.

E eu me arrepio. E eu tenho vontade de chorar. Porque também queria ser única, porque também queria ser uma menina de verdade, porque também iria até o fim do mundo atrás dos meus sonhos, dos meus desejos. David quer sua mãe de volta, mesmo que por um dia. Mesmo sabendo racionalmente, com sua mente de robô, que seria só um dia e ponto final. 2 mil anos se passam. Seres humanos não existem mais. Robôs não existem mais. David é único.
Mas ele já não era?

Era. Mas não via.

Eu vejo. Juro. Queria fazer todo mundo ver também. Mas pérolas e porcos são incompatíveis. A Tati disse. O mundo disse antes dela. E estão todos certos.

Quantas vezes queremos algo apenas por um dia, mesmo que saibamos que depois nunca mais? Discutimos isso entre amigos esse fim de semana. Quanto vale a pena? Quantas vezes já senti isso... Não sinto mais, agora, acho que ando mesmo velha e calma, mas, ah, já senti demais o desespero e já tentei me enganar por diversas vezes com esse papo de "só por hoje". Não quero mais nada só por hoje, não. David quer sua mãe, mesmo que por um dia. Eu não sou robô. Não sou mesmo.

Por isso, me vejo em busca da Fada Azul, que eu sei que não existe, fazendo pedidos que talvez sejam impossíveis. Porque eu sou humana. Porque acredito em coisas que não existem, e porque vou atrás de meus sonhos. Deixa, então, eu tentar pedir direito, o que realmente importa.

Fada, Fada, eu quero saber quem eu sou. Quero saber qual a marca que quero deixar, e por quê. Não vou pedir pra ser uma menina de verdade, e nem única, porque isso eu já sei que eu sou. Tira o Demônio Auto-estima do meu ombro. Deixa que eu seja quem eu realmente sou.

O resto, ah, meu bem, o resto é puro resto. Puro e simples resto.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Geni e o Zepelim

Mais uma coisa que me deu vontade de chorar, e eu preciso contar. Ando chorona de morte esses dias. Faz parte.

Hoje eu trabalhei com Geni e o Zepelim, do Chico, com quatro das minhas onze turmas. Era uma idéia que eu tinha há muito tempo, daquelas assim "Quando eu for professora de adolescentes, vou trabalhar com Geni". Chegou o dia.

Apresentei pra eles a obra Ópera do Malandro, brevemente. Antes, fiz uma revisão sobre narração. Daí coloquei a música e entreguei a letra, pra eles seguirem. E então se dava o momento mágico. A música começava, uma versão maravilhosa que o querido Du me arrumou. Violinos arrepiantes. Interpretação fudida. A sala quieta. Curtindo, sérios, depois rindo, depois sérios novamente. Interessadíssimos.

Lindo de ver. Muitos daqueles seres de 16, 17 e 18 anos nunca tinham ouvido Chico Buarque antes. E estavam ouvindo e curtindo. Imersos no som, nas palavras, na história. E eu ali agradecendo de verdade pela oportunidade de estar ali e de oferecer Chico Buarque a essas mentes e a esses corações.

Passava os olhos pela sala, extasiada. Levantei os olhos pro alto e agradeci. Obrigada, meu Deus, obrigada mesmo. Agora, só não me deixa chorar aqui, porque vai ficar feio.

Bendita Geni!!

Link

Texto muito engraçado e bom da Jujubs sobre o dia de ontem... hilário. Eu não escreveria melhor... Portanto, confiram:

http://retalhosdejulianahilal.blogspot.com/2008/08/24-de-agosto.html

E se...?

E se?

E se eu tivesse ligado antes? E se eu tivesse feito o que estava com vontade de fazer?

E se?

Às vezes penso que somos mesmo marionetes idiotas do destino ou seja lá do que for isso. Achamos que podemos controlar nossas vidas, que podemos controlar as vidas dos outros, que podemos escolher. Mera ilusão. Somos joguetes, bobinhos, tolos. Não dá pra controlar nada.

Quantas vezes a gente se pergunta "E se?". E se eu tivesse ido à festa? E se eu tivesse ficado em casa? E se eu não tivesse esquecido o celular? E se eu tivesse passado de carro por aquele lugar àquela hora? E se eu não tivesse ido? E se eu tivesse ido a pé? E se eu não tivesse atrasado 5 minutos?

A gente nunca vai saber.

Ontem, voltando pra Campinas, eu estava conversando com a minha querida melhor amiga. Estávamos falando de fins de relacionamentos (mas isso é assunto pra outro post). Ela se lembrou de um dia importante e triste na vida dela em que eu estava presente. Falando assim parece idiota. Mas não é. Eu explico, e vou tentar explicar também por que tive vontade de chorar nessa hora, ontem, no carro, mais de 11 horas da noite, voltando pra Campinas.

Numa época X da minha vida, eu me distanciei de todos os meus amigos. Na verdade, eu me distanciei de mim e da minha vida, mas a maioria das pessoas comete esse erro na vida (e eu já aprendi, depois da terceira vez). Enfim, eu estava namorando e estava cega, e me afastei de todas as pessoas queridas da minha vida. E também dessa amiga, que sempre foi uma amigona. As pessoas ficaram com raiva de mim. Eu também ficaria. Mas, quase um ano depois, essa amiga fez aniversário, e eu fui. Eu estava afastada de todo mundo há muito tempo, e tinha acabado de levar um pé na bunda, e estava morrendo de vergonha de aparecer. Porque, uma semana antes, quando eu ainda não tinha levado o pé, eu jurei que iria no aniversário dela. Daí eu levei o pé, e fiquei com medo das pessoas acharem que eu só tava indo porque estava sozinha. Mas eu fui, mesmo assim. Foi bem estranho, todo mundo frio comigo, mas eu merecia.

O fato é que essa noite, aniversário dessa amiga, foi um dos piores dias da vida dela, no fim das contas. No fim da festa. Eu fui mesmo, e fiquei até o fim. E, assim, acabei presenciando esse momento horrível, mas importante.

Cara, que coisa é o destino! Ontem eu fiquei pensando nisso, quando ela disse "E você estava lá". Pois é. Eu estava. Um ano depois. Eu estava lá.

Sei lá, me deu uma vontade muito grande de chorar. Não só porque eu estou eu um período sensível do mês (fêmeas e seus ciclos), mas porque mexeu comigo mesmo essa coisa de pensar que as coisas acontecem quando e da maneira que têm que acontecer. A gente pensa que está no comando, mas não passamos de peões nas mãos de alguém que tá jogando xadrez.

Eu queria poder escolher. Ser o Cavalo, pelo menos, que anda em L e é super legal, o único que pula. Ou o Bispo, andando na diagonal, mas sempre numa cor só (que triste). Ou uma Torre, tão forte, esquadrinhando o tabuleiro nas horizontais e verticais, derrubando tudo. Queria mesmo era poder ser a Rainha, andar pra todos os lados e quanto eu quiser. Mas nada disso. Somos peões do destino, que coloca a gente onde quer, avançando uma casa por vez, às vezes comendo alguém na diagonal e mudando de repente de caminho; às vezes, ficamos parados no mesmo lugar horas, enquanto ele mexe outras peças. Mas não é que de repente essas peças vêm parar do nosso lado?

Muito xeque-mate pro meu gosto.

Eu queria contar pra você

São Paulo é uma cidade que me mete medo. Eu me sinto muito pequena em São Paulo, muito burra, muito comum, muito minúscula. Tenho medo do que não conheço, tenho fascínio e medo, tenho uma frustração enorme porque nunca vou conseguir conhecer tudo, vou ficar sempre na pontinha do iceberg, isso me desespera, ao ponto de eu nem conseguir escrever sobre isso. São Paulo me assusta. Um dia eu te conto pessoalmente. Ontem pensei nisso, senti um vazio enorme misturado com medo, pensei em você e queria te contar. Um dia eu conto.

Mercúrio (mais assusta do que arde)*

Fez um ano segunda passada, há uma semana. Eu não me lembro exatamente, que coisa incrível. Um dos dias mais foda da minha vida, e eu não me lembro exatamente. Tive que recorrer a calendários e Google, procurando eventos que ocorreram perto da data. Pra quê? Sei lá, mas eu queria me lembrar do dia exato. Descobri. Foi 18 de agosto de 2007. Já fez um ano. Lá se foi um ano. E eu nem senti.

Mentira. Eu senti como uma condenada, eu sofri como uma cadela de rua, eu comi o pão que o Diabo amassou com a bunda e ainda cagou em cima. Mas estou aqui. Viva. Inteira. Curada (?). Sem feridas. Com cicatrizes, mas sem feridas.

Às vezes, penso muito nisso. No que tudo representou pra mim. No que significou pra mim. No que eu senti de fato. No que sobrou. Às vezes, não quero pensar em nada, porque tudo é tão confuso, mas ao mesmo tempo tudo é tão simples. Eu não gostaria de voltar ao passado. Eu não queria mudar o passado. Eu aceito tudo como foi, como tinha que ser. Eu erraria tudo de novo, porque foi importante. E eu não queria que tivesse sido diferente. Não dava pra ser diferente. Tinha que ser exatamente como foi. Porque a gente aprende, e eu aprendi tanto. Porque não era pra ser. Pelo menos não pra sempre. Pelo menos não por tanto tempo. Era pra ser no tempo que foi. E do jeito que foi, pra machucar bastante, pra ensinar a ferro e fogo, que é só assim que eu aprendo.

Eu acho que eu aprendi. Já fez um ano, e eu nem senti.


*Mercúrio assustava muito quando a mãe da gente passava no joelho. Assustava, porque ficava tudo vermelho. Mas não ardia de verdade. E também não existe mais. Gostei mesmo desse título esclarecedor.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Telecine light

Ai, Jesus... de 22 a 31 de agosto o Telecine vai abrir o sinal pros pobres mortais que, como eu, não têm os canais de filme em sua grade de programação. Eu tô jurando aqui, fazendo uma promessa mesmo, de que eu não vou ficar vendo os filmes do Telecine Light, aquelas merdas de filme água-com-açúcar que eu odeio, mas quando começa a passar eu não consigo sair de frente da TV, juro, juro, juro que não vou ficar vendo essas coisas, e juro mais forte ainda que não vou ficar aqui escrevendo textos sobre isso, sobre os casais, sobre as manias da sociedade, sobre o que querem colocar na nossa cabeça sobre relacionamentos, sobre as coisas que eu discordo, sobre a raiva que eu tenho dessas coisas, enfim, juro mesmo que não vou.

Se eu não agüentar, podem puxar minha orelha virtualmente, ok? Porque eu sei que meu blog tava muito, muito chato lá perto do dia dos namorados, que ficava passando só essa merda de programação, e eu não conseguia evitar de assistir e, pior, de comentar. Agora estou jurando.



(dedos cruzados)

Farmacinha

Eu quero uma aspirina pra ver se é verdade que tira dor nas costas.

E, se tiver, um remédio que tire neuroses da mente da gente, que deixe a gente relaxar, esquecer do mundo, ser feliz sem ficar procurando problemas, sorrir mais, resolver nossas burocracias num piscar de olhos, falar o que tem vontade de falar, se permitir sentir o que a gente de fato sente, fazer o que tem vontade, abraçar quem a gente quer abraçar, esquecer de quem a gente não gosta, descomplicar tudo, descomplicar e sentir e relaxar e sorrir.

Tem?



** Kit básico da boa educação:
-Por favor
-Obrigado
-Com licença
-Desculpe
-Responder e-mails
(Minha mãe me ensinou).

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Plástico bolha

Descobri que o plástico bolha não é terapia pra mim. É estressante. Eu aperto tão forte que meus dedos dóem. E fico com um TOC tremendo de ter que estourar todas as bolhinhas, daí me bate a compulsão, o desespero, e o medo de ter deixado passar alguma. Juro. Pra mim, plástico bolha é estressante. Descoberta inútil de segunda-feira.


*Sabe duas pessoas diferentes? Nem tão diferentes assim, mas ao mesmo tempo muito diferentes? Acontece quando as duas têm loucuras diferentes... essa é a diferença. Mas as loucuras são no mesmo nível, bem profundas... O que as torna, de certo modo, parecidas. Iguais. Mas diferentes. O mundo é mesmo uma beleza.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Christiane F

Eu juro. Dá um "Christiane F." no Google Imagens... juro por Deus... esse Google é foda... olha lá pela página 4 de resultados...

Levei um susto! Depois morri de rir...

Pena que foto não tem som...






quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sonzeira!!!!!

Ontem foi uma noite mágica. Eu fiz mesmo bem em largar tudo o que eu tinha pra fazer e me jogar lá na São Jorge. Não tenho muitas palavras pra explicar o que aconteceu, a força do som, da comunhão, dos músicos muito foda que dividiram o palco e fizeram a gente ferver. Maravilha das maravilhas.

Tatiana descreveu tudo lá no seu blog - Coisa Rara, tem link aí do lado, acesse e confira o texto da data de hoje. Foi lindo.

http://coisarara.blogspot.com/2008/08/como-que-foi.html

Eu fico pensando nessas noites inesperadas em que você se diverte, se acaba, canta, dança, ri, e em como o mundo pode ser bacana e em como a vida pode ser boa. Boazuda mesmo. Boa demais.

Acho que eu não me divertia assim há tempos. Bela noite... bela noite! Compensa todo o sono de hoje (de tarde, porque de manhã dando aula nem tive sono).

Beijos especiais aos queridos Diogo (mano), Marcelo (elfo), Ju (sempre), Dani (lindo), Guilherme (figura nova, maluca), além dos muito foda Tatiana, Paulinho e Ding!!

Foi do caralho. Não dá pra dizer outra coisa. Que bom que eu fui!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O beija-flor

Não conte a ninguém, mas acho que estou sendo seguida por um beija-flor.

Eu estava dando a minha primeira aula do dia, Redação, 7 e pouco da matina, pra uma turma concentrada e interessada. De repente, gritos. Um beija-flor adentrarara a sala de aula, desorientado, voava feito doido pelo teto. Alguém gritou: "Apaga a luz!!". Apagaram e nada. Eu gritei: "Abre a porta!!!!!". Abriram. E ele saiu voando. Meu coração voltou ao normal e eu continuei minha aula.

Capítulo 2: quase 5 da tarde, estou no meu fumódromo na editora, sossegada, pensando na vida e fazendo uma fumaça. Do nada, de um cano da parede, sai um beija-flor enlouquecido, dá uma volta pelo fumódromo e vaza, em direção ao céu da cidade.

Será que é o mesmo beija-flor? Não sei porque, mas acho que sim. Que raios esse bicho quer comigo, gente? Será que ele descobriu que eu sou doce?

O que estão tentando me dizer? Sejam mais claros, por favor. E não precisa me assustar tanto. Mandem sinais em uma língua que eu entenda...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Juliana O Palermo

Quando eu tinha 7 anos, meu avô escreveu um acróstico pra mim (com Juliana O Palermo) - o O é de Oliveira, o sobrenome dele, que eu não uso. Meu vô era foda. Me enxergava como poucas pessoas na vida me enxergaram.

Ontem eu encontrei o acróstico no meio de uma papelada enorme. E fiquei meio abismada, porque, veja bem, eu tinha só 7 anos... e ele já me via desse jeito. Eu já era desse jeito. Ele já me dava uma puta bronca desse jeito... Mas ele só podia falar assim porque ele era igualzinho a mim.

Taí:

Jovem, menina, levada
Uma menina assanhada
Leva uma vida atribulada
Irmã da Mariana, loirada
Agora já crescidinha
Na escola indisciplinada
Adora levar palmada

Olhando sempre cismada
Para seu futuro um dia
Anseia o palco e a passarela
Levanta a cabeça, menina
Estuda bem comportada
Reprima sua atitude
Modere seu comportamento,
Orgulho, altivez e o seu temperamento

(Cláudio, 13/01/88)

Cara, eu tinha 7 anos... esse negócio foi escrito há 20 anos... não é qualquer avô que escreve um
troço desses pra neta. Não é qualquer avô que diz essas coisas pra uma neta de 7 anos. Mas, também, não é qualquer neta que agüenta, que entende.

Meu vô era foda. Somos foda, eu e meu avô, onde quer que ele esteja. Ele me dizia que eu era a neta com a qual ele mais se preocupava, não em questões de estudo, que ele sabia que isso eu tirava de letra. Mas ele dizia que, dos 4 netos dele, ele sabia que eu era a que mais longe podia ir, mas que eu era a mais insatisfeita de todos, e que por isso ele temia por mim. Sábio homem... A síndrome da minha vida, a insatisfação. Ele também dizia que eu era estrela como ele.

Sou, vô. E eu sei que daí onde você está, a sua estrela reflete na minha. E assim caminhamos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Perguntas dos meus alunos hoje

Professora, você já beijou a três?

Professora, você já beijou alguma mulher?

Professora, você vai pra rave?

Professora, você já traiu algum namorado?

Professora, eu tenho alguma chance?

Professora, você tem mais alguma tatuagem?

Professora, você é casada? Você tem filhos?

Professora, você tem msn? Orkut? ICQ? (E existe ICQ ainda, menino?)

(Comentário de um aluno ao me ver no corredor com outra professora atrás de mim) Olha só, duas professoras lindas no mesmo corredor...

Fora o que terminou a redação assim: "Um beijo no coração".


Pode?
Ah, esses adolescentes...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Chuva

E chove. Chove e o cheiro da chuva sobe, cheiro de chão molhado, que estava quente e agora recebe a água. Chove e fica tudo escuro aqui. Vou até a porta, olho para o céu e o céu está branco, lindo, botando medo. Estava preto até agora, de repente se tornou branco. Chove e tem trovões, fortes, graves, lindos, emocionantes, ressoam no meu peito e eu penso "obrigada". A porta da sala abriu com o vento, entrou um sopro gelado de ar novo, e eu deixei, os papéis voaram e eu deixei, deixa entrar, renovar, modificar, clarear, vem, pode vir!

Adoro chuva.

Fatal (Adélia Prado)

Para Tatiana Rocha

FATAL (de Adélia Prado)

"Os moços tão bonitos me doem,
impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma atriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles não me vêem
como se dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros. Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão. E espero.
Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso."

Porque Adélia Prado é foda.
Porque me lembrei de Tatiana, em sua cozinha.
Porque somos mesmo é mulheres "viradas na porra".

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Bailando salsa

Eu preciso contar de sábado. Preciso. Eu não tava a fim de ir. Mas eu fui. Tava me sentindo a velha de novo, mas fui. Foi bom, porque no bar tinha muita gente velha, hahaha, eu meio que me senti em casa. Meus amigos queridos, só gente querida. Dançamos muita salsa, cantamos e demos muita risada. Bebi 3 guaranás e não precisava de mais do que isso, sou velha mesmo, "edaí?vaisefoder". Mão chorando de rir, Camis fazendo a gente chorar de rir, Di bailando misturando com forró, engraçadíssimo, Ju também dançando engraçadinha, falando mil vezes que o lugar era super hetero. Era mesmo. Hetero e véio. Foi tão bacana.

Camis me arrasta pra pista. Oye como va. Um véião (mentira, da idade do meu pai), bigodudo, me tira pra dançar (vou falar não?). Ele dança legal, engraçado, mas bem. Me roda pelo salão inteiro, eu me sinto velha-nova, me sinto feliz, me sinto rodopiante. "Después bailamos de novo". Mas eu vou embora. Já valeu. Brigada tio. Fez minha noite. Adoro dançar. Sinto falta de dançar. Fora meu pai (pé-de-valsa) e alguns amigos, nunca ninguém dançou comigo assim, essas danças boas. Odeio dança de balada!

"Sabe quando você tem uma balada pra ir e não queria ir e depois você vai e é super legal?" Pois é. Não suuuuper legal, mas legal. Tenho que parar com essas minhas manias de velha. Definitivamente. Ou não.

Eu sei.

O giz vai destruir minhas mãos. As aulas vão prejudicar minha voz. Os papéis vão me enlouquecer. A madrugada vai tirar meu bom humor. Não vou poder dormir tarde. Não posso me atrasar. Vou ter sempre uma porrada de coisas pra fazer em casa. Vou carregar quilos de papéis e pastas de uma sala pra outra, e depois pra casa. Alguns alunos vão me irritar.

E, ainda assim, eu tô feliz como uma tonta!!!

Como é bom a gente fazer o que gosta! Como é bom a gente gostar do que faz!

Como, quando a gente está feliz, o mundo se abre, as coisas caem no colo, o amanhã chega com o pé na porta e tudo o que a gente tem a dizer é: entra, demorou!!

(interlúdio)

Ele estala os pés, o tempo todo, sem colocar as mãos. Ele me olha quieto e com um semi-sorriso na boca. Seus braços apertam forte, mesmo dormindo. Eu olho pra ele e tenho vontade de dizer tanta coisa, eu tenho vontade de fazer tanta coisa, me sinto perdida e decido não olhar. Daí olho e fico meio tonta. Porque eu penso, eu pergunto pra mim mesma, eu não acho as respostas. Eu gosto. Simplesmente. Não me pergunte como nem por quê. Eu me sinto calma, depois tenho vontade de voar no pescoço, depois me sinto calma de novo, e assim vai, e assim vou. Não me reconheço às vezes, não sei; tento lembrar o ontem e não consigo, tem grandes tarjas pretas tapando alguns momentos. Tenho ver o amanhã, em vão. Nem o hoje eu sei direito. Eu preciso saber? Na presença dele sinto paz, sinto carinho, tenho dúvidas, tenho vontade, sorrio, rio, penso, sinto, com o corpo e com a mente. Acho que tá bom, né? Não quero pirar, não. Não me faça perguntas, não me peça nada, tudo o que posso dizer está dito, não esquente a minha cabeça com perguntas que não posso e não consigo responder. Eu sinto. É isso. É bom. Me deixa.

Primeiro dia - professora de novo

Meu deus, quanto papel!! Eu digo que gosto de papel, eu gosto mesmo. Hoje fui acumulando papéis. De tantos alunos novos (e olha que eu não conheci nem metade hoje!), de cada carinha nova. Quem são esses adolescentes, meu deus? Quem é cada um deles, qual a história de cada um, quais suas vontades, seus sonhos, suas frustrações, seus medos, suas vontades? Eu quero descobrir. Do que gostam, o que esperam. O que pensam, o que sentem.

Abri meu armário (já tenho um armário com meu nome) e lá tinha... mais papel! Pastas e pastas, envelopes e envelopes, trabalhos, provas, carômetros. Quero organizar tudo, colocar tudo em ordem, em dia. Vai dar um trabalho do cão. Mas eu gosto.

A maioria dos meus alunos é composta por meninos. Eu sempre me dei bem com os meninos, todo mundo sabe que prefiro eles às meninas, todas iguais. Agora tenho um bando de adolescentes meninos pra lidar. Pra conhecer. Pra trabalhar. Confesso que estou adorando.

Eles olham tudo. Observam e comentam tudo. Minha bota, minha tatuagem, perguntam se eu gosto de rock, de mpb, de Tom Jobim (quase morri!). Querem adivinhar minha idade, saber se sou casada, onde estudei. Acho que não sou a única curiosa do pedaço.

Fico olhando cada um e tentando entrar pelos seus olhos, saber quem são. Fazer com que gostem do que eu tenho pra ensinar. Relembrar como eu me sentia quando tinha 16, 17, 18 anos. Nem faz tanto tempo assim, vai...

É muita gente. É muita coisa. E eu adoro.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Certeza




Pelo menos uma certeza: isso eu não quero parar de fazer nunca.
Cantar.
(Créditos: Show "Juliana Palermo De Punhos Rasgados", direção de Eduardo de Santhiago; piano e arranjos - Carlos Eduardo Dal Molin; percussão - Juan Megna; fotos de Juliana Hilal)

Cha-cha-changes

Segunda-feira eu começo num emprego novo. O emprego que eu quis por muito tempo. Por muitos anos. Eu já tinha desistido. Eu já tinha achado que nem queria mais. Mas eu queria, viu? Tanto que aceitei no mesmo dia.

Minha vida vai mudar. Porque o trabalho muda a vida da gente. Eu estou mudando de lugar, e também estou mudando de profissão. Voltando à minha profissão antiga, aquela que muita gente diz que é meu destino. Mas agora é do jeito que eu sempre quis. A partir de segunda-feira eu sou professora de novo. Mas não teacher. Nem professora de criança. A partir de segunda-feira eu sou professora de Português, do Ensino Médio, de um colégio particular. A partir de segunda-feira eu terei alunos de novo, mas alunos adolescentes, mentes pensantes (eu acho), mentes que podem ser ensinadas a pensar. Eu vou lidar com algo que me sinto confiante, algo que eu amo, a minha, a sua, a nossa língua. Eu quero tentar fazer com que meus alunos gostem dela como eu gosto, eu quero poder mostrar que a língua é tão maravilhosa e tão legal, e não um conjunto de regras chatas a serem decoradas. Eu quero enfiar a poesia de Tom Jobim e Vinícius e Chico pelo cu deles, eu quero discutir a linguagem das novelas, eu quero que eles escrevam o que têm dentro de si, nas entranhas, eu quero que eles pensem, sintam, vivam.

Não sei se vou ser capaz. Mas eu quero. E isso já é uma grande coisa.

Eu sempre quis exatamente esse emprego. Dar aulas de Português. Para adolescentes. Em uma escola particular. Vou trabalhar menos do que trabalho agora e ganhar mais do que ganho. Acha que eu deveria pensar?

Pois eu pensei. Pensei porque também gosto do meu trabalho na editora. Pensei porque, apesar das coisas ruins daqui, tem muitas coisas boas, estou aprendendo muito e gosto do que aprendo. Pensei porque não quero deixar as pessoas na mão.

Eu vou ficar por pelo menos dois meses nos dois empregos. Dando aulas de manhã, de tarde na editora. Vai ser cansativo, porque dar aula não é bolinho, não. Pelo menos, não do jeito que eu quero dar. Com paixão, como tudo o que eu faço (quando gosto). Mas eu não quero deixar o povo aqui na mão. Não quero sair correndo, não tem motivo. Sabe Deus o que vai acontecer. Eu não sei.

Estou feliz, estou triste, estou calma, estou confusa.

Estou, com certeza, preparada. Porque eu posso. Não vou mentir: eu sou uma fraude em algumas coisas, mas nisso não. No que eu amo, não.

No fundo, no fundo, eu tenho um medinho de não ser nada daquilo que eu esperava. O lance da merda das expectativas. Mas eu só vou saber tentando. E, se não for... não era.

Wish me luck!!!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Trabalho

Li numa revista há um tempo atrás que, antigamente, ninguém tinha crise com o trabalho. Todo mundo encarava o trampo como alguma coisa que era necessária para a sobrevivência. Quer você apertasse botões ou pressionasse carimbos, o salário do fim do mês era o objetivo, a meta. Ninguém tinha que ser feliz no trabalho, se realizar no trabalho, não existia esse lence de "fazer o que se gosta de fazer".

Hoje o trabalho é parte do ser humano, é parte essencial da vida, e todo mundo se preocupa em fazer o que gosta, em ser feliz e realizado no trabalho. Seu trabalho diz muito sobre você, sobre quem você é, sobre quem você vai ser.

Isso é uma reflexão imensa e muito maior do que isso, e eu adoraria desenvolver essa idéia agora, mas não vou. Só quero lançar uma pergunta.

O que é mais importante: ganhar bem ou fazer o que se gosta?

Mais uma pergunta: existe algo de que sempre vamos gostar?

Outra pergunta: isso é importante?

Agora, uma afirmação: estou muito confusa.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Revisando




Eu e o Calloni. Revisei o livro dele. Ah, ficaram engraçadas as fotos, vai...


terça-feira, 29 de julho de 2008

Bode, cinza... e o azul que você me traz.

Geralmente, quando eu tô de bode, eu escrevo um monte. Hoje não. Acho que é porque hoje não tenho motivo pra estar de bode. Não tenho mesmo. Mas estou. E daí nem dá vontade de escrever.

Eu nem vinha aqui escrever hoje, só vim porque estava procurando um e-mail antigo no meu gmail, com uma coisa que eu precisava, daí dei uma busca e apareceu um moooonte de coisas. Mas até aí, tudo bem. A grande verdade: você sabe que o passado é passado quando você consegue sorrir com calma. Nem chorar de raiva nem rir de nervoso. Acho que estou mesmo ficando velha, ando assustada com a minha calma.

Enfim, nessa busca antiga eu achei um mail em que o Fer, ex-namorado da Ev, minha querida amiga que está nos States, dizia de mim: "A Ju é visceral".

Visceral.

Acho que foi uma das melhores descrições que já fizeram de mim. Tenho também duas outras que eu gosto muito. Uma é de um querido amigo que disse que eu era como uma mexerica: "vários gomos, e você nunca sabe se vai dar a sorte de pegar um gomo doce." Taí, esse me conhece. Outra é parecida, era uma poesia e terminava com algo do tipo "Arde, mas é doce", de outra pessoa que também me conheceu muito bem e de perto.

Maluca essa coisa do doce, mas ardido; do medo de pegar um gomo azedo; das vísceras expostas. Credo, eu devo mesmo assustar as pessoas...

Bode, bode, bode. É isso. Só isso.


ESSA VIDA É IMPRESSIONANTE... Eu tinha escrito esse texto e salvado pra ver se postava ou não. Acabei de receber um e-mail muito, muito fofo. Tô até vendo uma ponta azul no meu dia cinza agora. Tem gente que realmente tem o dom... A última frase desse e-mail vai aqui, pra eu colocar na minha cabeça e tentar sair desse bode de terça-feira:

"A felicidade é muuuito simples: 3 acordes, 1amor e 1 cerveja. Não complique. "

Agora já vejo azul e um pouco de vermelho.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Pequenos prazeres dominicais




Testando o flash novo da Ju, eu e Lukinho em ensaio fofo. Também fotos da jogatina federal de ontem (Jusão na frente dos Oooshos). Eu embaralhando meu baralho azul, com minhas unhas clarinhas, sinal de que estou mesmo "ataurinando", como disse a Tati.

Passeie, ah, passeie!!

Existe um livro muito foda que se chama "Como me tornei estúpido". Meus amigos mais próximos não agüentam mais me ouvir falar dele. Mas o que é que eu posso fazer se o livro é foda mesmo?? Li há uns anos atrás e achei uma metáfora fudida da vida da gente. Bem, não da vida de todos.

Não quero aqui falar sobre ele. Simplesmente postar uma coisinha. Em determinado momento, numa "viagem" do protagonista, ele ouve isso aqui.

“As pessoas ligeiras, superficiais, os espíritos presunçosos e entusiastas querem uma conclusão em todas as coisas;
Eles buscam a finalidade da vida, oh, e a dimensão do infinito, ah!
Eles tomam na mão, mmmh, na sua pobre mãozinha, um punhado de areia,
E dizem ao oceano:
“Eu vou contar os grãos das tuas margens”, uau!
Mas, como os grãos lhes correm por entre os dedos, ai, e como o cálculo é longo,
Eles batem com os pés no chão e choram, ai, eles choram.
Você sabe o que há para fazer na margem do rio?
Ajoelhar-se ou passear, ah!
Passeie. Passeie, Tony! Ah, passeie! Mmmh passeie! Tony!”

Fala a verdade: é ou não é o máximo??

Não quero contar os grãos de areia, não. Não quero ficar arranjando problemas pra mim, TOCs sem fim, preocupações. Não quero me dar tarefas que eu não possa cumprir e ficar de bode depois por não conseguir cumprir metas impossíveis que eu mesma determinei. Quero passear. Hummm, passear, passear...

De preferência, descalça.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Sobe?

Eu tô no meio do elevador. No meio mesmo, sabe? Tá, ok, na verdade eu tô dentro do elevador, e você tá fora, segurando a porta. Então eu não sei se fico ou se vou, se saio ou se entro, se dou ou se desço.

A escolha já tá feita. Tava feita desde o princípio. O foda é aceitar a escolha. Bonito isso. Bonito mesmo.

Então agora eu tô no meio do elevador. E você tá também. Você segura a porta e já são três da manhã, o elevador não sobe nem desce, eu não saio nem entro, você não diz nada, me olha com uma cara de dúvida tremenda. E eu tremo. Eu piso entre a caixinha do elevador e o piso do seu andar, e você está junto comigo. Veja que imagem poética mais bonita. Mais sintomática. Mais auto-explicativa. Precisa dizer alguma coisa?

Precisa. Você pergunta se isso me incomoda. E eu respondo que sim, um pouco, porque eu estou acostumada a responder assim, porque desenho essa casinha há anos e porque aprendi que o certo é a gente entrar ou sair do elevador, e não ficar parado no meio dele às três da manhã. Mas então percebo que era tudo o que eu queria, um maluco como eu. Que fica e me faz ficar no meio do elevador, e como eu gosto disso... gosto mais do que entrar ou sair. Porque é diferente. Porque você é diferente. Tanto que eu até me sinto normal.

Eu entro. Eu desço. Você fica.

Três minutos.

Claro que eu volto.

Estranha

Estranha. Eu.

Quantas pessoas uma pessoa pode ser? Quantas pessoas diferentes cabem dentro de mim? Quanto eu ainda vou me surpreender comigo mesma, pro bem e pro mal?

Por que é que de repente eu não me reconheço? Me vejo de fora e estou olhando para uma estranha. Observo minhas atitudes e penso "Que que é isso, menina, cadê você?". Por que é que de repente eu fico insegura, envergonhada, preocupada?

Eu faço as coisas sem pensar, até aí, normal, essa sou eu. Arroubos, explosões, decisões de último segundo. And it feels so good. So fucking good. Mas de repente, do nada, de uma maldita hora para a outra, eu sumo. A Juliana Palermo some. E eu começo a pensar. Quê?? Pois é, eu começo a pensar, nas horas mais impróprias para pensamento. E daí eu viro uma menininha idiota morrendo de vergonha.

Eu juro que eu não sou assim. Eu queria saber o que está acontecendo comigo. Onde é que eu estou. Só isso.

Por que raios é que eu tenho pensado assim. Por que raios eu de repente baixo os olhos e não consigo encarar. Por que eu me importo tanto? Por que é que tinha que ser tão bom (merda!), e por que é que de repente eu, EU MESMA, a cantora, a atriz, a maluca, a que grita e berra e fala palavrão e não tem medo do ridículo, a que se expõe, expões medos e vontades e verdades, a que chora e se descabela e gargalha, a que diz "que se foda", euzinha, eu mesma, de repente viro uma banana? Uma menininha de cor-de-rosa, uma indecisa, sem jeito, mole...

Caralho, caralho, eu juro que essa não sou eu. Por onde é então que eu tenho andado? Eu só queria me reconhecer no espelho de novo.



Valham-me Carlos Drummond de Andrade e Elisa Lucinda!! Valham-me porque tá foda. Ouvi até passarinho hoje de manhã, e nem senti medo.

Drummond falando pra ele mesmo, propício como o Cão.

Não se mate
(Carlos Drummond de Andrade)

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.


Elisa Lucinda, voz de mulher falando por mim.

Reconstituição
(Elisa Lucinda)

Tive de repente
saudade da bebida que eu estava bebendo...
tive saudade e tentei me lembrar que gosto faltava,
qual era a bebida...
Fui procurando entre copos e móveis
e dei com sua boca.

A saudade era dela
A bebida era o beijo.


E, no meio, eu. Entre Drummond e Lucinda. Estranha.

Estranha.