segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mercúrio (mais assusta do que arde)*

Fez um ano segunda passada, há uma semana. Eu não me lembro exatamente, que coisa incrível. Um dos dias mais foda da minha vida, e eu não me lembro exatamente. Tive que recorrer a calendários e Google, procurando eventos que ocorreram perto da data. Pra quê? Sei lá, mas eu queria me lembrar do dia exato. Descobri. Foi 18 de agosto de 2007. Já fez um ano. Lá se foi um ano. E eu nem senti.

Mentira. Eu senti como uma condenada, eu sofri como uma cadela de rua, eu comi o pão que o Diabo amassou com a bunda e ainda cagou em cima. Mas estou aqui. Viva. Inteira. Curada (?). Sem feridas. Com cicatrizes, mas sem feridas.

Às vezes, penso muito nisso. No que tudo representou pra mim. No que significou pra mim. No que eu senti de fato. No que sobrou. Às vezes, não quero pensar em nada, porque tudo é tão confuso, mas ao mesmo tempo tudo é tão simples. Eu não gostaria de voltar ao passado. Eu não queria mudar o passado. Eu aceito tudo como foi, como tinha que ser. Eu erraria tudo de novo, porque foi importante. E eu não queria que tivesse sido diferente. Não dava pra ser diferente. Tinha que ser exatamente como foi. Porque a gente aprende, e eu aprendi tanto. Porque não era pra ser. Pelo menos não pra sempre. Pelo menos não por tanto tempo. Era pra ser no tempo que foi. E do jeito que foi, pra machucar bastante, pra ensinar a ferro e fogo, que é só assim que eu aprendo.

Eu acho que eu aprendi. Já fez um ano, e eu nem senti.


*Mercúrio assustava muito quando a mãe da gente passava no joelho. Assustava, porque ficava tudo vermelho. Mas não ardia de verdade. E também não existe mais. Gostei mesmo desse título esclarecedor.

Um comentário:

Juliana Hilal disse...

Um dia você vai me falar sobre esse dia. Tranquila.
Sem aquela coisa que aconteceu ontem e te impediu. É mercúrio meu bem. Nem existe mais.
Se esse dia não chegar e você nunca falar, tudo bem. Eu sei e entendo.
Beijos