quarta-feira, 10 de março de 2010

Muertita da Silva

Daí que eu trabalho de manhã, trabalho de tarde, trabalho de noite, trabalho de fim de semana. Antes de dormir, morta, penso no trabalho. Daí que o corpo não aguenta e pede socorro. Daí que eu pego uma gripe do caralho, não consigo respirar pelo nariz e fico fanha. E daí eu preciso cantar na sexta. E daí?

Daí que hoje é quarta e meu corpo tá cansado, mole, pesado. Mas hoje é dia de flamenco. 19 horas, castanholas. 19h30, aula de baile II. 20h45, aula de baile III. E o ser humano morto que eu sou sairá do Café Tablao mais morto hoje. Mas, com certeza, mais feliz.

Depois de ficar 5 anos afastada, eu voltei em agosto do ano passado. E, de boa, eu pretendo não parar nunca mais. Deu a louca esse ano e tô fazendo 5 turmas (!). E eu amo, como eu amo, quando sinto a pulsação flamenca no meu corpo, mesmo que o pé doa e meus calos aumentem, mesmo que eu olhe meus braços no espelho e saiba que ainda preciso de muito mais técnica, mesmo que às 20h30 eu já esteja quase pedindo água nas aulas de técnica, mesmo que minhas pernas tremam, eu saio de lá mais inteira (paradoxalmente), mais viva, mais eu, mais Juliana Palermo. O duende dentro de mim pula felizinho, com seu chapéu verde. E canta e baila na minha volta pra casa.

Volver... con la frente marchita las nieves del tiempo platearon mi sien sentir... que es un soplo la vida que veinte años no es nada que febril la mirada errante en la sombra te busca y te nombra vivir... con el alma aferrada a un dulce recuerdo que lloro otra vez Tengo miedo del encuentro con el pasado que vuelve a enfrentarse con mi vida... Tengo miedo de la noche que pobladas de recuerdos encadenan mi soñar... Pero el viajero que huye tarde o temprano detiene su andar... Y aunque el olvido, que todo destruye, haya matado mi vieja ilusión, guardo escondida una esperanza humilde que es toda la fortuna de mi corazón.

http://www.youtube.com/watch?v=D0zUpOkvMPI&feature=fvsr



(Fotos de Juliana Hilal)

terça-feira, 2 de março de 2010

Muito trabalho

Sabe o que é muito trabalho? É muito mesmo. Na escola, na agência e com os freelas, que graças a Deus estão indo muito bem. Muito bem significa muito volume e dinheiro legal, mas muito volume significa muito trabalho, e freela significa trabalhar de noite, chegando em casa, depois dos 2 empregos. Ou seja, tá foda.

Assim que der, eu volto.

Me lembrem de falar do flamenco, se eu esquecer. Bom, pra eu nnao esquecer, vou colocar uma foto. Assim, quando entrar de novo, vejo a foto e me lembro. Se eu demorar, cobrem.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Eu devo merecer

Saca só o e-mail de vírus que chegou no meu e-mail da agência (que, by the way, ninguém tem, porque eu separo o profissional do pessoal):



Nossa foi demais ter passado o dia com você no motel, que dia podemos ir denovo ?

Deleta essas fotos depois que ver elas, ou entao grave em cd.. mas nao deixe no seu e-mail, pode ser perigoso.

Me liga mais tarde pq preciso falar com você ! Beijos.


Dá uma olhada nos nomes dos arquivos que vieram junto:

na cama.jpg ( 386,7 KB ) na banheira.jpg ( 227,8 KB ) de quatro.jpg ( 98,8 KB )


Algumas considerações:

1) Alguém realmente acredita que eu ia dar pra uma pessoa que escreve desse jeito?? Analfabetos não são o meu tipo.

2) Alguém realmente acredita que a pessoa cria um nome de arquivo "de quatro.jpg"??

3) Alguém cai nessa merda e abre esses arquivos? Pensa "Nossa, é a pessoa que estava comigo no motel, são as fotos que tirei de quatro, deixa eu ver". Jura que tem nego que cai nessa? Realmente, 2012 tá cada vez mais perto...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pé na bunda virtual

23/02/2010 - 11h34
O status dela no Facebook virou "solteira"? Você levou um fora

LONDRES (Reuters Life!) - Levar um fora digital é um fenômeno que está crescendo, segundo pesquisa, com números crescentes de pessoas preferindo o uso de email e redes sociais na Internet para terminar relacionamentos com seus parceiros.

Mais de um terço das 2 mil pessoas que participaram da pesquisa (34 por cento) disse que havia terminado o relacionamento por email, 13 por cento havia mudado seu status no Facebook sem avisar os parceiros e seis por cento havia divulgado a notícia unilateralmente no Twitter.

Em contraste, apenas dois por cento terminou o relacionamento por mensagens de texto de celular.

O resto havia se separado da forma antiquada através de conversa cara-a-cara (38 por cento) e por telefone (oito por cento).

"Terminar o relacionamento digitalmente se tornará mais comum", disse Sean Wood, diretor de marketing do serviço de relacionamentos DateTheUk para o qual a pesquisa foi realizada.

"Geralmente é mais fácil, mais rápido e evita qualquer desentendimento."

http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/reuters/2010/02/23/o-status-dela-no-facebook-virou-solteira-voce-levou-um-fora.jhtm


Claro... mais fácil, mais rápido!! Como assim evita desentendimento???

Tenho um amigo que terminou um namoro pelo msn e me contou. Anos atrás. Veja que é um cara de vanguarda. Eu quase bati nele. Inacreditável...

Faz o seguinte: nem começa! Nem começa relacionamento, filho. Filha. Se for pra terminar desse jeito, nem começa, baby...

Até porque você corre o risco de levar uma bem levada como fez a Sophie Calle... Como já comentei aqui.

Algumas considerações: primeiro, tem certeza de que tá a fim de começar alguma coisa? Pense bem, porque tá calor pra caramba, e calor humano é tudo aquilo de que você menos precisa agora...

Enfim, se começou e for terminar (porque não me ouviu), e se for terminar por e-mail, pelo menos tenha o cuidado de escrever em português, e não em nagô ou internetês. Nada como o domínio da língua pra evitar mal entendidos... Precisando de uma revisora, já sabe.

Quem sabe eu não faço uma grana com isso?

"Precisando terminar seu relacionamento e não sabe como? Tem medo de que suas palavras não traduzam exatamente seus sentimentos? Necessitando de desculpas esfarrapadas? Contate agora mesmo Menininha Bossa Nova, redatora e revisora de e-mails de término de relacionamento. E tenha uma solteirice feliz."

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Yeah yeah - o horário de verão já era!

Finalmente - minha horinha que estavam me devendo... de volta...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Notinhas Carnavalescas

Algumas considerações a respeito do Carnaval:

• Sexta-feira. Trabalho em dose dupla. City depois. Irritadíssima com o Carnaval que se aproxima (vide post abaixo). Mas com as cervejas, as coisas vão melhorando. Chego e casa uma e pouco da manhã e o axé tá comendo solto lá embaixo. Fecho a janela. Fecho o vidro da janela. Encosto um colchão na janela, pra tentar abafar o som. Fecho a porta dos quartos, pra evitar que mais som entre e passe pelo corredor. Fecho o vitrô do banheiro. Fecho o box do banheiro. Fecho a porta do banheiro. Meus pais colocam o colchão deles na sala. Fracos. Entro no quarto, ligo o ventilador, ligo o note. Fone de ouvido, dorflex. Durmo em menos de uma hora. Acordo morrendo de calor no sábado, mas mais aliviada.

• Sábado. Cerveja com Isabela, 3 da tarde. Tranquinha. Duas velhas tomando breja e jogando tranca. Perco várias mas ganho a partida no final. Flavinho chega. Assistimos a “Obrigado por fumar”, de novo. Ligações pra galera. Todos vão estar no bloco de rua em Barão. E a gente também, fazer o quê? Foi legal. Um monte de gente querida, conversa boa e cervejinha gelada. Até 4 da manhã dando risada. Chego em casa e o trio elétrico do meu quintal já parou. Glória-glória-aleluia.

• Se você não pode com seu inimigo, junte-se a ele. Nem que seja pra descobrir os motivos por que ele se tornou seu inimigo. Domingo de Carnaval. Depois de tomar uma com a querida Má Franco no City, lá fui eu pra Barão, tentar repetir a dose de sábado (que tava tão legal). Má não quis ir e eu fui sozinha. Mas nem tinha nada. Um lixo, uma molecada, funk rolando nos carros, nem sinal de bloco. Desisti e voltei, mas ainda era 1 da manhã, e o trio do meu quintal (vide post abaixo) só parava às 4. Fazer o quê? Revesti-me de coragem e fui... para o túnel. Só pra descobrir mesmo que é uma merda. Encontrei um amigo de outros tempos, querido, e ficamos ali com a galerinha dele. Encontrei também um aluno. Encontrei também confusão. Tomei uma nas costas, no meio de uma briga, um cara saiu correndo e bateu com o braço em cheio no meio das minhas costas. Voei (e olha que eu nem sou levinha assim). Olho ao redor e vejo todos tapando o nariz e a boca. Alguém grita “spray de pimenta!”. Me mandam cobrir o nariz e a boca. O cheiro não passa. Olho do lado e vejo um cara imenso empurrando um policial. O policial revida mandando uma chuva de spray de pimenta. Uma menina de 15 anos me pega pela mão, me puxa e grita “CORRE!!”. Eu corro. O mundo corre. Dispersão, diáspora. 5 minutos depois, ainda estou tremendo. Ela me olha como se nada tivesse acontecido e fala “pronto, vamos voltar”. Trilha sonora perfeita do inferno: 3 trios elétricos ao mesmo tempo tocando axé. Falta muito pro mundo acabar? Nessas horas, eu acho que não.

• Segunda de Carnaval. Obrigada, Thunder Voice: Epitáfios é realmente incrível e salvou meu Carnaval. Impossível sair com o sol no céu. Enquanto isso, a gente fica em casa e assiste a essa série argentina fodástica. Recomendo. Vi os 13 episódios da primeira temporada em 6 dias. Bora atrás da segunda.

• Eu definitivamente não consigo mijar na rua. Desculpem, mas não dá. Acho uma falta de dignidade tremenda, falta de higiene total, nojento e repugnante. Podem mijar, vocês mulheres que conseguem, mas pra mim não dá. Eu prefiro pagar 3 reais (preço de uma cerva!!) pra ter a dignidade de mijar numa privada limpinha, com papel, descarga, lavar as mãos e dar aquela olhadinha básica no espelho. Mijar na rua, mulherada, não dá! No sábado, lá em Barão, duas amigas queridas foram mijar na rua e eu fui junto, de curiosidade mórbida. De boa, pra mim não dá. Era tipo um estabelecimento comercial, a varandinha de um comércio. Fechado, claro. Mas mesmo assim. Abaixar a calça, mijar de cócoras, não se limpar, colocar a calcinha e sair pingando, de boa, eu não consigo. Comentei com a minha amiga que parecia “Ensaio sobre a cegueira”, todo mundo cagando e mijando pela rua. Com a diferença e o agravante de que aqui todo mundo vê. Definitivamente, mijar na rua não é pra mim. E tenho dito.


• Dedico a minha noite de terça-feira a algumas pessoinhas. Tatiana Rocha, vulga Branca de Neve, que me levou pra esbórnia. João Fernando e Luan, que me fizeram rir muito e muito e muito mesmo. O moço que dançou Bandeira Branca comigo no meio da rua e que me fez lembrar como é que o Carnaval é mesmo. Hihi.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CARNAVAL DO CARALHO!!!!!!!!!

Carnaval de cu é rola. Primeiro que eu odeio Carnaval: só é bom mesmo por ser feriadão, porque de resto, só traz coisas ruins. Um monte de bêbado pela rua. Um monte de acidente. Música lixo, que nem merece ser chamada de música. Piriguetes soltas, malandros, bandidos e trombadinhas fazendo a festa. Gente amontoada, suando, pingando, NOJENTO!! Gente vomitando de tanto beber, gente pisando no pé, trânsito nas estradas, fila pra tudo, o preço de tudo sobe, a paz não existe. Quer dizer, existir até existe, se você tiver possibilidade de sumir.

Mas eu não tenho. Não esse ano. Porque tô altamente sem grana pra sair pra qualquer lugar e me internar at†e esquecer que é Carnaval. Eu bem que tentei convencer os amigos a arrumar uma chácara aqui por perto, pra não ter que enfrentar o inferno das estradas. Uma chacrinha pertinho, pra gente se isolar com jogos, piscina e churrasco, música de qualidade, filmes bons. Pra lembrar que o Carnaval existe só lá pela Quarta de Cinzas, mas aí já ia ter passado mesmo e tudo bem. Mas nem rolou. Também, ninguém ficou muito interessado em agitar o negócio. Talvez porque ninguém mais more no inferno. Só eu.

Sim, eu moro no inferno.

Moro na rua de trás de onde a pôrra da Prefeitura da merda da cidade de Campinas resolveu, há 2 anos, fazer o caralho do Carnaval. O Carnaval é no meu quintal. A janela do meu quarto dá exatamente para a putaquepariu da avenida do samba. Que, o ano todo, é a avenida do túnel. Mas, nessa época infernal, torna-se a avenida do samba. Se assim fosse, tava bom. Mas é a avenida do inferno. 7 e meia da noite começam os “blocos”. Você sabe como são os blocos de Campinas? Consegue imaginar? Tenta. Aposto que, por pior que você imagine, não vai conseguir ter um vislumbre da realidade. Hoje, sexta-feira, temos o "Bloco da Municipalidade", o “Bloco da Inclusão”, o “Bloco da Juventude” e o “Bloco do Idoso”. Alguém merece? Eu, definitivamente, não mereço.

Mas não para por aí. Ah, não! Porque depois disso, das 9 à meia-noite, tem desfile de 3 escolas de samba. Isso, escola de samba de Campinas. Imaginou? Ainda nem é o pior: se fosse só o desfile das escolas de samba, eu ainda aguentava Porque samba é samba, e samba de enredo é samba de enredo, e se acabasse mesmo lá pela meia-noite eu nem ia reclamar tanto. Mas o demônio definitivamente mora no corpo do filhodaputa do Dr. Hélio. Aliás, esse pulha deve morar bem longe do carnaval. Certeza. Acha que ele ia querer na casa dele, da meia-noite às QUATRO DA MANHÃ (!!!!!!!!!!!!!!), o desfile dos trios (!!!!!!!!)? Saca só os nomes: “Trio Elétrico Ninja com a Banda Filomena Bagaceira e o Bloco Band Folia”, “Trio Elétrico Nave-TVB-SBT, Banda Axé Maria e Josefina Furacão” e “Trio Elétrico Cyclone com o Bloco as Águas Vão Rolar, Monika Araújo e Banda Kizumbau”. Você acha que tem alguém que merece??? Você acha que eu mereço???

Puta merda, eu sou uma menina boa. Eu juro. Eu sempre fiz as minhas lições de casa direitinho, eu sempre tive boas notas, eu sou responsável, não sou drogada nem bêbada, tenho dois empregos e mais freelas, sou comportada, não sou biscate, sou boa filha, sempre faço tudo direitinho e (quase sempre) dentro da lei. Eu mais falo besteira do que faço, na verdade eu não faço mal nem pra uma mosca, pobre de mim. Então por quê? Por que comigo??? Por que na janela do meu quarto?? Caralho, isso me revolta deveras. Dá vontade de chamar uns mano pra jogar uma bomba nessa merda. Mas eu sou tão boazinha que nem conheço mano nenhum com esses poderes. Alem do que, vamos combinar, os manos devem adorar o carnaval. Vão estar todos lá, no meu quintal, dançando ao som de funk e das músicas da Vaca Leitte.

Eu só queria um feriadinho de paz. Meus livrinhos na minha rede, balançando pra lá e pra cá. Minhas séries que eu comprei, na minha TV, em paz, sossego e com o ventilador ligado. Queria um silêncio que é direito meu enquanto cidadã. Queria que não fechassem as ruas que dão acesso à minha casa e não me obrigassem a dar uma volta federal pra chegar na minha humilde residência e ainda encontrar o caos armado. Queria escurinho e silêncio. Queria que a merda da lei do silêncio funcionasse agora, porque eu tenho o direito de descansar. Queria que o Dr. Hélio, o Secretario da Cultura (quáquáquá, Culura em Campinas?? Banda Filomena Bagaceira...) e todas essas antas que montaram essa merda dessa festa na minha janela transferissem essa pôrra toda pro bairro deles, pra rua deles, pro cu deles. Qualquer lugar longe de mim.

Gente mais sem coração! A Vila é um lugar de idosos, gente! Só tem velhinho no meu bairro!! Caralho, vão infartar uns 50 nesses 5 dias de “festa” ª(leia-se merda). Tem gente que trabalha! Meu pai trabalha na segunda, como vai dormir no domingo com o caralho do Trio Elétrico Cyclone com o Bloco as Águas Vão Rolar, Monika Araújo e Banda Kizumbau tocando até 4 da manhã?? Cadê a responsabilidade social, cadê o direito à paz dos cidadãos, cadê o respeito, pôrra???

Liguei na prefeitura e, óbvio, não adianta nada. Nem pra pagar hotel pra mim. Não que eu quisesse de fato, porque imagina a merda de hotel que a Prefeitura de Campinas ia pagar... e porque não acho justo eu ter que sair da minha casa pro povão se divertir. Mas até tentei, seria menos injusto do que eu não dormir. Claro que não adiantou bosta nenhuma. Abri protocolo e é isso. Falei na Ouvidoria e nada. Pra fechar bar que toca até depois das 10 da noite, neguinho é bom. Pra fazer barulho até quatro da manhã em bairro residencial de idosos, por 5 noites seguidas, também. Filhos da puta.

E agora, o que eu faço?? Alguém me adota? Mas tem que ser urgente, hoje! De preferência, alguém que tenha casa com piscina, churrasqueira e que goste de jogos. E que more longe do inferno. E que veja filmes e séries com a veia aqui.

Tô pensando em ir dormir num motel. Sei lá, levar o note com meus DVDs de filmes e séries, encher a banheira, pedir pizza, depois tomar um banhinho quentinho, ligar o ar condicionado e ficar de boa. Alguém aí quer dividir a paz e a diária? Na amizade?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ai.

E o meu corpo inteiro dói. Dói, dói, dói. Moída. Parece que eu corri uma maratona e depois veio uma jamanta e passou por cima de mim. Mas quem me conhece sabe que eu não sou mulher de correr maratonas, e não estou bem certa se sei o real tamanho de uma jamanta. São somente coisas de mulher. E nessas horas eu juro que nunca mais vou parar de tomar pílula.

Comecei a cartela ontem, e resolvi postar isso aqui de lembrete pra mim mesma. Não pare nunca mais, Julianinha.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dando satisfação

E a vida anda corrida, mas tudo de bom. Meus alunos novos são ótimos e fofos, meus alunos antigos são o capeta mas eu os amo mesmo assim. Tô estudando pra cacete literatura e lendo "Memórias de um sargento de milícias", olha que gostoso. Tô encantada de novo com os movimentos de vanguarda (eu sempre fico). Tô correndo na frente do relógio pra ver se chego primeiro. Tô besta com o tanto que o meu sobrinho tá lindo e delícia, falando "abá, abá, abá" e "baca-baca". Tô aqui esperando o dia 5 urgentemente pro pagamento cair. Tô assim, assado, entre marcar uma breja no meio da semana ou ir pra casa ver TV e dormir. Tenho preferido a segunda opção, afinal, a grana tá curta e o mês tá longo. Mas tá tudo bem, viu? Tudo nos conformes. Depois volto com mais tempo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sonhei

Daí que de vez em quando eu tenho uns sonhos que são um perigo. Valha-me, Deus! Meus amigos sabem. Fazia tempo que eu não sonhava assim. Daí que quando eu tenho esses sonhos, sai de baixo, porque eu não sossego. Um perigo, menina, um perigo...

Como é que a gente faz pra pensar em outra coisa?

Hit me you can't hurt me suck my kiss
Kiss me please pervert me stick with this
Is he talking dirty
Give to me sweet sacred bliss
Your mouth was made to suck my kiss

(Suck my kiss - Chilli Peppers)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Magritte e Chico


“Quero ficar no teu corpo feito tatuagem...”

NÃO!!!!!!!!!!


“Deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa!”

“Se nós, nas travessuras das noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu devo seguir! Se entornaste a nossa sorte pelo chão, se, na bagunça do teu coração,
meu sangue errou de veia e se perdeu... Como, se na desordem do armário embutido teu paletó enlaça o meu vestido e o meu sapato ainda pisa no teu? Como, se nos amamos feito dois pagãos?
Meus seios inda estão nas tuas mãos... Me explica com que cara eu vou sair!”

“Oh, pedaço de mim!
Oh, metade amputada de mim...
Leva o que há de ti que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi...”

EPÍLOGO:
“Oh, pedaço de mim, oh metade adorada de mim... lava os olhos meus que a saudade é o pior castigo e eu não quero levar comigo a mortalha do amor... Adeus.”


Entendeu?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"O Último Tango em Paris", de Bernardo Bertolucci

Como eu disse, estou corrigindo as falhas no meu caráter com relação aos clássicos do cinema. Ontem foi a vez de “O Último Tango em Paris”, de Bernardo Bertolucci.

Tudo o que eu sabia sobre o filme era que tinha uma cena famosa da “manteiguinha”, que o Marlon Brando estuprava a nega usando um tablete de manteiga. Na verdade não é bem assim como me disseram... Ele usa a manteiga como um lubrificante pra comer a menina por trás. Quando eu ouvi a frase “ele come a menina usando um tablete de manteiga”, eu imaginava que ele enfiava o tablete. Hahahahaha, imagina que cena. Talvez fosse interessante... Ou não. Enfim, não é sobre isso que eu quero falar.

Quero dizer que, como todo filme de arte ou cult ou como quer que você queira chamar, causa um estranhamento. Porque a história é contada de um jeito diferente, porque a história nem sempre é o mais importante, mas a maneira de contá-la. Você percebe a arte do cara em cada cena: cada quadro é literalmente um quadro, uma obra de arte, poderia ser uma foto, de tão lindo, de tão interessante. Enquadramentos geniais, luz, jogo de espelhos, é tudo muito bonito. Você tem a impressão de que pode pausar o filme em qualquer parte e vai ter um quadro lindo.

Não acho o Marlon Brando linderésimo como a galera diz. Tudo bem que nesse filme ele já não é tão novinho, mas não sei: ele me lembra meu avô. Uma coisa estranha. Assim como em “Os Sonhadores”, filme do Bertolucci que eu vi no cinema em 2003, a mocinha é uma francesa branquela, peituda, peluda e de rosto lindo. Interessante o lance de um não saber quem o outro é, e a importância disso pro personagem de Brando. Não existe a necessidade de nomes. Isso eu também sabia antes de assistir, porque tinha lido na caixinha. Tinha lido também que se tratava de um dos filmes mais eróticos de todos os tempos. Bom, pra ser sincera, até quase o final do filme, ele não me pegou. Claro que eu gostei, claro que eu reconheço o valor do filme, claro, claro, claro, mas tem obras que me pegam de jeito, por dentro, por baixo, me derrubam no chão, de cara, de queixo. E, como eu disse, até quase o final eu ainda não havia sido pega.

Confesso que fiquei esperando o filme todo pelo tango. Tudo o que eu ouvia era aquele saxofone mucho doido, dando aquele climão. Mas afinal, no final, o tango veio. E aí veio a minha queda, aquela pela qual eu estava esperando. O filme me pegou em cheio, me desnorteou e me jogou no chão. A sequência dele correndo atrás dela pelas ruas de Paris realmente foi pra mim um soco no estômago. Na boca do estômago. Uma demonstração física do tal “correr atrás”. Uma cena que descreve externamente a sensação que experimentamos na vida: ele corre, ela foge; ele corre gritando, rindo, enlouquecido, “eu te amo”; ela foge desesperada, não quer de jeito nenhum; ele a persegue, corre, atravessa ruas, entram em prédios; ela pede socorro, alucinada, bate nas portas e grita por ajuda, ele continua, ele insiste, ele investe, ele corre literalmente atrás dela. Achei tão bonito que, quando vi, estava chorando. Sei lá, são as identificações das pessoas. Tem quem nem corre tanto assim, grita só um “volta!”, e desiste se a pessoa nem se vira pra olhar. Mas tem gente doida no mundo. Que faz internamente o que o Marlon Brando faz nessa cena. Eu já fui muito doida. Já fiz esse papel do Brando diversas vezes, com a mesma intensidade. Aprendi a não fazer mais. Mas vê-lo ali na tela foi como me ver retratada, ver meu passado interno refletido externamente na tela do cinema.

Pode ser viagem, mas foi aí que o filme me pegou. Ufa. Eu já tava com medo de não ter o que dizer dele. Agora eu tenho.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

“Psicose”, de Alfred Hitchcock (e as reações da minha mãe)

Pois é. Rolou minha sessãozinha Hitchcock. Na real, nem foi uma sessão do jeito que eu esperava, com vários filmes em seguida. Mas valeu. Chamei minha mãe pra ver “Psicose” comigo, ontem, domingão de chuva. E ela adorou. Ficou até com medinho.

Nem tem o que eu falar sobre esse filme. Nem tem. Bom demais da conta. Eu vi o remake no cinema, quando foi lançado, em 1998 (do Gus Van Sant). Colorido. Depois fui ver o original. Me diga se tem comparação. Não. Não tem.

Tem alguma coisa que eu possa dizer que ainda não tenha sido dita sobre Norman Bates? Não, não tem. Tem alguma coisa que eu possa dizer que ainda não tenha sido dita sobre a trilha de Bernard Herrmann? Não, não tem. Mas eu digo mesmo assim: que cara mais iluminado! E não tô falando só da famosa cena do chuveiro, não. Refiro-me ao filme todo, às nuances, à perfeição.

Agora, preciso fazer comentários sobre o que é assistir a “Psicose” com a minha mãe. Uma experiência hilária. Primeiro que a gente tem que parar o filme umas 4 vezes pra ela mijar. “Mãe, e se você estivesse no cinema? Você ia perder o filme?”. “No cinema eu segurava”. Hahahahaha. Ok. Paro a pôrra do filme.

No meio do diálogo de Norman e Marion naquela salinha medonha cheia de aves empalhadas (Hitchcock me entende, ele sabia o quão assustadores os pássaros podem ser - vide “Os pássaros”), ela vira e grita pro meu pai alguma coisa sobre a calça dele (do meu pai). “Mãe, se concentra no filme, caralho! Depois vai ficar me perguntando coisa! Foco, mãe, foco!”

Aparece o Arbogast, o detetive. O cara aparece, tem um close gigantesco na cara dele e um silêncio de morte. Dois segundos depois, minha mãe: “Quem é esse cara?”. O tipo de coisa que todo mundo se pergunta, mas sem dizer. Ela diz. “Mãe, assiste.” Mais dois segundos e ele diz “Sou o detetive Arbogast.”. Era só esperar. Mas minha mãe não espera.

Depois de despachar Arbogast de volta pra cidade, Norman Bates dá um sorrisinho culpado. Você, vendo o filme pela primeira vez, pensa “Opa, aí tem algo estranho...”. Minha mãe: “Por que ele riu?”. E o pior, se você não responde, ela não para de perguntar. “Mãe, já vi o filme, não posso ficar te respondendo coisas.”

Quando Norman se livra do carro de Arbogast, limpando a sujeira que “a mãe fez”, minha mãe solta a pérola: “Não tenho mais dó desse moço.”. F-e-n-o-m-e-n-a-l! Assistir a “Psicose” com minha mãe é saber o que se passa na mente do espectador o tempo todo. Aquilo tudo que Hitchcock queria causar e que realmente causa, mas que as pessoas não ficam falando. Ela fala.

Ela pediu pro meu pai vir sentar do lado dela, porque estava com medo. Hehehe. Tonta. Parece eu. No final, disse que gostou, e eu vi que ela gostou mesmo. Eu também gostei. Já amava o filme, e amei assistir com ela.



*** Três da manhã, saio do meu quarto pra fazer xixi. Tudo escuro. Ouço no corredor a voz da minha mãe, que vem do quarto: “Cuidado! Vê se a veia não tá aí no banheiro...”.

Vou comprar pra ela essa cortininha:

“O Símbolo Perdido”, de Dan Brown

Pois é. Dan Brown. Foda-se. Tô de férias mesmo e fico dizendo a mim mesma que não tem problema ler uma coisinha divertida, mesmo que seja ruim. Sabe aquela história de que é como sexo, até quando é ruim é bom? Mais ou menos. Tem vezes que é ruim mesmo. O livro novo do Dan Brown é melhor do que sexo ruim, mas podia ser bem melhor. Anyway, o problema é a expectativa. Eu não tinha muitas, então consegui me divertir.

A meeeesma fórmula de sempre. O meeeesmo personagem de sempre. Capítulos curtos, que terminam em momentos estratégicos, a gostosa de sempre, os segredos de sempre, as sociedades secretas de sempre, os mistérios e enigmas de sempre. Pra quem já sabe que vai ser assim, sem novidades. A questão é saber o conteúdo, porque a forma é sempre a mesma. E, convenhamos: quem já leu Dan Brown e lê de novo, já sabe o que vai encontrar. Nem vai esperar nada diferente. Se você espera algo diferente, nem leia. Não seja mané. Pra ficar reclamando depois. Não leia e ponto.

Fiquei pensando nessa história dele usar os Estados Unidos dessa vez no seu livro. Devia ser alguma dívida que ele tinha com o país. Imagina, os livros “Anjos e Demônios” e “O Código Da Vinci” renderam fortunas e ainda arrecadam grana com os tours que são realizados nas locações reais do livro. Agora vai ter uma galera querendo conhecer as obras e as construções citadas no novo best seller. Aliás, falando em best seller, foi só o figura lançar um livro novo pra ficar no topo da lista dos 10 mais vendidos. Desbancou os vampiros da Stephanie Meyer e aqueles deuses bizarros de “A Cabana”. O homem é foda, digam o que quiserem.

A partir de agora, vem alguns spoilers. Se você ainda não leu o livro, rapa fora daqui. Ok? Não vai dizer depois que eu estraguei sua leitura.

Tá avisado.

Eles já foram embora? Ótimo, então vamos continuar.

A coisa mais chata é quando você “pega” a manha do autor e antecipa coisas do livro. O cara não consegue te surpreender mais. Chato. Que nem fim de namoro. Você já sabe o que vem por aí. E daí, por mais surpreendentemente fodástica que poderia ser a informação, se você descobriu antes perde a graça total.

Quando eu falei do filme do Sherlock Holmes e falei sobre tramas tão intrincadas que você não consegue nem pensar em soluções, eu estava falando mais ou menos disso. No caso do Dan Brown, você cria suas teorias pra resolver os mistérios. Imagina quais personagens sejam os bons e quais sejam os vilões. O legal é quando o autor consegue te surpreender. Como acontece no dois outros livros já citados aqui: quem você pensava que era bom, é ruim, e vice-versa. Mas o cara precisa ser bom pra te surpreender de fato. Precisa ter técnicas e um repertório muito foda pra conseguir despistar os leitores. E Dan Brown não consegue mais fazer isso. Pelo menos, não comigo.

Quando ele apresenta a personagem Sato, pra mim ficou na cara que era uma mulher. Porque ele começa a falar da personagem no neutro, sem dizer que é homem ou mulher. Oras, se fosse homem, ele teria dito. Se não disse, é porque aí tem coisa. Fica falando de um jeito que você, se ler correndo, acha que é homem. Mas se você for uma doida como eu, você vai achar estranho. Eu lia e dizia pra mim mesma: quer ver que é uma mulher? Batata. No fim do capítulo, a revelação, que deveria ser surpreendente, mas não foi. Entende o que eu quero dizer?

Outra coisa chata: tava na cara que o Mal`ak era o Zach. Muito na cara. Decepcionante. Principalmente porque, depois de desconfiar desse fato, todas as manobras do autor pra tentar me enganar eram ridículas. Tava tão na cara. Se você consegue desencanar disso e se surpreender de fato, parabéns. O livro deve ser muito mais empolgante pra você. Pra mim não foi.

De qualquer modo, é diversão na certa. Você fica querendo saber como aquela pôrra vai terminar, qual é o raio da Palavra Secreta, e tudo o mais. Por um momento, só por um breve momento, achei mesmo que ele iria matar finalmente o Langdon naquela caixão. Isso, sim, seria legal. Mas obviamente o cara não ia fazer isso. Não, ia inventar uma maneira muito moderna e científica de tirar o protagonista daquela merda. Droga. Se ele morresse, aí sim eu poderia respeitar o cara. Mas não. Ia matar a galinha dos ovos de ouro? Jamais.

Bom, é isso. Diversãozinha de férias. Não faz mal pra ninguém. Pode não fazer bem, também. É só não teorizar muito sobre o assunto.

Ex-alunos e sinuca (?!)

Sabe quando a gente tá pra se formar no terceiro ano do Ensino Médio? Quando a gente tem entre 16 e 18 anos? Você se lembra dessa época? Eu me lembro, vou confessar. Lembro das minhas amizades, dos problemas da minha vida na época, das alegrias, das descobertas, dos papos. Dos filmes que eu via, dos sons que eu escutava. Dos pensamentos que eu tinha, sobre o que fazer da vida, sobre a universidade, sobre o trabalho, sobre a vida e sobre o amor.

Claro que a gente meio que se esquece dessas coisas. Mas esses dias eu tava aqui lembrando. Pensando nessa época tão de friozinho na barriga e que passa tão rápido. Pensando nas despedidas, nas fases, na real tava pensando nas mudanças de fase. Porque é mais ou menos isso. Como num video game. Você passa de fase, e essa fase intermediária é tão assustadora e tão boa...

No fim do ano eu fui pra uma confraternização de uma galerinha do 3º ano. E foi aí que eu me toquei dessa história. Todo ano vai acontecer isso. Todo ano tem um grupo de alunos, um grupo de adolescentes, quase-homens e quase-mulheres indo embora, indo pra vida, mudando de vida (ou não). Todo ano eles vão embora. E eu fico. Eu e os outros professores. O bom é que todo ano a gente participa dessa festa, dessa despedida, tem um pouco desse gosto de coisa nova, porque só de participar dessa ida a gente se sente um pouco como se estivesse indo. Mas não vai. A gente fica. Fica porque essa é nossa fase agora. Me sinto um pouco velha, quando penso nisso. Eles vão atrás da vida deles, a minha já está aqui. Mas, quer saber? Foi a vida que eu escolhi. E é a vida que eu adoro. Adoro porque me sinto velha, mesmo não sendo, e isso é bom. E adoro também porque estar com essas pessoas nessa fase da vida me dá um ânimo do cacete. Paradoxalmente, faz com que eu me sinta mais nova.

Sábado fui a um aniversário de um ex-aluno. Que se formou agora, em dezembro. Uma galerinha lá, não muita gente. A namoradinha (linda), dois amigos que eu não conhecia, uma amiga que eu também não conhecia e três colegas da sala. Depois que os outros professores foram embora (namorar) e o resto da galera também, sobramos eu, os 4 ex-alunos e os 2 amigos.

- Ju, vamos jogar sinuca?
- Gente, eu não sei jogar sinuca, eu não gosto de sinuca, eu não vou.
- Ah, por favor! Aprende com a gente! Ou pelo menos fica lá tomando uma cerva com a gente.

Quer saber? Eu fui. Fui e me diverti horrores. Fui e dei muita risada. Fui e me senti tão em casa com essa galera querida que não precisa fazer esforço pra me agradar, e eu também não preciso fazer esforço pra que eles gostem de mim. Fui e até joguei uma partida, cagando de rir, porque eu sou mesmo ruim (mas posso vir a ficar boa, segundo um deles, existe um potencial - ha-ha-ha). E tomamos cerveja e comemos batata frita e lembramos de coisas que aconteciam na sala de aula e morremos de rir. E eu ouvi do colega de um deles que eu não tenho cara de professora, jamais. Eu tenho cara de quê, então? Ele me disse que eu tenho cara de moleca. Taí. Que graça tem ser professora, viver com essa galera e não aproveitar isso? Só reclamar do excesso de hormônios? Pôrra, tem que entender! Tem que estar junto pra saber, pra lembrar como é o mundo quando a gente tem 18 anos. Pra tentar chegar mais perto, pra poder fazer alguma diferença. E pra se divertir, também. Eu tenho 180 anos de vez em quando. Mas tenho 18 às vezes, e eu adoro ser assim e poder me divertir com tudo isso e usar o que as duas fases têm de bom.

Daí um dos meus ex-alunos ficava falando que eu tô ficando velha e preciso pensar em casar. E eu pergunto: pra quê? Acha que se eu estivesse casada eu estaria aqui hoje? Jogando sinuca, bebendo cerveja e dando risada com meus ex-alunos? Me divertindo desse tanto? E ele me disse que um dia eu vou cansar. Olhei ao redor e pensei: pode ser, mas vai demorar... Por enquanto, tá uma delícia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Botando

Eu fico aqui pensando nos convites que recebo e nas decisões que eu tomo. Duas vezes essa semana, recebi convites e na hora falei “vou”, depois fiquei pensando e deu preguiça, mas no fim decidi ir e me diverti.

Quarta, casa da Carô (e agora do Vini) com o Rô. Ainda bem que eu fui. Morri de rir, me diverti super, conheci gente nova e teve até “acerte a coruja”. Ontem, no Bar do Zé com Isa. Não tava suuuper animado, mas foi legal. Veio uma menina queridíssima que sempre está nos shows da Soul dizer que curte a gente pra caramba, e disse que um dia vai me chamar pra comer o feijão tropeiro que ela faz. Mas o mais legal foi quando ela me mostrou pra outra amiga dela e a menina disse, olhando pra mim e apontando o dedo: A MINA DA BOTA VERMELHA!

Hahaha. Pois é. Sou eu. A mina da bota vermelha.

O mundo não gira em torno do nosso umbigo

Desculpem, queridos leitores, mas é verdade. Dói ler assim, né? Mas é a mais pura verdade, tá? É que nem merthiolate: arde, mas cura. E a gente tem que aprender...

Já é a terceira vez que posto um texto no blog e alguma figura me escreve, achando que o texto foi pra ela. Oh, céus. Gozado que as figuras sempre erram. Aquelas que leem e sabem que é pra elas, ficam bem quietinhas. Mas os desavisados me escrevem... e eu só posso dar risada.

De novo, a verdade é que o mundo não gira em torno do nosso umbigo. Eu sei, às vezes é difícil pensar isso. Mas é verdade. Quantas vezes eu queria que girasse em torno do meu. Mas não gira, amores. Não gira. Pode perguntar a qualquer um. Consulte um astrônomo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Falando de outras coisas

Eu sei, eu sei que ando falando demais de filmes e de livros nesse blog, e a intenção nunca foi essa. Mas tudo bem, me deixem. É que eu ainda tô de semiférias, e tenho essa resolução de ou ver um filme por dia ou fazer algo legal que valha a pena sair de casa. Tem dado certo. A outra parte da resolução é ler muito, e também tenho conseguido. Podem rir, foda-se, mas estou lendo o novo Dan Brown. Tô de férias, quer motivo melhor pra ler Dan Brown? É ruim, mas é bom. E vai acabar logo. Tô me divertindo, viu?

Até agora, não posso reclamar dessas férias, não. Ubatuba, Salvador. Em Campinas, não parei. Cheguei na quarta, na quinta fui cantar com a Soul; na sexta, vim pra agência revisar um anúncio e depois fui tomar uma brejinha com a Isa no Primeiro de Abril, pra dar início à temporada de botecos 2010 (no fim, chegamos 4 e meia da tarde e saímos 10 da noite...); sábado, City Bar com Lu e Thomas (saudades do City, pode?), depois churras na Tati; domingo foi um dia pra mim: dormir muito, muito, depois ir ao shopping e comprar livros e um celular novo (lindo!) - e filme em casa depois; segunda, depois do trampo, reunião da banda, muitas cervejas e muitas risadas com aqueles insanos; terça, cineminha com Rô e Cadu.

Olha, não posso reclamar mesmo, nem quero. Delícia de ano até agora! Fico pensando no colégio, que volta daqui a 8 dias, nas turmas que vou pegar, nos alunos que vou reencontrar, nos novos alunos que virão, nas coisas boas que vou fazer esse ano, ensinar e aprender. Como eu gosto da minha profissão, que delícia fazer o que a gente gosta!

Acho que não tô acostumada com essa vida tranquila, sem problemas, sabe? Às vezes eu estranho. Pego meu carrinho fofo, que eu amo e é todo meu, a cada centavo a mais que pago, saio por aí ouvindo um som bom, sentindo o perfume do creme na minha pele, sentindo meus cabelos que estão crescendo bater no meu rosto de levinho, fumando meu cigarrinho em paz, indo pra uma cerveja com amigos, e fico pensando: com o que mesmo eu deveria estar preocupada? É uma sensação de que eu estou esquecendo de algo, algo que vai foder em breve, sensação de que eu deveria estar preparada, preparando defesas, estratégias, planos B, C, Z. Mas é só esse medinho de ser feliz e despreocupada. Só. Ta tudo bem. Tudo correndo bem. Muito bem, obrigada.

Amanhã, City com queridos colegas professores da mesa preta. Saudades já desse povo doido. Morrer de rir, a céu aberto, tomando uma gelada sem preocupação. Ah, como eu gosto da minha cidadezinha de merda. Como eu gosto dos meus amigos. Como eu gosto da minha vidinha, gente! Tô estranhando, mas tô feliz.

Pequena fábula sem moral

Pensa num lago enorme, cheio. Daquela água que é limpa, mas o lago é tão profundo que a água fica escura. Então. Imagina que um dia um menino entrou no lago e nadou. Deu braçadas, bateu as pernas, revolveu toda a água, mergulhou, cuspiu, fez xixi dentro da água. Pulou com tudo, deu uma bomba, deu várias bombas, depois boiou, nadou de novo. Até que cansou. E decidiu sair. Como ficou o lago? Mexido. Remexido. Agitadinho, coitado. As águas feito loucas dentro dele. Levou muuuito tempo, mas muito tempo mesmo pro lago se acalmar. Porque estamos falando de um lago profundo de verdade, não desses rasinhos que existem por aí, a rodo. Mas nada como o tempo e a paz. O grande e profundo lago escuro acalmou de novo. E daí o filhadaputa do menininho vem e joga uma pedrinha. Uma pedrinha de nada, de merda, pequenininha. Só pra ver o lago mexer, só pra dar risada, só porque lembra que nadar no lago era bom, só porque ele não tinha nada pra fazer, só porque ele não faz ideia do trampo que o lago teve pra se aquietar de novo. Mas não tem nada, não. Afinal, qual a função de um lago? Decorativa? É só pra ficar olhando? Diversão? Servir pros outros nadarem? Ninguém sabe o que tem dentro do lago. Um monstro. Várias sereias. Muita vida, muitos peixes, muitas algas. Muitos mistérios. Lagos têm poderes ocultos, que nem eles mesmos sabem que têm. Anyway, você só vai saber de fato o que existe em um lago se mergulhar nele. A fundo. De verdade. Quer ver? Vem.

"Sherlock Holmes, o filme", de Guy Ritchie

Tinha visto o cartaz lá em Ubatuba. Claro, fiquei doida pra ver. Tenho uma falha gravíssima no meu caráter, que pretendo corrigir logo: nunca li os contos do Conan Doyle. Pronto, confessei. Mas adoro histórias de detetive, e não via a hora de ver o bendito filme.

Daí segunda, na reunião da banda, combinamos, eu, Cadu, Ronalde e Marcão, de ir ver na terça. Marcão deu pra trás por causa de um rabo de saia, mas os fieis escudeiros Cadu e Rô tavam lá, no horário marcado.

Então... eu gostei do filme, sim. É muito diferente do que eu esperava, mas gostei ainda assim. Não teve muito dos elementos de mistério, é mais uma daquelas histórias que você não consegue prever o desfecho. Eu curto mais quando você consegue fazer previsões, elaborar teorias, encontrar seus suspeitos. Mas a trama do filme é tão complexa que nem isso dá pra fazer direito: surgem muitos elementos estranhos, e a resposta vem só no final mesmo. Mas é legal mesmo assim. Mostra mais as cenas de lutas e os efeitos especiais do que o uso da mente, do raciocínio lógico dedutivo. Mas vale a pena.

Robert Downey Jr. está fantástico. Muito bom mesmo. E o Jude Law (Deus, o que é o Jude Law?? Ele é tão lindo que me dói!) de Dr. Watson... bem, eu tinha outra imagem do personagem, mas não foi tão estranho quanto eu pensava. Jude Law nunca fica estranho...

Parece-me que a ideia é fazer uma série de filmes. Espero que eles não estraguem tudo. Gosto muito dos filmes Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, e Snatch - Porcos e diamantes, do mesmo diretor (Guy Ritchie). E os diálogos inteligentes e engraçadinhos entre Sherlock e Watson lembram bem esses filmes, pelo menos nesse aspecto.

Elementar, meu caro leitor: vou ler os contos do Sir Doyle, prometido está. Mas meu detetive preferido ainda é o homenzinho das células cinzentas e das pequenas ideiazinhas...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Quem quer fazer uma sessão Hitchcock na chuva??

Dia desses, no ano passado ainda, eu tava na casa da querida Thathona. Thathona tem uma cama gigante, King de verdade, porque ela é muito grande (na vertical). Então a cama tem que ser também. Delícia de cama da Thathona. Estávamos lá de bobeira esperando a Ju (ah, vá!) pra jogar um baralhinho. E daí começou a cair a maior chuva do mundo, o céu ficou negro como a asa da graúna e desabou. A gente ligou a TV pra esperar passar a chuva, e no Telecine Cult tava começando... PSICOSE!!! O original! Em PB e tudo o mais!

Daí que a gente deitou na cama da Thatha, apagou a luz e ficou vendo essa obra prima, com aquela chuva que Deus mandava do lado de fora. Claro que não deu tempo de acabar de ver, porque a Ju ligou, e adivinhe: NA CENA DO CHUVEIRO! Parece piada, mas não é.

Desde aquele dia, tô a fim de fazer uma sessão Hitchcock. Pegar uns 3 ou 4 filmes dele e ver de luz apagada, de preferência nessas chuvonas que estão caindo todo dia agora, debaixo de uma coberta fofa. Eu vou fazer isso sozinha, claro. Pelo menos antes de voltar pra escola. Mas, se alguém se habilitar, ah, eu adoraria ter companhia! Pra poder falar, comentar, olhar pro lado e fazer aquele olhar de “viu que foda?”.

Alguém?


Não? Tudo bem. Depois eu conto.

“Seis suspeitos”, de Vikas Swarup (Cia. das Letras)

O primeiro livro desse cara se chama “Sua resposta vale um bilhão”. Soa familiar? Não, né? E se eu citar o filme “Quem quer ser um milionário?”? Ah, agora sim? Pois é, “Sua resposta vale um bilhão” é o livro que deu origem ao filme. E quando eu soube que o autor tinha escrito esse segundo livro, “Seis suspeitos”, fiquei doida pra ler. Li sobre ele no Publishnews, uma newsletter que eu recebo todo dia com as novidades do mercado editorial, herança dos meus tempos na Papirus. Na propaganda, dizia que o livro tinha um quê de Agatha Christie, e eu fiquei doida, porque amo Agatha Christie.

Vicky Rai, um playboy indiano, comete mais um assassinato (mata uma garçonete que não quis servir mais tequila pra ele numa festa), e é morto por um tiro em uma festa que dá em sua mansão para comemorar sua liberdade (pois foi julgado inocente pela morte da pobre). Seis pessoas na festa tinham armas e motivos para matá-lo. Quem foi?

A fórmula seria boa, se fosse assim. Mas não é. Na descrição dos seis personagens, Vikas Swarup traça mais um panorama da Índia do que tece uma trama de mistério. Interessante, claro. Mas nada do que eu estava esperando.

Apesar de ser uma bíblia de tão gigante, li o livro todo porque queria saber quem era o assassino. Decepçãozinha básica. Mas também, depois do meio do livro, eu já tinha desistido de uma história de suspense de verdade. Fica o alerta: se você quer dar uma de Agatha Christie, é melhor que você seja muito foda. Ou então não venda gato por lebre.

“Retorno a Howards End” (Howards End), de James Ivory

Decepção.

Procurava esse filme há muito tempo. “Vestígios do Dia”, do mesmo diretor, e com o Anthony Hopkins e a Emma Thompson, é um filme maravilhoso. Lembro de ter gravado em uma fita VHS e eu assistia direto, quando era adolescente. Sempre achei muito lindo, as interpretações foda demais, os lugares lindos, a contenção dos sentimentos, o nó na garganta. E um dia descobri que esse Howards End era o filme anterior do diretor, com a mesma dupla de atores. Desde então, era louca pra ver. Mas nunca achei. Rodei as locadoras e nada, nem na PHD tinha. Então ontem, passeando no shopping, achei nas Americanas por R$12,99. Pôrra, preciso comprar, não acho esse filme em lugar nenhum! Em casa, de noite, sentei pra ver. E decepção.

Não que não seja bom, mas é que eu esperava tanto dele... Tanto... Odiei o personagem do Anthony Hopkins, achei a Helena Bonhan Carter mais bizarra do que nunca, a Emma Thompson estranha. Nem tem uma história forte. Um filme bonitinho, só. Agora ta lá, na minha estante, o filme que eu tanto procurei. Meio artificial, não sei explicar. A história que me pegou foi a do Sr. Bast, o pobre casado com a ex-puta, que olha as estrelas e lê durante o expediente, que sai pra caminhar pela noite como o personagem do livro que lê. Dá vontade de colocar no colo. Mas foi essa subtrama que me pegou, não a principal. Já tá valendo. No mais, decepção.

“Pagando bem, que mal tem” (Zack and Miri make a porno), de Kevin Smith.

Fazia um tempinho que eu tinha decidido que ia ver esse filme, pra dar risada. Gosto do Kevin Smith e vivo tentando achar “Dogma” em locadoras, pra ver de novo, mas não acho nunca! Decidi em Salvador que eu ia pegar esse pra dar umas risadas quando chegasse de volta em Campinas. Daí que eu tava de bobeira vendo o Telecine e o filme ia começar. Ah, ótimo, nem preciso pegar na locadora.

Claro que dei risada, porque a linguagem chula explícita sempre faz a gente rir, nem tanto do conteúdo, mas da situação. E o Kevin Smith tem realmente umas tiradas foda, umas ideias geniais de tão bobas.

No filme, Zack e Miri são dois amigos que se conhecem desde a infância e moram juntos. Ela é linda e ele é o tipo do Kevin Smith, gordinho, barbudo, figura, engraçadíssimo. Sem grana pra pagar as contas básicas, eles decidem filmar um pornô. E, pra isso, eles vão ter que transar, um com o outro também (sendo que eles nunca nem se beijaram, sempre foram amigos pacas mesmo e só).

Bom, além de engraçado, o filme é uma graça (perdoem o trocadilho podre). Nada demais. Mas uma graça. Meio que o conto de fadas ao contrário, quando o gordinho fora da modinha pega a menina linda e bacanérrima. E vai falar que não acontece!? Vai falar que o charme da pessoa não passa muito além do corpitcho sarado e da roupinha da moda? O Zack é um tipão. Não à primeira vista, claro. Mas, depois de 15 minutos de filme, você quer ficar com ele. Quer que ele exista de verdade e esteja do seu lado.

Acho que uma das coisas mais legais do filme é esse lance da intimidade gostosa que existe entre pessoas que se gostam e não são pudicas, e são inteligentes, e engraçadas, e bem-humoradas, e com tiradas bacanas. Dá saudade daqueles relacionamentos que você já teve e que eram assim, essa intimidade que a gente ri de tão idiota, e que depois a gente lembra como eram inteligentes nossos diálogos bobos.

Recomendo, para um dia levezinho.

“Caim”, de Saramago (Cia. Das Letras)

Precisa?? Preciso dizer que amei?? Vindo do gênio, preciso tecer algum comentário? Não, né?

Mas vou, mesmo assim.

Comecei a ler Caim aqui em Campinas, e terminei lá em Salvador. Comecei em 2009 e acabei em 2010. Esses dados são importantes para entender como o livro é bom: lá estava eu em São Salvador, um calor de rachar, na volta da praia, voltando da virada do ano. A galera se jogou na piscina. Eu, que tava sóbria e em paz, muito em paz (estranhamente!), subi, tomei meu banhinho, peguei meu Saramago e deitei pra ler. Entenderam?

Bom, preciso dizer que o Saramago tá ficando velho e cada vez mais louco. Mas, como disse uma amiga, ele não tem nada a perder. Não tem mesmo: já ganhou um Nobel, já tá consagrado, já é foda, não precisa provar mais nada pra ninguém. Mas ainda continua provando: pra mim, pelo menos. Provando que é meu escritor preferido.

Naquele seu jeito envolvente e cativante de sempre, ele conta a história de Caim, aquele mesmo, irmão de Abel, que matou Abel por inveja. Ah, Caim... Ah, Saramago, salafrário de merda e bom demais da conta. Um cara que prefere escrever sobre Caim do que sobre Abel já merece todos os louvores. Até porque Caim é sempre muito mais interessante.

Na sua viagem, Saramago coloca Caim viajando a ermo pelo tempo e presenciando vários acontecimentos do Antigo Testamento (a Torre de Babel, o dilúvio, batalhas sangrentas a rodo, destruição do ídolo de ouro, e um monte mais). E coloca Deus como aquela figura insegura, vingativa, indecisa, extremamente humana. E chama de filha da puta pra baixo. E tem uma ironia sutil e um humor maravilhoso e eu sorria com gosto, porque isso é que acontece quando você lê um gênio como Saramago.

Leia! Leia hoje! Leia agora!

“O clube do filme”, de David Gilmour (ed. Intrínseca)

Não lembro onde eu tinha ouvido falar dessa história, que é real e virou livro e parece que vai virar filme. Achei interessante o lance: o pai, crítico de cinema, desesperado com as notas baixas e o péssimo rendimento do filho na escola, decide que o garoto pode sair da escola, parar de frequentar as aulas, pode ficar sem trabalhar e sem pagar aluguel, contanto que assista a uma média de 3 filmes por semana com ele. Seria a única educação que o garoto receberia.

Fiquei interessada principalmente porque eu tinha a esperança de que os comentários sobre os filmes fossem legais. Fossem aulas, dessem vontade de ver os filmes, fossem curiosidades sobre eles. Na real, não é. O livro foca muito mais na relação entre pai e filho do que nos filmes propriamente ditos. Nas dificuldades da adolescência, nos amores adolescentes do filho e na vontade do pai de ajudar. No menino crescendo ao lado do pai. Bonito, claro, mas a parte dos filmes ficou a desejar. Pro meu gosto.

"Talvez uma história de amor", de Martin Page (ed. Rocco).

Vi na Livraria Cultura e nem pensei duas vezes. É meu. Tudo por causa do autor: fiquei fã do Martin Page depois de ler “Como me tornei estúpido”. Praticamente uma metáfora da minha vida. Dois amigos tinham me indicado, um deles disse que era um livrinho minúsculo, de se ler “numa cagada”. Eu emprestei de alguém que não lembro mais, mas não li no banheiro, hehehe (respeitemos os livros alheios!). Realmente é foda. Um livro maravilhoso. Recomendo super.

Daí que eu mesma não tenho esse livro. Me lembro de comprar pra dar pra um amigo, em uma época especial. Mas pra mim mesma não comprei. Tudo bem. Então, quando vi um livro novo do cara, não resisti. Comprei e, dentre os 5 livros que comprei no mesmo dia, resolvi começar a leitura por esse.

Tá. Bacaninha, mas o outro é muito melhor. Muito. Foda essa coisa de comparação, eu sei. Mas é inevitável. A história é bonitinha, e me interessou a princípio. Um cara recebe uma mensagem na sua secretaria eletrônica de uma mulher terminando o relacionamento com ele. Acontece que ele nunca conheceu essa mulher. E esse é o ponto de partida pro autor falar de relacionamentos, de medos, de traumas, de análise, de amizades, entre outras coisas.

Achei o Martin Page muito blasé. Muito riquinho, descrevendo roupas e lugares de Paris; me pareceu totalmente diferente do autor do outro livro, do “Como me tornei estúpido”, aquele que tira sarro de toda essa coisa riquinha e cult e cool e cu. Mas, ainda assim, um livro bonitinho. Desculpe se alguém amou. Não me tocou fundo. E, se não toca fundo, não rola.

Resolução

Resolução de Ano Novo: tomar nota dos livros que leio e dos filmes a que assisto. Na real, eu sempre tomo essa resolução, mas não passa do primeiro mês. Mas não custa tentar de novo.

Vou começar retrocedendo um pouco e falar dos últimos livros que li no fim de 2009. Como já coloquei aqui, dei uma de louca, li 3 livros em uma semana, no fim do ano. Coisas de férias, pra compensar o tempo perdido.

Bom, vou colocar cada um em um tópico, pra facilitar.

Ah! Ontem comprei um livro que eu queria faz teeeeeeeeeeempo: 1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER. Maravilhoso. Claro que quero ver quase todos; quase, porque os de terror eu passo... muito medo!

Bom, vambora.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

2010 - Uma odisseia no tempo

Eita que começou o novo ano. Mais um, ainda bem. Um dos bons, tô sentindo. Tô sentindo paz. Tem um nó na garganta, também, mas a consciência de ter um nó já é algo, e pensar prováveis causas para ele também já é meio caminho andado.

Quero paz, de fato, mas não aquela paz falsa das mensagens de boas festas. A paz de deitar e ler um livro. A paz de vestir uma roupa leve, se olhar no espelho e sorrir. A paz de assistir a um filme sem obrigação de companhia, de comida, de hora e de lugar. A paz de trabalhar sem reclamar e amando o que se faz. A paz de saber que faço o meu melhor, e que esse melhor pode ser sempre melhor, só dependendo de mim. A paz de não esperar nada, mas saber que tudo vem. Na hora que tem que ser.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Já era.

Ô, Deus. Pra variar, aqui estou eu com milhares de coisas pra dizer e pouco tempo. Como 2009 está dando seus últimos suspiros e ninguém está mesmo com muito tempo, vamos fazer pequenas notinhas.

* A viagem a Ubatuba foi uma delícia. Isa, Joerson e Paulinho, vocês são os caras. Uma das viagens mais despretensiosas e divertidas da minha vida. Amei ficar esses dias mais perto da loucura boa de cada um. Volto logo pra tomarmos uma breja. E, assim que a Isa me passar as fotos, coloco algumas aqui. Mais do que colegas de trabalho, amigos queridos. E que seja sempre assim.

* Ah, descabacei o Kazinho na estrada. Eu e ele. Minha primeira viagem de estrada, fui e voltei dirigindo de boa (com a ajuda dos meus mais que foda copilotos). Yeah! É nóis!

* Meu sobrinho é a coisa mais fofa desse mundo e eu amo muito esse pequeno. Muito mesmo!

* Tem gente que nasceu pra ser idiota, e é provável que vá morrer idiota. E não tem jeito, não há o que fazer. O pior é quando você é amigo dessa pessoa e só vê ela fazendo merda e se fodendo. mas não tem o que fazer. Só esperar o momento de falar "Eu não disse?". Mas, como você é amigo, você não fala.

* Descobri que tem mulheres que passam a vida toda num esforço tremendo pra serem sexies e sensuais. E que existe outro tipo de mulher que faz de tudo pra não ser. E, olha, é bem mais difícil, viu? Volto a esse tema no ano que vem.

* Saudades é uma coisa que dá e passa. Porque a gente não nasceu pra ser idiota.

* Meus queridos ex-alunos que foram no Bar do Zé (a grande maioria deles) arrasam. Queridos, fofos, gracinhas. Beijos especiais para Mercadante, Brusco, Ricardinho, Dodoria e Guilherme.

* Amanhã embarco pra Salvador. A maioria dos meus amigos/colegas/conhecidos diz que não vou gostar. Pode ser. Talvez eu preferisse a Suíça. Mas que vou me divertir, ah, se vou! Posso apostar! Porque eu trabalhei o ano inteiro, como uma louca, em dois empregos, aturei tanta merda, cansei tanto e dormi tão pouco que mereço esses 10 dias cozida no mar.

* 2009 foi isso. Oh, céus, eu amaria fazer uma retrospectiva, mas não vai rolar, ok? Coisas boas, claro, coisas ruins, claro, no geral um ano bom, mais pra bom que pra ruim. 2010 vai ser melhor, como todo ano que ainda não chegou.

* Fico me perguntando se eu vou pensar em você na virada, na hora dos fogos, e decidi que não. Porque eu não nasci pra ser idiota, porque o tempo faz sua parte, por mais que demore (CARALHO, COMO DEMORA!), e porque eu quero e mereço coisa nova, oh, gente, diz se não mereço?!?! Que os fogos arrebentem aqui bem dentro e destruam tudo que tem de ruim. Vou fazer de tudo: banho de mar, de sal grosso, vou atrás de umas baianonas porretas na Bahia, jogar búzios, tomar surra de espada de São Jorge, qualquer coisa, mas tirar essa nhaca de mim. Deu, né?

* Dei de presente pra mim mesma 5 livros nesse Natal. Entrei na Cultura e saí feliz. Claro que eu queria ter comprado uns 500. Mas 5 vão bastar. Já li um e vou acabar o segundo entre hoje e amanhã. E na praia, mandar ver no Caim, novo romance do Saramago. Que entra ano, sai ano, mas o Saramago vem comigo (e esse vale a pena!).


Nem vou desejar aquelas coisas todas de todo fim de ano. Foda-se. Daqui a pouco a gente conversa e vê no que deu.

Te vejo no ano que vem!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Férias! Parte I

Então é quase natal. E eu vou ficar sem escrever aqui por mais uns dias. Amanhã desço pra praia com colegas professores. Só quero saber de cervejinha gelada, sol, chegar em casa, tomar banhinho, passar hidratante, sentar na mesa de jogo com o cigarrinho e mais cerveja gelada. E só.

Volto antes do natal e tento escrever, talvez escreva na praia, mas poste só na volta.

Volto, natal, viagem de novo. Deus é pai, dizem.

Último dia de aulas, último dia de trampo na agência, último show da banda do ano. Muito último esse dia. Espero que ainda traga surpresas boas essa última das noites, que pode ser a primeira. Ou que pode ser só mais uma. Vai saber.

Queria falar sobre a sensação de ser rainha, mas vai soar tão pedante que eu desisti. Só posso dizer que me diverti muito essa semana, especialmente nesses últimos dias. Me diverti com as situações acontecendo, caindo na minha cabeça, me surpreendi com as comédias da vida, com a minha sorte inesperada (ganhei um DVD player do nada!), com a minha imagem no espelho, com oportunidades profissionais. Eita semaninha bonitinha da peste. E coroada por férias. Férias gerais, férias totais. Me segura. Ou melhor, segura não, que eu vou!

Daí, perto de tanta coisa boa, o resto parece tão pequeno... tão bobo... claro que tem coisas que eu ainda quero, mas como é bom não ter com o que se preocupar, pelo menos não de fato. E no fim, é tudo lucro. Deu certo? Maravilha! Não deu? Tudo bem, tem tanta coisa legal rolando que dá pra escolher com o que se alegrar.

Já volto, tá? Fiquem bonitinhos aí, e divirtam-se também. Fica bonitinho por aqui, que tá chegando, o tempo passa voando, tá passsando a mais de cem, o que me assusta e me alegra. Mas não tenho presa, não. Tá tudo bão demais da conta!

Até a volta!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vontade de escrever

Me deu uma vontade imensa de escrever. De novo. Mas escrever regularmente. Ando tão cansada, tão morta com esse fim de ano, tão puta com algumas coisas que estão acontecendo no setor profissional, tão cansada de tudo, tão sem vontade pra nada. Mas me deu vontade de escrever. A correria e o desânimo não deveriam ser motivos pra eu me calar. Eu deveria (e sei que poderia) tirar muitas coisas boas de toda essa fase. De toda essa maré estranha. Das coisas ruins do trabalho. Das coisas estranhas dentro de mim, da minha adolescência tardia que voltou de repente, da minha tarde no Hopi hari e daquilo que eu pensei bem na hora em que o Elevador desceu seus 69 metros em 3 segundos, daquilo que eu gritei na montanha-russa, daquilo que eu pensei ao ver tanta gente feia lá naquele parque, do cansaço que sinto nesses dias, da vontade de chegar em casa, me enfiar debaixo do edredom e ver filmes, das mancadas que dei com pessoas queridas simplesmente porque estava tão cansada que esqueci dos compromissos, da releitura que fiz de A Caverna, romance do genial Saramago, das partidas de jogos com os amigos, das chuvas que têm caído quase todo dia e daquilo que elas me fazem pensar, do som do Ray Lamontagne que eu descobri e no qual me amarrei, e daquilo que suas letras e suas melodias tristes me fazem pensar, da risada do meu sobrinho gordinho e gostoso, da arrumação que fiz no meu quarto, dos meus alunos que estão se formando e partindo pro mundo, das despedidas, do natal, do fim do ano, dos sonhos pro ano que vem. São tantas coisas, tenho tanta vontade, tenho até preguiça.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Banho de sal grosso

É como eu digo: pode vir, que eu aguento! Que aqui bate e volta. Não derruba, não. Pode tontear às vezes, mas derrubar não derruba, que eu sou uma raça ruim da pôrra!

Apresentação da Ópera do Malandro nesse sábado que passou. 3 sessões, uma seguida da outra, 15h, 18h, 21h. Eu tô andando hoje por milagre.

Foi bom. Foi muito bom. Pra mim foi um processo muito difícil, desde o começo. Muito mesmo. Uma mistura de vários sentimentos, mas o de querer fazer parte sempre superou todos os outros. Diversas vezes pensei em abandonar o barco, achei que não ia aguentar. Mas sempre aguentei. E valeu a pena, porque foi muito bonito.

Mas depois eu comento mais do geral. Quero falar da zica. Da urucubaca. Do exu trancarrua (que a nova reforma ortográfica deixou ainda mais feio).

Sessão das 15h: 2 apagões no teatro, no meio da peça. Na primeira cena, pra ser mais exata. Sumiu tudo, luz, som, apagou geral. Eu, heim?

Sessão das 18h: meu microfone head set falha na minha música com Teresinha. Puta, pego o reserva de punho. No meu solo, o reserva de punho também morre. Mas eu sou ruinha, sou taurina, sou brasileira e não desisto nunca: canto sem microfone e que se foda. Claro que fiquei puta, claro que depois dei piti, mas não ia deixar essa merda de zica impedir as pessoas de me ouvirem. Pôrra...

Sessão das 21h: o salto da minha bota quebra em cena. No meio da cena. Que se foda: arranco a bota em cena e continuo. Tinha por milagre um sapato vermelho na mala lá no camarim, troquei e acabei a peça sem ser descalça.

Agora, fala pra mim: que urucubaca é essa? Segundo alguns amigos, é o mal que eu desejo pras pessoas que volta pra mim. De boa? Eu nem sou tão ruim assim. Só falo o que eu penso e o que eu sinto, mesmo que não seja bonito. E não fico nessa onda desejando o mal dos outros... de vez em quando passa pela minha cabeça, mas é só.

Agora, se for castigo, ou se for mau-olhado, ou se for inveja, azar, urucubaca, zica, o que for, meu bem, PODE VIR. Vem quente que eu fervo, meu amor. Ah, eu fervo. Tenho medo, não.

Bate aqui e volta, coisa ruim!!!

Pull me under, I`m not afraid! (Dream Theater)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Inaugurando dezembro, o último mês...

Sabe quando você olha mas não pode tocar? Mas toca sem poder, sem dever, e queria poder pegar? Ou toca de leve querendo tocar forte, ou toca forte, como se fosse normal, como se nem percebesse, como se não se importasse, quando na verdade você queria tocar muito de leve, deslizar os dedos, escorrer, derreter a mão? Sabe quando você olha de perto e o seu coração dispara dizendo “eu quero”? E você ri de si mesmo, pra não gritar? Sua boca se contorce num sorriso de desespero misturado com alegria misturada com dor misturada com desejo misturado com aflição misturada com satisfação misturada com ansiedade? E as luzes todas parecem estar contra você, e você não sabe mais o que fazer pra apagar da sua testa aquilo que está escrito em néon (mas ninguém parece ver)? E as músicas que você ouve alto calam fundo no seu peito, comprimem, apertam, machucam de um jeito bom e ruim? E os movimentos do outro te matam, e os seus movimentos te matam, você tem vontade de sair correndo e esconder a cara de idiota na privada mas fica ali parada, sorrindo feito besta. Olhando. Viajando. Falando sozinha, procurando desculpas na sua mente, procurando explicações que sejam criveis pro caso dos outros perguntarem no que você está pensando, por que está rindo. Sabe quando tudo queima, gela, o coração acelera, você pensa milhares de palavras por milissegundo, você aperta as mãos bem forte pra evitar fazer aquilo que você quer mas não pode ainda?

Sabe?

O nome disso é vontade. E é ruim, mas é bom demais.


Semaninha corrida da pôrra. Violão e voz, peça, flamenco, ensaios, aniversário de sobrinho, provas finais, despedidas. Espero que semana que vem eu respire melhor.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Hysteria/Obsessão

Pois é. Tá foda. Eu não sei se tenho vontade de morrer ou de matar. Manhãzinha complicada no trabalho. Pôrra, eu tenho as minhas convicções, as minhas crenças, a minha visão de mundo e da minha profissão. Mas tudo bem, tudo bem.

Fim de ano é assim mesmo, sempre digo. Nunca tome uma decisão importante em fim de ano. Eu, pelo menos, não posso. Porque ando estressada, irritadinha no último, cansada, morta, podre. Mas tudo bem, tudo bem. Toca em frente.

Pra ajudar, sabe obsessão? Pois é. Obsessão. Aquilo que não sai da sua cabeça? Então. É assim. E obsessão só tem duas curas: ou a gente resolve logo e mata, ou desencana sem resolver. Mas enquanto isso, é difícil, ai como é difícil.

Então ouço Hysteria, da galera do Muse, e grito no carro, dirigindo. Então vejo o clipe e tenho vontade de fazer igualzinho ao cara. Medo de mim.




it's bugging me, grating me
and twisting me around
yeah I'm endlessly caving in
and turning inside out

'cause I want it now
I want it now
give me your heart and your soul
and I'm breaking out
I'm breaking out
last chance to lose control

yeah it's holding me, morphing me
and forcing me to strive
to be endlessly cold within
and dreaming I'm alive

'cause I want it now
I want it now
give me your heart and your soul
I'm not breaking down
I'm breaking out
last chance to lose control

and I want you now
I want you now
I feel my heart implode
and I'm breaking out
escaping now
feeling my faith erode

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Hominho

Tem dias que não dá: eu realmente não to a fim de papo mulherzinha, não consigo nem ouvir voz de mulher. Que dirá voz de mulher conversando papo mulherzinha. Ah, dá um tempo.

Eu ando estressada mesmo, faz um tempinho, e eu sabia que essa semana ia ser foda. Segunda tenho que entregar todas as notas, e ainda tem 12 pacotes de exercícios pra corrigir até lá (e depois somar todas as notas e fechar as médias, fora as faltas). E eu não tenho mais minhas tardes livres, nem aquela uminha tardezinha livre que eu tinha. Então desde domingo de noite eu já tava de bode prevendo essa semana de merda. E realmente tá foda. Ando me arrastando pelos corredores do colégio, pela vida. Implorando por férias. Que ainda vão demorar 23 dias, oh, meu amigo calendário. Daí vem stress. Eu acordo de mau humor, depois melhoro, daí vem uma cambada de boçais e estraga tudo. Por dois motivos. Porque eles são meio boçais, mesmo, mas também porque eu exagero. Over. Reacting. Total. Nem era pra tanto.

Daí que fodeu meu dia. Chego em casa e tenho míseros 20 minutos pra comer, fumar e descansar, antes de encarar a segunda jornada do dia. Engulo a comida, tentando ver TV, mas minha mãe quer conversar, porque ela ficou sozinha em casa a manhã toda e tá carente, doida pra falar, perguntar como foi minha manhã e falar de coisas absolutamente sem importância nesse momento. Eu só quero silêncio e paz. Posso? Não, sou grossa. E 5 minutos no sofá me deixam pedindo por 5 horas no sofá, canal do Telecine aberto, assistir a qualquer coisa e dormir, dormir. Mas o lazarento do relógio me mostra que já é hora de ir embora. Há humor que suporte??

Daí não dá. Ando mau humorada, mesmo, de bico, cara de cu. Que eu sei fazer uma cara de cu como ninguém. E nem é culpa dos outros, claro que não. Mas tô de bode, então não vou ficar fingindo cara de feliz. Não me vem com bagunça, não me vem falar durante o filme! Não me vem com papo mulherzinha, mulherzinha besta e sonhadora, inocente e criança; acorda, Alice!

Nessas horas, ah, nessas horas... sou meio homem com H. Não tenho paciência pra você, minha flor. Te vira. Mas não vem falar comigo, não. Não vem me contar, que tem dias que eu até consigo forçar um sorriso e tirar algo idiota da minha mente pra dizer, algo que você entenda. Mas hoje não vale o esforço. Tô chata. Hoje sou homem vendo futebol: do not disturb.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Folhetim Vagabundo - História 8 - Capítulo 1 - O fim chegando cedo




“Mesmo se as estrelas começassem a cair e a luz queimasse tudo ao redor e fosse o fim chegando cedo, você visse nosso corpo em chamas.”

Claro que eu já tinha ouvido Legião Urbana. Todo mundo já ouviu, mesmo que não goste. Acontece que eu nunca achei que fosse possível. Mas agora tudo parece extremamente possível.

O mundo acaba amanhã. A galera da Nasa soltou um comunicado oficialíssimo e importantíssimo. Não vai dar tempo de salvar nada. A colisão com a Terra é inevitável. Terráqueos, preparem-se: o mundo que vocês conhecem vai acabar. Não tem nenhum super-herói de filme pra nos salvar. Amanhã, a essa hora, morreremos todos.

Eu sempre imaginei essa situação, amava aquele som do Moska que dizia “Meu amor, o que você faria se só te restasse um dia? Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria”. Pois é. Agora é real. Mas não parece.

Tô calma. Acho que ainda não caiu direito a ficha. Anyway, essa ficha tem 24 horinhas pra cair. E eu tenho muita, muita coisa pra fazer.

Vamos à primeira delas...




Acompanhe a continuação dessa história amanhã, aqui, no blog da Lu.

domingo, 22 de novembro de 2009

Folhetim Vagabundo - História 7, Capítulo Final




O início dessa história você encontra aqui!


Ana Clara olha pela janela do belíssimo apartamento. A paisagem é absurdamente maravilhosa, mas sempre tem um tom triste. A tristeza de seu interior refletida nas ruas de Paris. Seu olhar se desvia para seus sapatos, lindos, chiques, caros. Mas nem mesmo eles podem distrair a dor que sente e sempre sentiu dentro de si.


Caminhando de volta para a cozinha, Ana Clara retira do fogo a chaleira e prepara o chá. Leva-o para a farta mesa de café-da-manhã, com bolos, sucos, café, pães e frutas. Arruma o jornal de Pierre no lugar onde ele sempre se senta à mesa, sua cadeira cativa. Em breve as crianças estarão também aqui, Beatriz e Lucas, filhos de Pierre, filhos de Pierre e Mariana. Todos tomarão seu café e partirão para suas vidas, para mais um dia de suas vidas. As crianças na escola, Pierre no escritório...


Mariana... Mariana em sua loja. Mariana rodeada por seus empregados, por suas clientes grã-finas, ostentando suas fortunas em jóias, roupas e sapatos, e prontas a gastar sempre mais, a repassar o dinheiro para o bolso de Mariana, que nunca fez nada para merecê-lo, nem mesmo montar a própria loja. Pierre, apaixonado, sempre deu a ela tudo o que ela quis.


Ana Clara lembra-se do fatídico dia da morte de seu amado pai. Lembra-se de todas as revelações, da carta da madrasta Rosa, da sensação ao saber que Mariana não era nada sua, nada, nada, nada, filha de outra mãe e de outro pai. Não era filha de seu pai, de seu sofrido pai, de seu enganado pai. Fazia anos, já. Três anos? Quatro anos? Por que parecia não fazer diferença? O convite de Mariana, na época, parecera um insulto. "E tem mais...", ela dissera. "Gostaria que você viesse comigo para Paris, gostaria que viesse morar comigo, com Pierre, com minha família, pois somos a única família que você tem, e eu não quero perdê-la". Sim, na época parecera absurdo. Aquela mulher, que não era nada sua. Como seria viver em sua casa, na casa que deveria ser sua, com o marido que deveria ser seu, com os filhos e a vida que deveriam ser seus... Seria humilhação demais.


Mas para Ana Clara nada nunca era humilhação demais. Estava sem emprego e sem forças para procurar um outro. Estava sem forças para pensar, e se deixara levar por Mariana, embarcara no avião e fora para Paris. E lá, há anos, cuidava da vida de Mariana, da vida de Pierre, da vida dos filhos de Mariana, da casa de Mariana. A casa que não era sua. Os filhos que não eram seus. O marido que não era seu. A vida que não era sua. Mas que vida teria, que outra vida poderia ter? O que mais importava?


As crianças começaram a fazer a algazarra matinal de costume. Ana ouviu o barulho de Pierre saindo do banheiro, e o cheiro de seu creme de barbear penetrou-lhe as narinas. Mascando seu chiclete mentolado, encaminhou-se para o lavabo a fim de lavar as mãos de maneira que Mariana não percebesse o cheiro de cigarro nelas.
Segunda-feira, mais uma história para você. Aqui mesmo!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Correrias

Minha vida anda uma correria sem fim. Fim de ano, sempre a mesma coisa...

Escola no fim do bimestre, caralhadas de coisas pra corrigir, a agência bombando, ensaios de matar do Flamenco, da Ópera do Malandro, da banda, shows marcados com a banda, de violão e voz, apresentação de Flamenco, da Ópera, figurinos, e eu no meio disso tudo, desejando que chegue logo o dia 28 de dezembro pra eu sumir. Tá, dia 18 já vai ser bom: férias e só a correria boa com as coisas da viagem.

Pensei em vir aqui escrever muitas coisas nesses dias. Ia escrever uma historinha inventada que contava o que acontece quando a mocinha diz para o mocinho aquilo que ela quer dizer; depois desisti. Ia escrever uma receita para não acreditar no amor; depois desisti. Ia escrever para o GuessWho, que morreu (né, Du?); desisti também.

Tô é com medo de escrever qualquer coisa e me arrepender. Então fico quietinha.

Hoje tem show.

Hum.

Tá. Tchau.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Carpe Diem

Taí. Os árcades dão no saco às vezes, mas hoje o Tomás Antônio Gonzaga gritou aqui no meu ouvido... Taí um cara que sabia passar uma boa lábia na mulher que embaçava... Tá, uma visão mega simplista do Arcadismo, mas no fundo, ah, no fundo é isso aí.

Cada um tem a Marília que merece, Dirceu...



Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de sãos Amores.
Sobre as nossas cabeças,
sem que o possam deter, o tempo corre;
e para nós o tempo, que se passa,
também, Marília, morre.

Com os anos, Marília, o gosto falta,
e se entorpece o corpo já cansado;
triste o velho cordeiro está deitado,
e o leve filho, sempre alegre, salta.
A mesma formosura
é dote, que só goza a mocidade:
rugam-se as faces, o cabelo alveja,
mal chega a longa idade.

Que havemos de esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias que vêm tarde já vêm frias;
e pode enfim mudar-se a nossa estrela.
Ah! não, minha Marília,
aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.

Ai, ai... Que havemos de esperar? Que vão passando os florescentes dias?

Como eu disse, acho que pela primeira vez entendi esses caras.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ao GuessWho

GuessWho:

Eu ainda acho que você é algum amigo engraçadinho meu. Anyway, desde que não seja um serial killer ou algum freak perigoso, eu topo o jogo, sim. Adoro um jogo, você deve saber.

O sinal está aqui, uma vez que não tenho como te contatar, se você só envia torpedos pela internet...

Sem maluquices, heim??

Cordiais saudações,

da doce Juliana.

(Doce??? Você deve estar brincando... Na real, arde, mas é doce.)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Surpresa!

There`s a centre of gravity/ Brings you near to me/ Nearer all the time... (Aqualung).

E eu aqui dando risada e ganhando o dia por uma coisa tão idiota.

Por favor: férias urgentemente!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Folhetim Vagabundo - História 6 - Capítulo 3

O início dessa história pouco doida você confere aqui.

Leu?? Certeza?? Senão não vai entender nada!!

Agora leia o Capítulo 3:



Betina sentia seus pés em contato com algo viscoso, gelado. Tentava colocar os fatos em ordem, mas havia desistido há muito tempo. Não, seus neurônios não haviam sido treinados para esse tipo de trabalho forçado.

O túnel parecia não ter fim. O macaco parecia não sentir o gel a seus pés. O mundo parecia estar todo errado.

Maldita hora aquela em que decidira dormir na casa da avó... Podia ter ido ao casamento de Raul, mas sabia que não aguentaria ver o ex-namorado casando com aquela sonsa da Vitória. Então havia decidido passar o fim de semana o mais longe possível, o mais longe que sua cabeça conseguia conceber: a casa da avó, no interior. Lá, nada de “pela estrada afora eu vou bem sozinha”. Nada de doces para a vovozinha. Aliás, nada de vovozinha: a avó de Betina era bem modernete, e logo apresentou seu namorado: Ed, o velhinho que cheirava a leite de rosas. Contraste engraçado com o cheiro de charutos da avó...

Maldita hora em que Betina resolveu que poderia ser interessante espiar a avó e Ed trepando, pelo buraco da fechadura... Se não tivesse espiado, ah, se não tivesse espiado...

A lembrança dos palhaços do Éden atrás dela a fez tremer. Já tinha ouvido falar deles. Só não os tinha ligado à situação. Nunca os teria ligado àquela situação...

A mão do macaco forte, peludo e cheiroso apertou a sua, despertando-a dos devaneios loiros.

- Chegamos, doce de coco.

Uma porta se abriu e Betina pôde vislumbrar o vulto de cinco pessoas sentadas a uma mesa. Não conseguia identificá-las. Não conseguia pensar mais nada, a não ser na vontade imensa que sentia de tirar aquele maldito sutiã pontudo.

Nas paredes azuis do recinto, havia cinco quadros.

Betina não conhecia nenhuma das pessoas ali retratadas. Mas eram personalidades muito conhecidas. Nada mais nada menos do que Tim Burton, David Lynch, Edward Munch, Edgar Allan Poe e Stephen King. Mas seria muito exigir de Betina o conhecimento de tais figuras.

Ouviu a voz do macaco atrás dela.

- Senhores, enfim chegamos. Apresento-lhes a doce Betina.

Sobre a mesa, embaixo de um foco de luz, havia alguns DVDs, livros, fotos. Todos eram obras dos mestres retratados nas paredes. Além de tais objetos, Betina vislumbrou um enorme saco de estopa escrito SAL.



Oh, céus! Tem coragem de continuar?? Eu acho que vale a pena... amanhã, entre aqui e mande bala!


terça-feira, 10 de novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Praia

Eu quero e não quero. Eu quero muito que chegue logo essa viagem de férias, que chegue logo dia 28 de dezembro, que chegue logo a hora de colocar os pés no avião, que chegue logo a hora de colocar os pés no mar, na areia, que chegue logo a hora daquela caipirinha na praia, daquela cervejinha de fim de tarde, com o corpo queimado de sol, cheirando a hidratante, o cabelo molhado caindo em cachos naturais e tudo bem, os pés numa rasteirinha, a boca doendo de tanto dar risada, a oferenda pra Iemanjá, os pedidos de ano novo, os telefonemas e torpedos, os fogos na praia, os colares de Salvador, a onda batendo forte nas minhas costas e o medo que eu tenho e sempre tive de mar, as conversas com amigos, as pedras, a areia, a água. Eu quero muito. Quero recomeçar, quero descansar, quero me esquecer, quero me perder, me encontrar, ficar em paz. Quero e não quero. E quero ainda mais, por essa parte louca em mim que não quer. Quero com todas as forças pra ver se venço essa doida dentro de mim que não quer, que quer mas não quer. Quero muito mesmo.

E quero também voltar. Pra começar tudo de novo. Pra começar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dizendo

Eu descobri meio que sem querer essa banda, Aqualung. E adorei. Daí que tem essa música linda que diz exatamente tudo o que eu queria dizer e não posso. Não posso por uma série de razões. Mas se as palavras não forem minhas, então tudo bem. Então não são minhas, OK? São da galera do Aqualung.

A kiss is not just a kiss
A smile is more than a smile
Maybe we get together, maybe forever
Maybe just for a while

I've seen the look in your eyes
I've seen you wondering why
There's a center of gravity
Bring you near to me
Nearer all the time

And I'm petrified, I'm hypnotised
Every time you walk by
And I can't get you out of my mind
(...)

Ouça aqui: (Can't get you out of my mind – Aqualung).

(suspiros de idiota)

Folhetim Vagabundo - História 5 - Capítulo 4 - Consciência

Essa história começou aqui, ó!

Agora, leia o capítulo 4:


Sentindo o coração palpitar, Helena pensava: “Preciso descobrir algo sobre essa história toda...”. Criando coragem, disse:

- Interessante essa sua tatoo... Tem algum significado?

Arregalando os olhos, Marcelo respondeu:

- Tá louca, Leninha? Ih, hoje você tá muito estranha... desde manhã, nem me cumprimentou direito no elevador... Bom, tenho que atacar, depois a gente se fala, gata.

Ao ouvir essas palavras, e sentir o apertão que a mão do saxofonista dava em sua bunda, Helena ficou desconcertada. Enquanto observava o músico voltar ao palco, o chão se abria a seus pés. Que foi isso? Que intimidade era essa? Leninha? Gata?

Não teve tempo para terminar suas perguntas. Uma música envolvente penetrava em seus ouvidos, esquentando o corpo todo. A visão de Helena ficou turva, o mundo foi rodando e ela precisou se sentar. Nada mais parecia fazer sentido, e então tudo começava a fazer sentido. A música preenchia tudo. Quase tudo. Em sua mente, ainda havia um espaço para tentar pensar. A música viria em breve, era preciso ser rápida, antes que apagasse todo e qualquer vestígio de sanidade, de racionalidade.

Leninha... aquela intimidade com o saxofonista... Catarina Sampaio, a vítima... Helena sentira que a conhecia de algum lugar, mas não conseguira encaixar direito de onde... encontros de elevador não explicavam aquela sensação forte de familiaridade... A música não parava, estava invadindo cada vez mais todos os sentidos e todos os espaços de Helena. “Preciso fazer com que algo faça sentido logo, ou vou apagar”. E, vagarosamente, as coisas começavam a fazer sentido, mas um sentido estranho. Helena começou a entender o porquê da sensação de tédio em sua vida, o porquê do cansaço extremo que sentia quando acordava 6h15 da manhã e o porquê de ficar apertando o botão de soneca. O porquê da sensação de semivida. O porquê da ironia de Seu Jorge, o porteiro, perguntando se Marcelo estava a incomodando com o barulho... o barulho era dela! Eram seus gritos e gemidos, vindos do apartamento do saxofonista, não a música! Não, não podia pensar na música, precisava se concentrar e entender essa bagunça toda. Frases, sensações e imagens dessa segunda-feira estranha vinham à sua mente e adquiriam novo significado. A sensação de semivida... Adorava apontar seus lápis com canivete, sentia até alguma espécie de prazer com aquilo... A vítima, que não parecia estar com medo, fumando um cigarro atrás do outro... o rosto de Marcelo no retrato falado...

O rosto de Marcelo de madrugada, muitas madrugadas, lençóis, travesseiros, chuveiro, o saxofone no canto do quarto, o relógio marcando 4 horas da manhã. Por que Helena não se lembrava de todas essas coisas? Por que só agora, com essa música, a verdade veio à tona?

Uma nota grave, profundamente grave, fez com que Helena engolisse em seco. Entendeu tudo em uma fração de segundos. Ela tinha uma segunda vida. De que nem ela mesma sabia. Uma vida de madrugada, diferente da vida de durante o dia. Uma vida inconsciente. Marcelo só conhecia a Leninha, essa da noite. Mas e ela? Quem ela conhecia de fato? Quem era ela de fato? O que ela tinha a ver com Catarina, com o estupro, com toda essa história?

Sentiu que ia desmaiar. Mas era somente a música de Marcelo arrastando seus últimos fios de consciência, levando embora Helena e deixando Leninha em seu lugar.

Sorrindo, Leninha retira da bolsa um cigarro e o acende, observando a pequena estrela tatuada no dorso de sua própria mão, que segurava o isqueiro.


O fim de tudo isso? Amanhã, no blog do Du.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

E então eu estou dirigindo pela rua e juro que te vejo no banco do motorista no carro ao lado. Vou atrás, mas não é você. E então eu me pergunto o que estou querendo da vida, se eu sei o que estou fazendo, se eu sei no que isso pode dar, se eu sei o quanto posso me ferrar, te ferrar. Se eu sei o tamanho dessa loucura dentro da minha cabeça.

E então eu me lembro dos seus olhos dentro dos meus e eu derreto. Lembro do formato deles, tão bonito. Lembro da paz que me dá, lembro do cheiro de amaciante. E lembro que devo estar ficando louca. É, talvez eu esteja.