Eu deitei pra ler um pouco, coisa
que há muito tempo não fazia, com a correria na qual a minha vida se
transformou ultimamente. Deitei, li e acabei dormindo pesado. Tão pesado que
sonhei. E sonhei com você. Lá estava você, no meu sonho, e era natural, como é
estar ao seu lado. E era bom, como é de verdade quando você está por perto. Era
calmo, como você. No meu sonho, você sentava pra ver TV com meus pais enquanto
eu lavava uma louça de tuppewares que não acabava nunca, potes de todas as
cores, já limpos, e eu lavava e lavava, e eles faziam espuma, e eu lavava mais.
E todos nós conversávamos. E meus pais te adoravam, apesar de ser a segunda vez
que te viam. Adoravam você como eu adorava no sonho, e mesmo eu ali numa espuma
de louça infinita, mesmo assim eu me sentia calma, porque olhava pra você e
dava com o seu olhar calmo, do jeitinho que ele é na vida real. E foi só isso
que aconteceu, nada mais. Como na vida real, em que nada acontece. Mas eu ali
no sonho lavava louça e escutava sua voz mansa, e ria junto com a sua risada
contagiante, e ficava calma com o seu olhar calmo, e o fato de você estar lá me
enchia de alegria, mas não de euforia, uma alegria calma, que eu não sei o que
é há muito tempo. E minha mãe não acreditava que a gente era só amigo, e ficava
dando aquelas indiretas que me enchiam de vergonha, mesmo no sonho, parece que
meu corpo, dormindo, sentia a pele esquentar pela vergonha que eu sentia no
sonho. Mas você não ligava, só fazia aquela cara simpática que você faz com
todo mundo, me olhava com aquele olhar calmo e intenso ao mesmo tempo, e eu
sabia que tudo ia ficar bem, que tudo estava bem, que você estava lá. E a
espuma dos tuppewares só crescia, eles brilhando de tão limpos, e eu ali
lavando, e eles não acabavam nunca, mas eu nem tinha pressa, porque não sabia o
que ia acontecer quando eu acabasse de lavar. Meus pais te adoraram logo, como
aconteceu comigo. Afinidade é uma coisa louca. Desde o primeiro momento eu
curti, que coisa maluca. E agora ali estava você no meu sonho, do mesmo jeito
que chegou na minha vida, sem avisar, sem se anunciar, foi chegando e sentou no
sofá da minha alma, começou a bater papo e de repente cá estou eu sonhando com
você. E é tudo tão calmo e de boa que me assusta. Quando acordo, penso, com o
coração disparado, “Caralho, sonhei com ele!”. Medo do que isso significa. Eu
sei que foi porque vi você no Face como amigo em comum de uma pessoa em cujo
perfil entrei. Foi só isso. Bastou. Ver sua foto por um segundo fez com que
você aparecesse no meu sonho, entre conversas de pai, água gelada e espumas
infinitas. E eu tinha que escrever isso, colocar pra fora, porque senão vou
enlouquecer. Porque eu não tenho esse olhar calmo, essa fala mansa, porque aqui
dentro de mim é correnteza, é olhar de mira a laser, é bateria de escola de
samba. E se eu não coloco isso pra fora, eu enlouqueço. Pronto. Já posso vestir
a máscara da indiferença de novo, a cara de surpresa e de “Oi, tudo bem”, a
expressão de “nem tinha visto que você chegou”, quando a verdade é que assim
que você pisou no ambiente eu comecei a respirar melhor. Louca, eu sei. E nem é
nada. Se você me perguntar o que isso significa, eu não sei. Eu não sei o que
sinto, não é assim simples, coisas de novela, não é Malhação. Eu só gosto
demais da sua presença, da sua companhia, e por enquanto é só isso. E nem pode
ser mais que isso. Enquanto você leva sua vida, conquistando as pessoas com sua
conversa boa, sua fala calma e seu olhar manso, eu fico aqui lavando louça, com
um sorriso besta de canto de boca, me perdendo na espuma que só aumenta e
torcendo pra ela não acabar nunca, pra ela crescer e me cobrir, e assim ninguém
vai ver o meu olho que brilha quando você chega. E é só isso.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Minhas impressões sobre o Tinder.
Então. Eu resisti, relutei. Achava uó. Achava bizarro esse catálogo de gente querendo se pegar, esse QUERO/NÃO QUERO baseado em uma foto. Ouvia histórias péssimas, de encontros desastrosos. Mas tão divertidas, que resolvi ver qual era. Olha, alguns dias depois, tenho algumas considerações, algumas delas um tanto quanto preconceituosas, então perdoem-me logo de cara. Ou não, foda-se.
1) É impressionante a quantidade de homens com fotos em barcos, aviões ou meios de transporte não convencionais. Eu só dou risada. Jura que é isso que te define?? Jura que é isso que você escolhe pra passar uma primeira impressão? Pra encantar as pessoas? Bom, faço a risada do Sheldon e aplico logo um NÃO.
2) Tô impactada com a metrossexualidade dos caras. Juro. É que eu tenho um bando de amigo viado (um bando meeeesmo), então talvez eu esteja mal-acostumada, mas juro que quando vejo determinadas fotos e vejo que o cara está ali procurando mulher, penso que talvez ele esteja um pouco enganado a respeito de si mesmo. Se a sobrancelha do cara é mais bem feita do que a minha, aplico logo um NÃO. Se a foto dele é no espelho do banheiro levantando a camiseta e mostrando o tanquinho, aplico logo um NÃO. O que um cara desses vai querer comigo, a sedentária-gordinha-academia-I-hate-you? O que eu vou querer com um cara desses? Gente, juro, tinha um cara cuja foto era da sunga branca, marcando o pau. Risos, né? Tasco logo um NÃO.
3) Tudo bem que eu SuzanaVieirei e coloquei a idade a partir de 19, mas tem um povo tão Malhação que eu fico assustada. A juventude anda muito besta. Galera fumando Leite Ninho no narguilé. Rio de mim mesma, que é que eu tô pensando?, e mando um NÃO.
4) Foto de farda, óculos espelhado colorido, foto no espelho da academia, foto com mulher, foto com óleo no corpo, deitado na cama sem camisa, ai, gente, pera que tem lágrimas no meu olho de tanto gargalhar...
5) É muito legalzinho quando você curte alguém e a pessoa também te curte. Tipo, jura que esse cara que eu achei bacaninha me achou bacaninha também? :)
6) "Ai, como você é louca, preconceituosa, desse jeito vai morrer sozinha, você não gosta de nada, você julga as pessoas"... Pera, mas não é assim pra todo mundo, até pra quem mete esse discurso politicamente correto na frente e continua agindo e sentindo como sempre, por mais que não admita? E esse lance todo de Tinder não é, basicamente, um julgamento que se faz, com base em uma foto?
7) Sabe o que é mais legal? É, num mar de gente igual, de gente nada a ver comigo, encontrar ilhas de estranheza. Eu sempre gosto dos estranhos. E tem estranhos do jeito que eu gosto no Tinder. Assim, um a cada 50, mas tem. :) Tô aqui me divertindo.
sábado, 19 de julho de 2014
Tanto bate até que.
Então às vezes me dá uma vontade de estragar tudo. Carência, eu bem sei. Vontade de voar no pescoço e de usar todas aquelas armas que eu sei que tenho mas que guardo. Porque eu acredito que seria tão mais bonito vencer sem usá-las. Tão mais interessante acontecer assim num dia perfeito, sem aviso, água mole furando a pedra dura depois de tanto tempo. Tanta gente por aí usando furadeira, e eu aqui na água mole, insistente, mas mole, que só vence com o tempo. É que aquele furinho de furadeira é tão feio perto da beleza do desgaste da rocha, que só acontece com a insistência, com a paciência, quando a gente não aguenta mais e daí percebe que tem um pedacinho de pedra se soltando, daí a gente faz cara de paisagem e solta o último suspiro de água, aquele que a gente sabe que vai fazer tudo desmoronar, e vai ser lindo, a pedra dura caindo nos braços da água mole, que a recebe com cara de que nem sabia que ia acontecer, mas no fundo dos olhos você pode perceber que, desde a primeira onda, ela tinha a intenção de fazer tudo desmoronar, ruir, romper, rocha caindo na água e levantando respingos. Vida de água é muito difícil. As furadeiras e britadeiras se dependuram no primeiro momento, fazem um barulho ensurdecedor, conseguem o que querem na hora em que querem. Mas o que conseguem? Um furinho. Eu nunca quero só um furinho. Quero a rocha toda caindo, desmoronando, sem defesa, sem perceber, sem anúncio, acidente geográfico, catástrofe não anunciada, desastre ambiental. Mas é que leva tanto tempo. Pra rocha se soltar, é preciso paciência. Espera. Um passo pra frente e dois pra trás. Noites secas e intermináveis, rindo de si mesma, do ridículo que é ser água, da sede absurda que não se pode matar com um copinho, com um furinho. Talvez furadeiras sejam mais felizes, com seus vários furinhos constantes em diferentes rochas. Eu não sou assim. Eu sou água, mirando a pedra dura, mandando ondas e mais ondas e mais ondas. E esperando. Dizem que tanto bate até que fura. Esperemos. Guardo de volta a broca no estojo, rindo de mim mesma por ter pensado em usá-la, e solto mais uma onda. Esperando.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Eu sou do tempo em que circo tinha animais. Meus pais me levavam no circo, compravam pipoca, pirulito, tirávamos aquelas fotinhos que vinham num prisma pra gente ver olhando pra luz. Eu me lembro da serragem, do cheiro dos animais, da capa do mágico. Sou do tempo em que criança não precisava de cadeirinha pra andar no carro, andava no colo dos adultos mesmo, e isso não era crime. Sou do tempo em que as crianças brincavam de bola e andavam de bicicleta. Meu avô tinha uma chácara em Salto, e a gente ia pra lá todo fim de semana, nadava, andava de bike, chupava laranja do pomar, jogava bola na piscina e, depois do banho, jogava um jogo de baralho ou de tabuleiro, depois deitava na rede no escuro pra ouvir as estórias (com E) de medo que meu avô contava. Eu sou do tempo em que se escreviam cartas. Quando eu era criança, meus pais me levavam pra um hotel fazenda nas férias de inverno, eu fazia amigas e trocávamos cartas por algum tempo. Sou do tempo em que não havia celular: celular era coisa futurista, telefone no carro passava em filme quando algum personagem era muito rico. Se a pessoa não estava em casa, a gente esperava pra falar com ela, e ninguém morria por isso. Sou do tempo em que não havia Internet, e a gente fazia as pesquisas escolares nas bibliotecas públicas, em folhas de papel almaço (eu, que sempre fui nerd e nunca fui rica, morria de vontade de ter a Enciclopédia Barsa, ou mesmo a Larousse, mas meus pais nunca puderam comprar; e as minhas notas sempre foram as melhores da classe, ou sempre estiveram entre as melhores). Eu sou do tempo em que ficar de recuperação na escola era uma coisa gravíssima. Sou do tempo em que os filhos apanhavam dos pais, e eu apanhei pra cacete, de cinta, de chinelo, de tapa mesmo. Até na boca. Nunca adiantou, basta ver minha boca suja de hoje. Mas apanhei pra caralho. Eu sou do tempo em que os adolescentes faziam bailinho nas garagens, e as meninas ficavam sentadas encostadas na parede, e os meninos nos tiravam pra dançar. A gente dançava músicas lentas, tipo Bryan Adams ou as baladas do Guns, não era funk nem arrocha. Sou do tempo em que a gente trocava bilhetinhos na aula, não SMS. Sou do tempo em que as pessoas que nunca tinham beijado na boca eram chamadas de BV. Sou do tempo em que as pessoas colecionavam papel de carta, minha mãe comprava pra mim na feira todo sábado, e eu tinha várias pastas. As meninas trocavam papel de carta, pulavam elástico (eu era foda nisso, creiam), brincavam de Barbie, colavam decalques no caderno (e eu sempre estragava os meus, deixava demais na água). Sou do tempo de tomar chá com a avó, e molhar a bolacha maisena no chá até ficar molinha. Sou do tempo em que unha vermelha era coisa de biscate, mas eu sempre adorei, desde pequena. Sou do tempo em que gravávamos músicas em fitas K7; ficávamos esperando aquela música linda tocar na rádio, daí corríamos e soltávamos o pause, e o começo da música sempre vinha zicado, com propaganda da rádio, ou porque perdíamos o começo, mesmo. Quando queria uma letra de música, a gente comprava o vinil (ou mesmo a fita, na feira), ou então, quando a grana tava curta, comprávamos aquelas revistinhas que traziam as músicas cifradas. Ou, pior, ficávamos dando pause na fita K7 e escrevendo a letra. Sou do tempo em que saber a letra de Faroeste Caboclo de cor e salteado era uma coisa de ostentação, para poucos (eu sabia). Sou do tempo de chorar "por amor" ouvindo as trilhas sonoras internacionais das novelas da Globo. Sou do tempo em que namorada e namorado não ficavam sozinhos em casa jamais, o que nunca nos impedia de fazer várias coisas que nossos pais nem imaginavam. Sou do tempo em que se fumava nas baladas, e a gente chegava em casa com o sutiã cheirando a cigarro. Sou do tempo em que se saía do cinema e se acendia um cigarro, em plena praça de alimentação do shopping.
Eu olho assim, bem pra trás, nessa véspera de aniversário, e vejo que as coisas eram diferentes até um certo ponto. Depois dos 18, parece que não tem muita diferença, pelo menos não no comportamento, apesar da tecnologia. Eu bebia, passava mal, vomitava, daí aprendi a beber. Eu me apaixonei, desapaixonei, apaixonei de novo, desapaixonei de novo, tantas vezes, e fiz tantas burradas, tantas cagadas, mas também tantas coisas lindas. Vivi diferentes vergonhas, e momentos maravilhosos. Perdi parentes amados, e a vida seguiu em frente. Conheci muita gente, e deixei vários pelo caminho, pedindo carona, ou mesmo abandonados. Alguns eu queria recuperar; outros, preferia que morressem. Aprendi a trabalhar, a ganhar meu dinheiro, mas ainda não aprendi a gastar direito. Conheci lugares, cantei, dancei, sapateei, atuei, fiz amigos, perdi amigos também, gostei de muita gente, mas não tenho bem certeza de ter amado.
Eu sou do tempo em que a gente fazia um exame de consciência na véspera do aniversário. E sou do tempo em que aniversário era coisa muito importante, era um dia especial. Tem coisas que nunca mudam. Ainda gosto dos jogos de baralho e tabuleiro, ainda acho recuperação uma coisa gravíssima, ainda adoro unhas vermelhas, ainda gostaria que o cara me tirasse pra dançar uma balada do Guns, ainda tenho pudores e tabus com meus pais em relação a sexo, ainda sei a letra de Faroeste Caboclo, ainda acho meu aniversário um dia muito importante, por mais que a vida insista em me fazer virar adulta e queira me mostrar que o dia 7 de maio é somente um dia do ano, comum, e que me encha de tarefas cotidianas, e que não dê tempo pros amigos fazerem mais do que mandar uma mensagem nas redes sociais, e que me faça ir atrás de arrumar meu chuveiro bem nesse dia, ou de ir na consulta com a ginecologista, ou que me deixe de presente pacotes de provas pra corrigir. Apesar de tudo isso, amanhã ainda é o meu dia. Eu sou desse tempo, fazer o quê?
Eu olho assim, bem pra trás, nessa véspera de aniversário, e vejo que as coisas eram diferentes até um certo ponto. Depois dos 18, parece que não tem muita diferença, pelo menos não no comportamento, apesar da tecnologia. Eu bebia, passava mal, vomitava, daí aprendi a beber. Eu me apaixonei, desapaixonei, apaixonei de novo, desapaixonei de novo, tantas vezes, e fiz tantas burradas, tantas cagadas, mas também tantas coisas lindas. Vivi diferentes vergonhas, e momentos maravilhosos. Perdi parentes amados, e a vida seguiu em frente. Conheci muita gente, e deixei vários pelo caminho, pedindo carona, ou mesmo abandonados. Alguns eu queria recuperar; outros, preferia que morressem. Aprendi a trabalhar, a ganhar meu dinheiro, mas ainda não aprendi a gastar direito. Conheci lugares, cantei, dancei, sapateei, atuei, fiz amigos, perdi amigos também, gostei de muita gente, mas não tenho bem certeza de ter amado.
Eu sou do tempo em que a gente fazia um exame de consciência na véspera do aniversário. E sou do tempo em que aniversário era coisa muito importante, era um dia especial. Tem coisas que nunca mudam. Ainda gosto dos jogos de baralho e tabuleiro, ainda acho recuperação uma coisa gravíssima, ainda adoro unhas vermelhas, ainda gostaria que o cara me tirasse pra dançar uma balada do Guns, ainda tenho pudores e tabus com meus pais em relação a sexo, ainda sei a letra de Faroeste Caboclo, ainda acho meu aniversário um dia muito importante, por mais que a vida insista em me fazer virar adulta e queira me mostrar que o dia 7 de maio é somente um dia do ano, comum, e que me encha de tarefas cotidianas, e que não dê tempo pros amigos fazerem mais do que mandar uma mensagem nas redes sociais, e que me faça ir atrás de arrumar meu chuveiro bem nesse dia, ou de ir na consulta com a ginecologista, ou que me deixe de presente pacotes de provas pra corrigir. Apesar de tudo isso, amanhã ainda é o meu dia. Eu sou desse tempo, fazer o quê?
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Cadu
(Dando uma busca no meu e-mail achei esse texto que escrevi nem lembro quando, pra um amigo que eu amo, mesmo longe; quer dizer, ele mora na minha cidade, mas a gente tá meio longe. E, lendo isso, eu me pergunto por que a gente tá longe se eu gosto tanto dele. Por que, heim, Cadu?)
O Cadu é de Pato Branco. E o Cadu é branco, bem branquinho. Ele dirige a Miss Sunshine, q é um carro muito engraçado, como ele... a gente olha pro carro e diz tcs, tcs, não dá nada por ele, acha q não vai chegar na esquina... mas chega, como o Cadu. O Cadu é assim, atrapalhado, faz coisas q a gente fala tcs, tcs, acha q ele não vai chegar na esquina. Mas ele chega. E chega mais longe até. O Cadu dorme de edredom, de lado ou de bruços. O Cadu sempre perde as chaves. O Cadu vive no mundo dele, O Fantástico Mundo de Cadu. O Cadu come coisas saudáveis, nunca fuma, odeia cigarro, toma Ades, iogurte e come cereal. O Cadu fica contando os dias pra eu parar de fumar. O Cadu gosta de me irritar em competições, quaisquer que sejam. O Cadu tem letrinha de criança, e sempre ganha no Jogo da Enciclopédia. O Cadu joga War bem, mas sempre se fode pq fica no meu pé, fica muito preocupado comigo e se esquece dos outros caras conquistando o mundo. O Cadu adora me foder no War, eu nunca vi!! O Cadu é o único q consegue me derrubar no Twister, e ele nunca mais jogou comigo porque tem medinho. O Cadu vira estrela, dá cambalhota, passa por cima do braço e levanta, consegue levantar sem colocar as mãos no chão, um verdadeiro acrobata. O Cadu gosta de sentar de cócoras na cadeira qdo tá pensando em alguma jogada. O Cadu tem mania de ficar passando a mão no ombro e no peito, com os braços cruzados. O Cadu fala devagar, baixo, e sempre diz "Caramba...", "Puxa vida, heim?..." e "Cê tá de brincadeira... só pode...". O Cadu às vezes esquece de escovar os dentes antes de dormir, mas se o Rafa ou eu lembramos, ele levanta e vai escovar. O Cadu tem medo do meu tapa-olho. O Cadu é enrolado, demora muito pra fazer as coisas, eu tenho vontade de matar ele de vez em quando. Mas tudo sai direitinho, no tempo dele. O Cadu, vira e mexe, tá com cabelo de maluco. O Cadu tem roupinhas bonitinhas, camisa de lençol e uma camisa vermelha q eu acho linda. O lençol da cama dele não pára nunca no colchão, e ele diz q é pq o colchão é maior q o normal. O Cadu toca acordeom só depois q todo mundo vai dormir. O Cadu sabe ouvir a gente, ele presta atenção nas coisas q a gente diz, principalmente naquelas q vc espera q ele esqueça. Ele não esquece. Ele sabe te escutar, não só por educação, ele se interessa de verdade pelo q vc fala, e ele sempre tem algo a dizer. E ele não diz só o q vc quer ouvir, não... ao contrário, ele diz coisas q sabe q vc não quer ouvir, mas precisa... e diz com aquele jeitinho de falar manso... dizendo as verdades mais verdadeiras e q mais dóem de um jeito calmo q vc nem tem como ficar brava com ele, nem tem como discordar. Pode tentar. Mas ele vai manter a opinião dele. O Cadu é não-emotivo, ativo e secundário. Um fleumático. Ele ficou mais de 2 horas pra arrumar as coisas pra ir pra Cascavel. E mais de uma hora vendo o mapa antes de sair, e fazendo caminhos alternativos pro caso de não dar certo. O Cadu é meu parceiro de truco, mas ele quase nunca dá sinal. Às vezes ele sai com a mão cheia, outras vezes truca cheio de merda na mão. O Cadu tomava Cuba Libre na mamadeira em Pato Branco (surreal). O Cadu não faz uma coisa q ele não queira, q ele não ache certo. Ele nunca vai gritar, mas falando manso ele demonstra seu ponto de vista e não faz mesmo algo q não queira fazer. O Cadu vai fazer as coisas e esquece o q ia fazer, ele vai no quarto e esquece o q foi fazer lá, ele abre a geladeira e esquece o q ia pegar. O Cadu faz um arroz bom. O Cadu é um cavalheiro. O Cadu tem mãos grandes e brancas, e qdo ele toca piano a gente tem vontade de se afundar na poltrona azul e morrer ali mesmo, quieto, ouvindo. Mas qdo ele toca o piano desafinado, a gente quer morrer, ou matar. Nessas horas, se a gente tivesse uma única arma com uma única bala pra matar uma única pessoa no planeta inteiro, o tiro ia sair bem no meio da testa do Cadu. O Cadu toma banho num chuveiro q ou é muito quente, ou muito frio. O Cadu gosta de Dove. O Cadu estuda a mesma música quinhentas vezes, em todos os tons possíveis e imagináveis, e a gente quer se jogar da ponte. O Cadu entende de computadores. O Cadu faz cara de passarinho. O Cadu acredita nos frentistas de posto q zoam com ele. O Cadu me empresta o pijama e o lençol. O travesseiro do Cadu tem um cheiro bom. O Cadu tem 23 anos, só. Eu demorei pra acreditar nisso, mas é verdade. O Cadu come bastante, e bem devagar. O Cadu não vê televisão. O Cadu vai pra Unicamp de carro. O Cadu dorme tarde, de madrugada. O Cadu é um exterminador de pernilongos. O Cadu sabe fazer uma cuba bem fraquinha, mas gostosa à beça. O Cadu nunca fica falando "Nossa, fulana é gostosa", "fulana eu pegava", pelo menos nunca na minha frente. Um gentleman. O Cadu gosta de me irritar, só pra me ver nervosa. O Cadu parece desligado, mas ele é muito inteligente, e presta atenção nos detalhes das coisas. Às vezes vc tá falando com ele e ele tá com uma cara de bobo, vc tá explicando uma coisa e vc poderia jurar q ele não tá entendendo patavina, de repente ele diz algo q vc nem tinha pensado ainda e vc vê q ele tava ouvindo tudo e pensando junto com vc. O Cadu digita no teclado do computador com todos os dedos (afinal, ele é um pianista!). O Cadu imita uma bichinha perfeita. A orelha do Cadu deve ser boa, pq o Marcão morde ela todo dia. O Cadu sempre tem alguma coisa pra comer na casa. O Cadu tem paciência pra me ensinar uma frase melódica q eu acho difícil (ele ensina de um jeito q eu aprendo). O Cadu comprou uma lata de Nescau só pq era anatômica. O Cadu tem um monte de MP3 no computador e ele nuca ouviu nem a metade. Ele tem várias vezes a mesma música, mas ele não apaga pq são de álbuns diferentes, daí ele nunca vai saber se era um "Grande Nome" ou um "Sucesso Inesquecível". O Cadu queria comer chocotone com patê de fígado de frango. O Cadu gosta de músicas de cortar os pulsos, como eu. O Cadu fala "que tal que " ao invés de "vai que". Que tal que eu toco? Todo mundo acha o Cadu meio maluco, mas no fundo, no fundo, todo mundo ama o Cadu. No fundo, no fundo, eu amo o Cadu. E espero poder estar sempre por perto, pra um dia tentar entender melhor como funciona O Fantástico Mundo de Cadu, e às vezes fazer parte dele. O Cadu faz falta. E eu já tô morrendo de saudades dele.
O Cadu é de Pato Branco. E o Cadu é branco, bem branquinho. Ele dirige a Miss Sunshine, q é um carro muito engraçado, como ele... a gente olha pro carro e diz tcs, tcs, não dá nada por ele, acha q não vai chegar na esquina... mas chega, como o Cadu. O Cadu é assim, atrapalhado, faz coisas q a gente fala tcs, tcs, acha q ele não vai chegar na esquina. Mas ele chega. E chega mais longe até. O Cadu dorme de edredom, de lado ou de bruços. O Cadu sempre perde as chaves. O Cadu vive no mundo dele, O Fantástico Mundo de Cadu. O Cadu come coisas saudáveis, nunca fuma, odeia cigarro, toma Ades, iogurte e come cereal. O Cadu fica contando os dias pra eu parar de fumar. O Cadu gosta de me irritar em competições, quaisquer que sejam. O Cadu tem letrinha de criança, e sempre ganha no Jogo da Enciclopédia. O Cadu joga War bem, mas sempre se fode pq fica no meu pé, fica muito preocupado comigo e se esquece dos outros caras conquistando o mundo. O Cadu adora me foder no War, eu nunca vi!! O Cadu é o único q consegue me derrubar no Twister, e ele nunca mais jogou comigo porque tem medinho. O Cadu vira estrela, dá cambalhota, passa por cima do braço e levanta, consegue levantar sem colocar as mãos no chão, um verdadeiro acrobata. O Cadu gosta de sentar de cócoras na cadeira qdo tá pensando em alguma jogada. O Cadu tem mania de ficar passando a mão no ombro e no peito, com os braços cruzados. O Cadu fala devagar, baixo, e sempre diz "Caramba...", "Puxa vida, heim?..." e "Cê tá de brincadeira... só pode...". O Cadu às vezes esquece de escovar os dentes antes de dormir, mas se o Rafa ou eu lembramos, ele levanta e vai escovar. O Cadu tem medo do meu tapa-olho. O Cadu é enrolado, demora muito pra fazer as coisas, eu tenho vontade de matar ele de vez em quando. Mas tudo sai direitinho, no tempo dele. O Cadu, vira e mexe, tá com cabelo de maluco. O Cadu tem roupinhas bonitinhas, camisa de lençol e uma camisa vermelha q eu acho linda. O lençol da cama dele não pára nunca no colchão, e ele diz q é pq o colchão é maior q o normal. O Cadu toca acordeom só depois q todo mundo vai dormir. O Cadu sabe ouvir a gente, ele presta atenção nas coisas q a gente diz, principalmente naquelas q vc espera q ele esqueça. Ele não esquece. Ele sabe te escutar, não só por educação, ele se interessa de verdade pelo q vc fala, e ele sempre tem algo a dizer. E ele não diz só o q vc quer ouvir, não... ao contrário, ele diz coisas q sabe q vc não quer ouvir, mas precisa... e diz com aquele jeitinho de falar manso... dizendo as verdades mais verdadeiras e q mais dóem de um jeito calmo q vc nem tem como ficar brava com ele, nem tem como discordar. Pode tentar. Mas ele vai manter a opinião dele. O Cadu é não-emotivo, ativo e secundário. Um fleumático. Ele ficou mais de 2 horas pra arrumar as coisas pra ir pra Cascavel. E mais de uma hora vendo o mapa antes de sair, e fazendo caminhos alternativos pro caso de não dar certo. O Cadu é meu parceiro de truco, mas ele quase nunca dá sinal. Às vezes ele sai com a mão cheia, outras vezes truca cheio de merda na mão. O Cadu tomava Cuba Libre na mamadeira em Pato Branco (surreal). O Cadu não faz uma coisa q ele não queira, q ele não ache certo. Ele nunca vai gritar, mas falando manso ele demonstra seu ponto de vista e não faz mesmo algo q não queira fazer. O Cadu vai fazer as coisas e esquece o q ia fazer, ele vai no quarto e esquece o q foi fazer lá, ele abre a geladeira e esquece o q ia pegar. O Cadu faz um arroz bom. O Cadu é um cavalheiro. O Cadu tem mãos grandes e brancas, e qdo ele toca piano a gente tem vontade de se afundar na poltrona azul e morrer ali mesmo, quieto, ouvindo. Mas qdo ele toca o piano desafinado, a gente quer morrer, ou matar. Nessas horas, se a gente tivesse uma única arma com uma única bala pra matar uma única pessoa no planeta inteiro, o tiro ia sair bem no meio da testa do Cadu. O Cadu toma banho num chuveiro q ou é muito quente, ou muito frio. O Cadu gosta de Dove. O Cadu estuda a mesma música quinhentas vezes, em todos os tons possíveis e imagináveis, e a gente quer se jogar da ponte. O Cadu entende de computadores. O Cadu faz cara de passarinho. O Cadu acredita nos frentistas de posto q zoam com ele. O Cadu me empresta o pijama e o lençol. O travesseiro do Cadu tem um cheiro bom. O Cadu tem 23 anos, só. Eu demorei pra acreditar nisso, mas é verdade. O Cadu come bastante, e bem devagar. O Cadu não vê televisão. O Cadu vai pra Unicamp de carro. O Cadu dorme tarde, de madrugada. O Cadu é um exterminador de pernilongos. O Cadu sabe fazer uma cuba bem fraquinha, mas gostosa à beça. O Cadu nunca fica falando "Nossa, fulana é gostosa", "fulana eu pegava", pelo menos nunca na minha frente. Um gentleman. O Cadu gosta de me irritar, só pra me ver nervosa. O Cadu parece desligado, mas ele é muito inteligente, e presta atenção nos detalhes das coisas. Às vezes vc tá falando com ele e ele tá com uma cara de bobo, vc tá explicando uma coisa e vc poderia jurar q ele não tá entendendo patavina, de repente ele diz algo q vc nem tinha pensado ainda e vc vê q ele tava ouvindo tudo e pensando junto com vc. O Cadu digita no teclado do computador com todos os dedos (afinal, ele é um pianista!). O Cadu imita uma bichinha perfeita. A orelha do Cadu deve ser boa, pq o Marcão morde ela todo dia. O Cadu sempre tem alguma coisa pra comer na casa. O Cadu tem paciência pra me ensinar uma frase melódica q eu acho difícil (ele ensina de um jeito q eu aprendo). O Cadu comprou uma lata de Nescau só pq era anatômica. O Cadu tem um monte de MP3 no computador e ele nuca ouviu nem a metade. Ele tem várias vezes a mesma música, mas ele não apaga pq são de álbuns diferentes, daí ele nunca vai saber se era um "Grande Nome" ou um "Sucesso Inesquecível". O Cadu queria comer chocotone com patê de fígado de frango. O Cadu gosta de músicas de cortar os pulsos, como eu. O Cadu fala "que tal que " ao invés de "vai que". Que tal que eu toco? Todo mundo acha o Cadu meio maluco, mas no fundo, no fundo, todo mundo ama o Cadu. No fundo, no fundo, eu amo o Cadu. E espero poder estar sempre por perto, pra um dia tentar entender melhor como funciona O Fantástico Mundo de Cadu, e às vezes fazer parte dele. O Cadu faz falta. E eu já tô morrendo de saudades dele.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Eu fico impressionada com a força do pensamento. Juro! De verdade. Chega a me dar um calor aqui no peito, depois um gelo de medo. Jura que o meu cérebro tem esse poder todo? Jura que aquelas coisas que eu imaginei antes de dormir e que eu não posso contar pra ninguém acontecem numa escala muito menor, mas muito parecido com o que eu pensei? Eu fico assustada com as nossas conversas, assustada quando você quer me abraçar, e eu fujo do abraço só pra entrar na brincadeira, mas no fundo é porque eu não posso, e também porque eu morro de medo, porque quando você vem pra me abraçar eu penso "peraí, porra, isso é quase como eu imaginei" e me dá um gelo do caralho na nuca. Eu fico em pânico quando você fala uma frase que eu te imaginei dizendo, escorre uma gota imaginária de suor frio e eu penso "caralho, que bizarro!". Eu escuto o seu convite e tremo nas canelas porque, porra, eu imaginei quase assim. É assustador. É uma delícia, mas é assustador.
domingo, 20 de outubro de 2013
Fantasma
Sabe quando você é visitado por um fantasma? Um fantasma do passado. Mas pensa bem do passado mesmo, e não só porque já faz muitos anos, mas porque o fantasma era você, mas você no começo. Quando tudo era lindo, lembra?
Começou sem querer. E na verdade, vamos deixar claro desde já que isso não significa nada. Isso não muda nada, porque eu consegui, hoje eu consigo pensar em você e nem raiva mais eu sinto. Juro mesmo. Ficou mais o hábito de falar mal de você do que qualquer sentimento de verdade, mesmo os ruins. Então, não, esse não é um post de saudade, nem de vontade, é somente um post do dia em que o fantasma de você no início me visitou. E isso não muda o fato de você ter sido e ser um cuzão, não muda nada, mas eu precisava contar aqui.
Começou porque eu passei sem querer em frente da casa onde a gente morou. É bizarro passar ali, acho que eu não passava há um bom tempo. E foram muitas coisas ruins naquela casa, e a primeira coisa que eu lembrei foi da nossa briga, a última, naquela rua, em frente àquela casa. Mas depois eu lembrei outras coisas. Lembrei da noite na Courier, lembrei de muitas noites incríveis naquele quarto pequeno, lembrei de tantos filmes naquela TV gigante, lembrei da piscina, da banheira, da cama, o que eu mais lembrei foi a cama, porque era onde a gente mais ficava, mesmo. E era tão legal, vamos ser sinceros. Era legal pra caralho, no começo. O que não muda em nada o fim.
Daí que eu fui pra um lugar em que o som era você. Era a sua cara. Era você. Você ia ter curtido muito, e eu até sei a cara que você ia fazer, sei como ia balançar a cabeça, sei como ia dançar e eu ia morrer de rir, e você ia rir junto e ia ser assim. Daí eu lembrei de tantas baladas dessas que a gente viu junto, de tantos shows e de tantos lugares, lembrei de uma noite no Informal (há milênios) que a gente teve que sair correndo pra casa porque não conseguia ficar perto um do outro sem se comer. Lembrei de um show que a gente fez e que depois foi uma coisa tão incrível, essa é uma noite que eu me lembro muito bem. Lembro das caras que você fazia em determinados solos, lembro das nossas piadas nos solos de piano, lembro das gargalhadas por causa dessas caras. Lembro que a gente nunca precisou beber muito pra se divertir, porque você me fazia morrer de rir, e o nosso lance era o som, não a bebida, a gente não precisava ser outras pessoas, nós mesmos éramos o que a gente queria ser e o que queria que o outro fosse. Tá, tem aquele outro lance, mas isso também fazia parte, principalmente de você. Era muito legal curtir um som do seu lado. O que não muda em nada o fim.
É que foi muito estranho estar num lugar que era tão a sua cara, e estar sem você. E não é que eu quisesse que você estivesse lá, por favor, entenda, você sempre foi muito inteligente. É que eu acho que não estou acostumada a estar num lugar tão você, num som tão você, mas sem você. Não que seja ruim. Eu me diverti. Mas é uma forma diferente de diversão, e é muito louco comparar. Eu não queria o meu namorado do começo de volta, não. Eu não quis você lá. Mas era como se você fosse entrar a qualquer momento, segurar minha mão, fazer uma piada com o agudo do teclado e a gente ia cair na gargalhada. E não foi triste isso não acontecer, foi só diferente. Ninguém vibrava comigo no solo de trombone, ninguém ria do chicken groove, e daí eu vi como estamos velhos, como passou tanto tempo daquele tempo, aquele tempo em que você era legal e eu era legal, e a gente era legal junto, e hoje somos pessoas tão diferentes, e tudo bem isso, mas sei lá.
Eu não tenho medo de fantasma. Não desse, pelo menos, porque é tão irreal que nem assusta. Na real, o seu fantasma me traz o meu próprio fantasma, aquela Juliana que eu fui há tantos anos atrás, e que te encantou e eu nem acreditava que aqueles olhos de um azul tão estranho olhavam mesmo pra mim. Porque quando você se interessou por mim eu vi o quanto eu era mesmo interessante. E depois, por milhões de motivos, eu deixei de ser. Mas isso é natural, porque você também virou o monstro. E isso não muda em nada o fim. Hoje eu vejo uma outra Juliana, muito interessante também, mas de outro jeito. E estar naquele lugar, tão perto daquela casa, com aquele som tão você nos meus ouvidos e na minha pele me fez sentir um pouco estranha. Estranha porque não doeu. Estranha porque foi racional - pensamento. Não sentimento. A gente vai ficando velha e sente tudo de outra forma. Não deu saudade, eu simplesmente lembrei. Como a gente lembra de um colega de classe que era legal, mas não tem vontade de encontrar. Como a gente lembra de um doce que comeu e foi bom, mas sem vontade de comer de novo. Saca?
É possível lembrar de você e não sentir nada. Juro! E isso nem é motivo pra felicidade ou orgulho, é só uma constatação. É possível lembrar do que você foi no começo, do que a gente era no começo, sem ter que lembrar do meio e do fim e sofrer com isso. É possível olhar esse fantasminha e fazer oi com a mão. E seguir, abrir outra cerveja e olhar pro futuro que me espera.
Começou sem querer. E na verdade, vamos deixar claro desde já que isso não significa nada. Isso não muda nada, porque eu consegui, hoje eu consigo pensar em você e nem raiva mais eu sinto. Juro mesmo. Ficou mais o hábito de falar mal de você do que qualquer sentimento de verdade, mesmo os ruins. Então, não, esse não é um post de saudade, nem de vontade, é somente um post do dia em que o fantasma de você no início me visitou. E isso não muda o fato de você ter sido e ser um cuzão, não muda nada, mas eu precisava contar aqui.
Começou porque eu passei sem querer em frente da casa onde a gente morou. É bizarro passar ali, acho que eu não passava há um bom tempo. E foram muitas coisas ruins naquela casa, e a primeira coisa que eu lembrei foi da nossa briga, a última, naquela rua, em frente àquela casa. Mas depois eu lembrei outras coisas. Lembrei da noite na Courier, lembrei de muitas noites incríveis naquele quarto pequeno, lembrei de tantos filmes naquela TV gigante, lembrei da piscina, da banheira, da cama, o que eu mais lembrei foi a cama, porque era onde a gente mais ficava, mesmo. E era tão legal, vamos ser sinceros. Era legal pra caralho, no começo. O que não muda em nada o fim.
Daí que eu fui pra um lugar em que o som era você. Era a sua cara. Era você. Você ia ter curtido muito, e eu até sei a cara que você ia fazer, sei como ia balançar a cabeça, sei como ia dançar e eu ia morrer de rir, e você ia rir junto e ia ser assim. Daí eu lembrei de tantas baladas dessas que a gente viu junto, de tantos shows e de tantos lugares, lembrei de uma noite no Informal (há milênios) que a gente teve que sair correndo pra casa porque não conseguia ficar perto um do outro sem se comer. Lembrei de um show que a gente fez e que depois foi uma coisa tão incrível, essa é uma noite que eu me lembro muito bem. Lembro das caras que você fazia em determinados solos, lembro das nossas piadas nos solos de piano, lembro das gargalhadas por causa dessas caras. Lembro que a gente nunca precisou beber muito pra se divertir, porque você me fazia morrer de rir, e o nosso lance era o som, não a bebida, a gente não precisava ser outras pessoas, nós mesmos éramos o que a gente queria ser e o que queria que o outro fosse. Tá, tem aquele outro lance, mas isso também fazia parte, principalmente de você. Era muito legal curtir um som do seu lado. O que não muda em nada o fim.
É que foi muito estranho estar num lugar que era tão a sua cara, e estar sem você. E não é que eu quisesse que você estivesse lá, por favor, entenda, você sempre foi muito inteligente. É que eu acho que não estou acostumada a estar num lugar tão você, num som tão você, mas sem você. Não que seja ruim. Eu me diverti. Mas é uma forma diferente de diversão, e é muito louco comparar. Eu não queria o meu namorado do começo de volta, não. Eu não quis você lá. Mas era como se você fosse entrar a qualquer momento, segurar minha mão, fazer uma piada com o agudo do teclado e a gente ia cair na gargalhada. E não foi triste isso não acontecer, foi só diferente. Ninguém vibrava comigo no solo de trombone, ninguém ria do chicken groove, e daí eu vi como estamos velhos, como passou tanto tempo daquele tempo, aquele tempo em que você era legal e eu era legal, e a gente era legal junto, e hoje somos pessoas tão diferentes, e tudo bem isso, mas sei lá.
Eu não tenho medo de fantasma. Não desse, pelo menos, porque é tão irreal que nem assusta. Na real, o seu fantasma me traz o meu próprio fantasma, aquela Juliana que eu fui há tantos anos atrás, e que te encantou e eu nem acreditava que aqueles olhos de um azul tão estranho olhavam mesmo pra mim. Porque quando você se interessou por mim eu vi o quanto eu era mesmo interessante. E depois, por milhões de motivos, eu deixei de ser. Mas isso é natural, porque você também virou o monstro. E isso não muda em nada o fim. Hoje eu vejo uma outra Juliana, muito interessante também, mas de outro jeito. E estar naquele lugar, tão perto daquela casa, com aquele som tão você nos meus ouvidos e na minha pele me fez sentir um pouco estranha. Estranha porque não doeu. Estranha porque foi racional - pensamento. Não sentimento. A gente vai ficando velha e sente tudo de outra forma. Não deu saudade, eu simplesmente lembrei. Como a gente lembra de um colega de classe que era legal, mas não tem vontade de encontrar. Como a gente lembra de um doce que comeu e foi bom, mas sem vontade de comer de novo. Saca?
É possível lembrar de você e não sentir nada. Juro! E isso nem é motivo pra felicidade ou orgulho, é só uma constatação. É possível lembrar do que você foi no começo, do que a gente era no começo, sem ter que lembrar do meio e do fim e sofrer com isso. É possível olhar esse fantasminha e fazer oi com a mão. E seguir, abrir outra cerveja e olhar pro futuro que me espera.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Herpes?
Um dia um cara deixou uma ferida na minha boca. Devia ser herpes. Ficou uma feridinha maldita, que começou coçando, incomodando. E daí virou uma metáfora. Coçava, me deixava feia. Incomodava, eu não conseguia esquecer. O malditinho me marcou. Ficou aqui na minha boca, e daí eu não podia deixar de pensar por muito tempo. Eu esquecia, e ria, daí esticava o lábio e doía, daí eu lembrava, e doía. Eu esquecia, daí olhava no espelho e via, e lembrava, e me irritava. Eu esquecia, daí alguém perguntava, daí eu lembrava, e me machucava. A pele saía no banho quente, mas voltava, formou casca, formou ferida. Mas eis a metáfora: a gente sabe que nenhuma ferida dura para sempre, seja externa ou interna. E, a cada dia, a marca ficava menor, fora e dentro. Eu já ria sem doer, já passava batom sem doer, beijei e nem doeu (palmas ao moço de coragem que me beijou primeiro e perguntou depois). Eu olhava no espelho e pensava "tá sumindo, vai sumir".
Sumiu, quase que por completo. Daqui a pouquíssimo tempo não vai ter nem marca nem lembrança. E, pela metáfora, vamos combinar: muito stress e muito drama por uma herpezinha de nada, vai...
:)
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Disfarce queimado
Desejo de consumo é uma coisa muito complicada. Desejo é uma coisa muito complicada. Vontade é uma coisa muito complicada. O problema é que a minha vontade nunca é uma vontadezinha. É sempre uma vontade voraz, de vida ou morte, do agora, do foda-se o resto. Mas só por dentro. Por fora faço aquela cara de paisagem. Mas que não engana os caboclos velhos. Os caboclos me sacam. Olham pra mim e dizem com os olhos "Eu te saco, menina".
Os caboclos percebem a intenção do meu toque, que é diferente quando eu desejo. Eles me olham e eu tenho vergonha, porque parece que eles sacam minha alma, entendem os meus desejos. E no fundo não me condenam, porque entendem que, porra, eu até merecia. Na real eu merecia era isso mesmo, de verdade. Não essas coisas poucas com as quais eu brinco de apaixonadinha. Os caboclos velhos sentem a vibração quando estou perto de alguma coisa que eu queria de verdade, pra minha vida. Eles veem meus pelos se arrepiando, veem o brilho dos meus olhos por trás das lentes escuras, percebem os cabelos se levantando na nuca, os pés que não param de se mover. Eles sacam e não me reprimem, porque sabem que no fundo, no fundo, era só isso que eu queria da vida. Era tudo isso, era o que eu acho que eu mereço, de verdade, no fundo. Eu é que me sinto envergonhada de desejar essas coisas que eu não posso ter, e eu acho uma puta de uma sacanagem do universo colocar essas coisas indisponíveis na minha frente, tipo "olhe pela vitrine", tipo "olhe e se encante, mas não está aqui pra você ter". Talvez seja tipo um modelo. Talvez seja tipo "é isso, garota, o que você merece, o que você procura, pare de se enganar, pare de enganar o mundo; não exatamente esse, mas um assim".
Esses dias, depois de umas várias latas, eu confessei a um amigo muito querido o que eu queria de verdade, no fundo, no fundo. Ele fez um semi sorriso, porque ele não entende. Ou entende. Eu entendo. Eu queria isso. Pra lá das brincadeiras que eu faço, dos jogos que eu jogo, das mentiras que eu invento pra mim, eu queria isso. Eu queria assim. E parece tão distante. Tão longe das coisas pequenas que eu arrumo pra mim.
Os caboclos velhos sabem. Eles sentem. E eles sabem que combina, que é isso mesmo, que é isso aí, que é esse o meu destino, mesmo que eu brinque de ter 18 anos, eles sabem que eu não tenho, e que eu não quero ter, no fundo. E sabem que eu mereço mais do que aquilo que eu finjo que desejo quando brinco de ter 18 anos. Eles sabem o que eu desejo de verdade. E que eu me balanço, perco as raízes, perco o chão, eletrizo, morro, derreto por dentro quando vejo, quando ouço, quando toco, quando estou perto do modelo daquilo tudo que eu quero pra mim. Quem sabe um dia. Até lá, desejo continua sendo uma coisa muito, muito complicada. Mas eu sou atriz.
http://www.youtube.com/watch?v=GroaRY9GvBk
Os caboclos percebem a intenção do meu toque, que é diferente quando eu desejo. Eles me olham e eu tenho vergonha, porque parece que eles sacam minha alma, entendem os meus desejos. E no fundo não me condenam, porque entendem que, porra, eu até merecia. Na real eu merecia era isso mesmo, de verdade. Não essas coisas poucas com as quais eu brinco de apaixonadinha. Os caboclos velhos sentem a vibração quando estou perto de alguma coisa que eu queria de verdade, pra minha vida. Eles veem meus pelos se arrepiando, veem o brilho dos meus olhos por trás das lentes escuras, percebem os cabelos se levantando na nuca, os pés que não param de se mover. Eles sacam e não me reprimem, porque sabem que no fundo, no fundo, era só isso que eu queria da vida. Era tudo isso, era o que eu acho que eu mereço, de verdade, no fundo. Eu é que me sinto envergonhada de desejar essas coisas que eu não posso ter, e eu acho uma puta de uma sacanagem do universo colocar essas coisas indisponíveis na minha frente, tipo "olhe pela vitrine", tipo "olhe e se encante, mas não está aqui pra você ter". Talvez seja tipo um modelo. Talvez seja tipo "é isso, garota, o que você merece, o que você procura, pare de se enganar, pare de enganar o mundo; não exatamente esse, mas um assim".
Esses dias, depois de umas várias latas, eu confessei a um amigo muito querido o que eu queria de verdade, no fundo, no fundo. Ele fez um semi sorriso, porque ele não entende. Ou entende. Eu entendo. Eu queria isso. Pra lá das brincadeiras que eu faço, dos jogos que eu jogo, das mentiras que eu invento pra mim, eu queria isso. Eu queria assim. E parece tão distante. Tão longe das coisas pequenas que eu arrumo pra mim.
Os caboclos velhos sabem. Eles sentem. E eles sabem que combina, que é isso mesmo, que é isso aí, que é esse o meu destino, mesmo que eu brinque de ter 18 anos, eles sabem que eu não tenho, e que eu não quero ter, no fundo. E sabem que eu mereço mais do que aquilo que eu finjo que desejo quando brinco de ter 18 anos. Eles sabem o que eu desejo de verdade. E que eu me balanço, perco as raízes, perco o chão, eletrizo, morro, derreto por dentro quando vejo, quando ouço, quando toco, quando estou perto do modelo daquilo tudo que eu quero pra mim. Quem sabe um dia. Até lá, desejo continua sendo uma coisa muito, muito complicada. Mas eu sou atriz.
http://www.youtube.com/watch?v=GroaRY9GvBk
Se...
Se você nunca me viu de óculos de grau
Se você nunca andou de carro comigo e me viu dirigindo e cantando feito louca
Se você nunca entrou na minha casa sem que eu tivesse arrumado tudo pra você
Se eu nunca cozinhei nada pra você
Se você nunca assistiu comigo um filme que eu adoro, que me deixa maluca, e nunca passou mais de uma hora depois do filme comentando comigo pequenos detalhes e discutindo o filme que nem loucos
Se você nunca se sentou comigo pra tomar mais do que dez cervejas
Se você nunca me viu bêbada
Se você nunca dançou comigo
Se você nunca leu um texto que eu tenha escrito só pra você, mesmo que eu negue
Se eu nunca confessei ter escrito um texto pra você
Se a gente nunca nadou junto
Se a gente nunca fez um som juntos, sentindo a mesma vibe
Se você nunca ouviu um som que eu coloquei só pra você ouvir, e ficou prestando atenção até o fim na melodia, na letra, na tradução, nos detalhes
Se você nunca morreu de rir com o meu pai e suas palhaçadas
Se você nunca me viu chorando ou nunca tentou me consolar
Se você nunca riu de mim chorando e me fez rir de mim mesma e chorar ao mesmo tempo
Se você nunca me ensinou nada
Se você nunca me viu fumar mais do que dez cigarros em sequência
Se você nunca me fez gargalhar
Se você nunca me deixou com ciúmes
Se você nunca me viu completamente nua
Se você nunca me viu desembaraçando o meu cabelo
Se você nunca dormiu comigo esquentando o pé em você
Se você nunca viu minhas fotos do flamenco
Se eu nunca bailei flamenco pra você
Se você nunca me viu cantar em público
Se eu nunca cantei nada só pra você
Se eu nunca conversei com você sobre um livro do Saramago, com os olhos brilhando
Se a gente nunca comeu uma pizza juntos
Se você nunca me zoou por causa de uma música brega que eu adoro
Se eu nunca te dei um bolo e me arrependi depois
Se eu nunca fiquei com o olhar perdido em você por mais de dez segundos
Se eu nunca tive coragem de te dizer exatamente o que eu penso sobre você
Se você nunca leu comigo, do meu lado, os textos do meu blog
Se você nunca viu um sorriso besta de canto de boca de pura satisfação no meu rosto, ou se não souber reconhecer esse sorriso
Se você nunca me viu arrotando
Se você nunca me salvou de um pássaro
Se você nunca me viu comendo uma espiga de milho
Se você nunca me viu dando piti por causa de um bebê loirinho, gordinho e branquinho
Se eu nunca te confessei uma vergonha
Se eu nunca te fiz massagem no rosto
Se você nunca teve que me puxar de um lugar de onde eu não queria ir embora
Se você nunca jogou mímica no meu time (e ganhou)
Se você nunca me viu puta no trânsito
Se a gente nunca conseguiu ficar mais de 5 minutos em silêncio um ao lado do outro
Se você nunca percebeu a minha doçura por trás da minha casca grossa...
... Então tem muita coisa errada. Se você não fez pelo menos a metade dessas coisas comigo, você definitivamente não me conhece. E eu não te conheço. E pode ser que eu esteja perdendo uma pessoa muito legal. Mas você, ah, você está definitivamente perdendo uma pessoa incrível. :)
E, se você não fez pelo menos a metade dessa lista comigo, eu não posso me dar ao luxo de sofrer por você. Nem uma vezinha sequer. Então parou tudo. Agora. Chega.
Se você nunca andou de carro comigo e me viu dirigindo e cantando feito louca
Se você nunca entrou na minha casa sem que eu tivesse arrumado tudo pra você
Se eu nunca cozinhei nada pra você
Se você nunca assistiu comigo um filme que eu adoro, que me deixa maluca, e nunca passou mais de uma hora depois do filme comentando comigo pequenos detalhes e discutindo o filme que nem loucos
Se você nunca se sentou comigo pra tomar mais do que dez cervejas
Se você nunca me viu bêbada
Se você nunca dançou comigo
Se você nunca leu um texto que eu tenha escrito só pra você, mesmo que eu negue
Se eu nunca confessei ter escrito um texto pra você
Se a gente nunca nadou junto
Se a gente nunca fez um som juntos, sentindo a mesma vibe
Se você nunca ouviu um som que eu coloquei só pra você ouvir, e ficou prestando atenção até o fim na melodia, na letra, na tradução, nos detalhes
Se você nunca morreu de rir com o meu pai e suas palhaçadas
Se você nunca me viu chorando ou nunca tentou me consolar
Se você nunca riu de mim chorando e me fez rir de mim mesma e chorar ao mesmo tempo
Se você nunca me ensinou nada
Se você nunca me viu fumar mais do que dez cigarros em sequência
Se você nunca me fez gargalhar
Se você nunca me deixou com ciúmes
Se você nunca me viu completamente nua
Se você nunca me viu desembaraçando o meu cabelo
Se você nunca dormiu comigo esquentando o pé em você
Se você nunca viu minhas fotos do flamenco
Se eu nunca bailei flamenco pra você
Se você nunca me viu cantar em público
Se eu nunca cantei nada só pra você
Se eu nunca conversei com você sobre um livro do Saramago, com os olhos brilhando
Se a gente nunca comeu uma pizza juntos
Se você nunca me zoou por causa de uma música brega que eu adoro
Se eu nunca te dei um bolo e me arrependi depois
Se eu nunca fiquei com o olhar perdido em você por mais de dez segundos
Se eu nunca tive coragem de te dizer exatamente o que eu penso sobre você
Se você nunca leu comigo, do meu lado, os textos do meu blog
Se você nunca viu um sorriso besta de canto de boca de pura satisfação no meu rosto, ou se não souber reconhecer esse sorriso
Se você nunca me viu arrotando
Se você nunca me salvou de um pássaro
Se você nunca me viu comendo uma espiga de milho
Se você nunca me viu dando piti por causa de um bebê loirinho, gordinho e branquinho
Se eu nunca te confessei uma vergonha
Se eu nunca te fiz massagem no rosto
Se você nunca teve que me puxar de um lugar de onde eu não queria ir embora
Se você nunca jogou mímica no meu time (e ganhou)
Se você nunca me viu puta no trânsito
Se a gente nunca conseguiu ficar mais de 5 minutos em silêncio um ao lado do outro
Se você nunca percebeu a minha doçura por trás da minha casca grossa...
... Então tem muita coisa errada. Se você não fez pelo menos a metade dessas coisas comigo, você definitivamente não me conhece. E eu não te conheço. E pode ser que eu esteja perdendo uma pessoa muito legal. Mas você, ah, você está definitivamente perdendo uma pessoa incrível. :)
E, se você não fez pelo menos a metade dessa lista comigo, eu não posso me dar ao luxo de sofrer por você. Nem uma vezinha sequer. Então parou tudo. Agora. Chega.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
É tão legal quando uma coisa que a gente queria há muito tempo acontece, não é? Assim, um negócio passa pela cabeça da gente um dia, e daí um tempo depois acontece. A gente devia se sentir foda. A gente devia agradecer. E eu até agradeço, mas... Mas é que foi. Foi, só isso, sem emoção, sem arrepio, sem sorriso besta de orelha a orelha depois. Sem musiquinha, sem suspiros poéticos e saudades, pra ser bem Gonçalves de Magalhães. Tudo muito racional, tudo muito flat, tudo sem respiração acelerada e sem bate coração. A vida assim não tem graça, não. Pelo menos pra mim. E pensar que tem gente que vive assim o tempo todo. Como é que consegue? Essa vida não é pra mim, não.
Pra mim tem que ter emoção. Olho no olho, dúvida, entrega, sentimentos fortes como a vontade maior que o mundo, um abraço maior que eu, uma piadinha que me faça rir pela semana inteira, um olhar que me derreta e que more na minha lembrança por um mês, um cheiro que não saia do nariz por dias, ativando a memória e me fazendo fechar os olhos no meio da manhã e sorrir que nem besta só de lembrar, que me faça ficar com o olhar perdido no meio da tarde, que me faça sorrir antes de dormir só de pensar.
Pra mim tem que ser assim. E, quando não é, é bem sem graça. É legal e talz, mas podia ser bem melhor. E quando a gente lembra do que podia ser melhor, a gente quer o melhor, a gente pensa no melhor (e depois quer morrer ou se matar porque o melhor é tão pouco perto do que a gente merece, mas quem é que escolhe essas coisas? Quem manda aqui nessa merda? Sou eu. E se eu sou uma besta e decido que quero tomar Pepsi quando poderia estar tomando Coca, o estômago é meu!).
Você me liga e eu não atendo. E não entendo, mas eu nem quero entender. Deixa assim.
domingo, 6 de outubro de 2013
Eu troquei o nome de uma pessoa. Eu chamei a pessoa pelo seu nome. Assim, não saiu, saíram só as duas primeiras letras. Mas na minha cabeça saiu tudo. E foram, tipo, umas cinco vezes. Eu fiquei morrendo por dentro. Eu tomei banho de madrugada ouvindo aquela música que me lembra você e fiquei imaginando você. Fiquei imaginando o que você tem que me deixa desse jeito. Você não tem nada, sabe? Não tem nada que eu procuro, não de verdade. Quer dizer, tem uma ou duas coisas, mas são coisas muito bobas, nada do que eu quero de verdade. Então por quê?
Eu sei o porquê. E sei que essa palhaçada não vai durar muito tempo, porque é uma palhaçada, e eu sei disso. Eu sei de tudo. Eu acho que eu sei, e é melhor eu achar que sei do que ficar imaginando que tem uma pá de coisas que eu não sei, porque eu não posso acreditar no que eu não sei, melhor confiar naquilo que eu sei, que a vida me ensinou, que eu aprendi há tantos anos, chorando sozinha e respirando pra ficar bem depois. Drama queen, drama queen. E depois passa. Mas é que a minha fé me dá uns sinais muito fodas. A minha fé é um negócio impressionante, e alguém lá em cima gosta muito de mim, eu sei. Gosta tanto que me mandou você, pra eu aprender um monte de coisas. E me manda uns sinais muito loucos, e eu fico tão emocionada de sentir essa atenção que vem lá de cima que eu choro. É, eu sou uma besta. Mas você não sabe. Ainda bem. Ou não. Acontece, fazer o quê? Simplesmente acontece.
domingo, 22 de setembro de 2013
Água.
Então é assim que é. Eu tinha me esquecido. Então é esse inferno, esse vendaval, esse suor frio, esse coração acelerado, ou pode ser só o maço de cigarros inteiro que eu fumei hoje. Então é assim. É esse pressentimento horrível sentado em cima do meu coração o dia todo, pesando toneladas. É assim, quando uma porta se abre e você já sabe que quem vem ali é aquela sombra preta, sem rosto, que você previu o tempo todo, o dia todo, mas não queria acreditar. E daí as coisas desmoronam, liquefazem, água escorrendo e molhando tudo, caralho, vou ter que secar essa água toda, por que eu fui mexer com isso, tava tudo tão seco, tão bonitinho, todas as janelas fechadas pra não entrar pó, pra não entrar ar, pra não entrar vida, tava tudo tão bom parado, seco, morto, lento, tava tudo tão bom, por que eu fui abrir essa janela, pra que eu fui abrir essa porta, por que raios eu abri essa torneira, eu não posso com essa água toda, eu nunca pude, eu não sou de copas, eu sou de espadas, eu sou coringa, eu não tenho naipe, eu não tenho condições, eu nunca soube como lidar com toda essa torrente, essa água, eu transbordo junto, eu não caibo, eu não sou potinho de margarina nem balde, não cabe aqui, não cabe em mim, eu molho, eu derreto junto, olha eu ali no chão escorrendo. Merda. Vai, sua burra, brinca, finge que pode. Eu não me lembrava que não podia. Eu tinha me esquecido de que não tenho panos suficientes para secar toda essa molhadeira, eu nunca tive. E eu não sei fechar a torneira, espanou, fodeu, tá subindo pelas paredes e deixando tudo úmido, amarelando, esfriando, sinto a água se juntando em torno dos meus pés e só consigo pensar que tá geladinha, que tá gostoso, mas que vai ser uma merda, lembra, burra, lembra que sempre dá merda, lembra que depois quem fica secando tudo isso é você, e você sozinha, e agora mais sozinha do que nunca, sem ter que engolir a cara triste porque não vai ter ninguém pra perguntar, ninguém pra ter pra quem fingir. Quando a luz se apagar eu ainda vou escutar o barulho da água pingando, escorrendo, jorrando das paredes, brotando do chão, caindo do teto, e nem é pra tanto, mas é que eu sou pra tanto, eu sempre fui pra tanto, pra muito, e é justamente esse o problema. Então é assim que é. Eu tinha me esquecido.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Eu (já) tenho XX anos, mas eu ainda não aprendi a fazer certas coisas que eu já deveria ter aprendido. Eu deveria saber, a essa altura do campeonato, a não me empolgar com semi-historinhas que eu crio na minha cabeça, e que muitas vezes existem somente lá, nessa cabeça doida. Deveria saber dizer o que eu desejo, deveria saber fazer as coisas acontecerem quando eu me interesso (ou me semi-interesso) por alguém. Deveria ter aprendido a parar de ter vergonha, deveria ter entendido que muitas vezes o não dito não pode ser entendido, pelo simples motivo de que as pessoas não pensam como a gente, então eu não posso querer que o caboclinho entenda que eu quero, simplesmente pelo motivo de que EU NÃO DISSE, então ele não pode saber. E deveria saber não me frustrar quando as coisas não funcionam porque a pessoa não entendeu que eu queria, porque, afinal de contas, EU NÃO DISSE. E deveria então aprender a dizer, ao invés de ficar reclamando comigo mesma e de vir aqui no blog que eu não frequento há milênios, só pra dizer pra mim mesma como eu sou uma besta.
Pois é, eu tenho XX anos e eu ainda não aprendi. Porque me parece que vai ser muito mais legal quando ele entender mesmo sem eu precisar dizer. Porque parece que aí, sim, vai ser de verdade. Porque se ele puder me entender sem eu dizer com todas as letras, então ele deve ser mesmo tão especial quanto eu imagino. E pode demorar ser assim. Mas seria muito mais legal. E talvez eu tenha que esperar mais XX anos pra entender que as coisas não podem ser do jeito que eu quero que elas sejam. E talvez eu não aprenda nunca. Mas talvez ele entenda. E aí... ah, aí sim.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Moça
Daí que hoje é aniversário da única pessoa no mundo que me
chama de “moça”. Pois é, eu tenho um amigo canceriano, não sei como. Quer
dizer, sei. Porque ele é muito especial. Muito querido. Mesmo longe.
Como eu já disse pra ele numa festa da Unicamp (uma das
festas em que eu fiquei mais louca na minha vida), ele é um dos amigos mais
bonitos que eu tenho. Mas não é só por fora. Eu amo esse cara por dentro,
exatamente por ele ser do jeito que ele é. Amo por todos os livros
compartilhados, por todos os filmes, por todas as músicas, por todas as histórias,
por todas as aulas do cursinho, por todas as festas da Unicamp, por todos os
telefonemas, por todas as conversas, por ele não ter me matado quando eu
derrubei a lata do Legião Urbana dele, por ele ter sido tão compreensivo quando
eu maltratava a namorada dele que eu odiava, por ele ter cuidado de mim naquele
dia e ter deixado eu deitar no colo dele no chão da garagem da casa em que tava
tendo a festa, por ele ouvir todas as histórias foda que eu contava da minha mãe,
por ele rir do meu pai chamá-lo de Thunder Voice, por ele ser essa pessoa meio
melancólica, meio pessimista mas que eu entendo, pelo Livro da Arte que a gente
ficava folheando até decorar nas livrarias mas sem grana pra comprar, pelas
nossas imitações do Calvaro e do Nunes, pela compreensão, pela reserva, pelo
carinho.
Daí que ele está longe e ninguém mais me chama de moça. E eu
a cada dia fico menos moça e mais velha. E ele também. Prova disso é o dia de
hoje. E daí ele tá lá em Brasília, na putaqueopariu. Mas todas as vezes que eu
escuto essa música eu me lembro dele. Porque parece que é ele cantando pra mim.
Porque começa com “Moça, olha só o que eu te escrevi”. E porque as coisas
bonitas que a letra fala são coisas que eu sei que esse meu amigo me diria,
como consolo. E porque eu fecho os olhos e vou pra uma realidade paralela onde
a gente more perto e esse meu grande amigo venha me visitar e eu tenha a minha
casa e ele diga “Põe mais um na mesa de jantar/ porque hoje eu vou praí te ver/
e tira o som dessa TV/ pra gente conversar”. E quando eu abro os olhos eu
lembro que ainda não tenho a minha casa, que o meu amigo mora muito longe e que
faz uma cara que a gente não se vê. Mas eu sei que seria assim. Porque ele é
assim. Porque eu sou assim. E porque amigos de verdade são assim.
Saudades.
P.S. - É, a gente tá velho, mesmo. Eu não uso mais óculos, e esse lugar da foto nem existe mais... Cadáveres...
terça-feira, 29 de maio de 2012
Pedido
Deus,
se você existe mesmo, você pode trazer um pouquinho de sossego aqui pro meu coração?
Tipo ontem. Eu estava tão feliz, não conseguia parar de sorrir, de rir mesmo. Mas daí eu me esqueço do porquê de estar sorrindo, e nublo, piro, surto. Me fecho. O motivo pra eu estar sorrindo há três minutos atrás me parece fraco demais, não parece valer o esforço. Afinal, deve ter um buraco aí no meio pra eu cair em breve. Então, se eu estiver procurando por ele, talvez eu não caia. Mas eu preciso estar atenta. Se eu estiver andando desatenta, olhando pro céu e rindo comigo mesma, vou cair, certeza. Não posso tirar os olhos da estrada, não posso tirar a mão do volante pra colocar aquela música bonita, porque ela vai me fazer viajar em pensamentos e eu vou deixar de prestar atenção no caminho, e vou me perder, e vou parar em um lugar estranho, com gente estranha, que pode até me deixar feliz. Mas e o buracão que eu sei que tem lá adiante? E se eu estiver distraída por essas pessoas, por essas músicas que insisto em cantar até quando escovo os dentes, pelas lembranças que vêm do nada, pela imagem de olhos nos meus olhos, aí é que eu não vou ver o buraco chegando, não vou ter tempo de desviar, vou cair lá no fundo e me foder. E depois pra sair é o caos. Então talvez fosse melhor ficar aqui na minha, olhos atentos nas curvas perigosas da estrada, velocidade reduzida, faróis de neblina acesos, sem música pra distrair, sem paisagem bela pra olhar, só focando no chão e atenta ao abismo.
Mas, oh, mas eu tô é muito desatenta. Tô andando por aí descalça, sem medo de queimar o pé ou morrer de frio, porque agora a grama tá tão verde e macia. Tô andando e comendo uma maçã ao mesmo tempo, e o sabor dela explode na minha boca e eu sorrio ao ver as marcas que meus dentes deixaram na fruta, como se eu fosse uma criança notando isso pela primeira vez. Tô escutando uma música atrás da outra, uma mais linda que a outra, a mesma música vinte mil vezes, tô cantando junto e rindo ao mesmo tempo. Tô caminhando sem ver pra onde estou indo, com a cabeça pra cima, olhando o céu e sorrindo pras nuvens.
E isso não pode dar certo, né? E aquele buraco que eu já conheço, como faz? Eu sei que ele está por aí esperando pra me engolir, à espreita, quando eu menos esperar. Então eu preciso de foco. Foco. Foco pra fugir do buraco. Então, Deus, se você existe mesmo, põe foco no meu caminho. Eu ia pedir pra você eliminar o buraco da minha frente, mas sei que talvez isso seja pedir demais. É?
se você existe mesmo, você pode trazer um pouquinho de sossego aqui pro meu coração?
Tipo ontem. Eu estava tão feliz, não conseguia parar de sorrir, de rir mesmo. Mas daí eu me esqueço do porquê de estar sorrindo, e nublo, piro, surto. Me fecho. O motivo pra eu estar sorrindo há três minutos atrás me parece fraco demais, não parece valer o esforço. Afinal, deve ter um buraco aí no meio pra eu cair em breve. Então, se eu estiver procurando por ele, talvez eu não caia. Mas eu preciso estar atenta. Se eu estiver andando desatenta, olhando pro céu e rindo comigo mesma, vou cair, certeza. Não posso tirar os olhos da estrada, não posso tirar a mão do volante pra colocar aquela música bonita, porque ela vai me fazer viajar em pensamentos e eu vou deixar de prestar atenção no caminho, e vou me perder, e vou parar em um lugar estranho, com gente estranha, que pode até me deixar feliz. Mas e o buracão que eu sei que tem lá adiante? E se eu estiver distraída por essas pessoas, por essas músicas que insisto em cantar até quando escovo os dentes, pelas lembranças que vêm do nada, pela imagem de olhos nos meus olhos, aí é que eu não vou ver o buraco chegando, não vou ter tempo de desviar, vou cair lá no fundo e me foder. E depois pra sair é o caos. Então talvez fosse melhor ficar aqui na minha, olhos atentos nas curvas perigosas da estrada, velocidade reduzida, faróis de neblina acesos, sem música pra distrair, sem paisagem bela pra olhar, só focando no chão e atenta ao abismo.
Mas, oh, mas eu tô é muito desatenta. Tô andando por aí descalça, sem medo de queimar o pé ou morrer de frio, porque agora a grama tá tão verde e macia. Tô andando e comendo uma maçã ao mesmo tempo, e o sabor dela explode na minha boca e eu sorrio ao ver as marcas que meus dentes deixaram na fruta, como se eu fosse uma criança notando isso pela primeira vez. Tô escutando uma música atrás da outra, uma mais linda que a outra, a mesma música vinte mil vezes, tô cantando junto e rindo ao mesmo tempo. Tô caminhando sem ver pra onde estou indo, com a cabeça pra cima, olhando o céu e sorrindo pras nuvens.
E isso não pode dar certo, né? E aquele buraco que eu já conheço, como faz? Eu sei que ele está por aí esperando pra me engolir, à espreita, quando eu menos esperar. Então eu preciso de foco. Foco. Foco pra fugir do buraco. Então, Deus, se você existe mesmo, põe foco no meu caminho. Eu ia pedir pra você eliminar o buraco da minha frente, mas sei que talvez isso seja pedir demais. É?
quinta-feira, 24 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Jogando War com a vida
É, eu sou a Rainha Vermelha do War. Meus amigos sabem disso. Sabem que eu adoro jogar, que eu adoro ganhar. Mas tem algumas coisas que eles não sabem. Só alguns. Alguns sabem que eu aprendi a jogar War de verdade há poucos anos. E que eu aprendi bem. Tão bem que, alguns sabem, eu jogo War com a vida.
Eu sempre achei engraçado eu conseguir ganhar as partidas de War, porque no jogo eu tenho uma coisa que se chama paciência. E eu sempre achei que eu não tivesse na vida. Na verdade eu não tenho. Mas em alguns aspectos eu tenho até demais. Espero tanto que passa do ponto. Uma amiga me mostrou isso, na noite do meu aniversário. Ela me disse que eu jogo War com as pessoas, quando estou interessada. Achei estranho, mas, pensando depois, vi que é verdade.
Eu ganho a maioria das partidas de War que eu jogo porque eu vou beeeem devagar. Porque eu não saio correndo atrás do meu objetivo, cegamente. Porque eu me fortaleço primeiro onde eu estiver. Eu ataco toda rodada, mas ataques sutis, quase tímidos. Quase que pra ninguém perceber que eu estou ali. Aos poucos, com dois exércitos a mais a cada rodada, o mundo vai se tingindo de vermelho. Conquisto continentes sem que os outros percebam, e quando perceberam já é tarde, já estou protegida e ninguém mais entra. Ninguém quer comprar briga comigo, então ficam se matando. Faço acordos verbais que cumpro, de verdade. Mas eles têm validade, e isso é combinado. Não roubo, não trapaceio. Mas sou dissimulada. Irônica. Cara de pau. Capitu. E, quando vem a troca de 50 exércitos, daí ninguém me segura mais. O mundo é meu. Vermelho, como eu gosto.
De fato, eu acho mesmo que jogo desse jeito em outros aspectos da minha vida. Aquele objetivo disfarçado, secreto, que ninguém sabe (só quem tá de fora do jogo; sempre tem uma amiga que espia suas cartas pra ver sua estratégia e torcer por você). A lentidão nos passos. Os ataques certeiros, mas disfarçados. Tão disfarçados que as pessoas nem percebem. Hoje coloco dois exércitos. Amanhã coloco mais dois. Uma semana depois, tem mais dois ali. E assim, de dois em dois, de carta em carta, quando chegar a troca de cinquenta, você tá fodido, meu amigo...
O problema é que, pra jogar War, tem que ter parceiro bom. E eu sempre achei que um parceiro que me quebra é aquele rapidinho, que conquista o objetivo dele dando uma de kamikaze quando eu estou colocando os meus dois em dois. Mas eu acabei de descobrir que não. Porque não é esse tipo de parceiro/adversário que me encanta. Porque, quando ele ganha o jogo e eu ainda nem tinha começado, acabou a graça. Eu gosto mesmo é daquele que também vai devagar, na dele. Eu coloco dois exércitos, ele coloca dois. Eu coloco dois, ele coloca três. Eu coloco três, ele coloca um. E assim eu fico perdida. E assim as horas passam e o jogo avança. Minha cor e a dele se misturando no tabuleiro, ninguém sabe quem vai ganhar.
Pra um cara assim, eu nem me importo de perder.
Pra meio entendedor, a boa palavra basta. Dá uma carta de troca aí pra mim que eu tô aqui, só esperando.
Eu sempre achei engraçado eu conseguir ganhar as partidas de War, porque no jogo eu tenho uma coisa que se chama paciência. E eu sempre achei que eu não tivesse na vida. Na verdade eu não tenho. Mas em alguns aspectos eu tenho até demais. Espero tanto que passa do ponto. Uma amiga me mostrou isso, na noite do meu aniversário. Ela me disse que eu jogo War com as pessoas, quando estou interessada. Achei estranho, mas, pensando depois, vi que é verdade.
Eu ganho a maioria das partidas de War que eu jogo porque eu vou beeeem devagar. Porque eu não saio correndo atrás do meu objetivo, cegamente. Porque eu me fortaleço primeiro onde eu estiver. Eu ataco toda rodada, mas ataques sutis, quase tímidos. Quase que pra ninguém perceber que eu estou ali. Aos poucos, com dois exércitos a mais a cada rodada, o mundo vai se tingindo de vermelho. Conquisto continentes sem que os outros percebam, e quando perceberam já é tarde, já estou protegida e ninguém mais entra. Ninguém quer comprar briga comigo, então ficam se matando. Faço acordos verbais que cumpro, de verdade. Mas eles têm validade, e isso é combinado. Não roubo, não trapaceio. Mas sou dissimulada. Irônica. Cara de pau. Capitu. E, quando vem a troca de 50 exércitos, daí ninguém me segura mais. O mundo é meu. Vermelho, como eu gosto.
De fato, eu acho mesmo que jogo desse jeito em outros aspectos da minha vida. Aquele objetivo disfarçado, secreto, que ninguém sabe (só quem tá de fora do jogo; sempre tem uma amiga que espia suas cartas pra ver sua estratégia e torcer por você). A lentidão nos passos. Os ataques certeiros, mas disfarçados. Tão disfarçados que as pessoas nem percebem. Hoje coloco dois exércitos. Amanhã coloco mais dois. Uma semana depois, tem mais dois ali. E assim, de dois em dois, de carta em carta, quando chegar a troca de cinquenta, você tá fodido, meu amigo...
O problema é que, pra jogar War, tem que ter parceiro bom. E eu sempre achei que um parceiro que me quebra é aquele rapidinho, que conquista o objetivo dele dando uma de kamikaze quando eu estou colocando os meus dois em dois. Mas eu acabei de descobrir que não. Porque não é esse tipo de parceiro/adversário que me encanta. Porque, quando ele ganha o jogo e eu ainda nem tinha começado, acabou a graça. Eu gosto mesmo é daquele que também vai devagar, na dele. Eu coloco dois exércitos, ele coloca dois. Eu coloco dois, ele coloca três. Eu coloco três, ele coloca um. E assim eu fico perdida. E assim as horas passam e o jogo avança. Minha cor e a dele se misturando no tabuleiro, ninguém sabe quem vai ganhar.
Pra um cara assim, eu nem me importo de perder.
Pra meio entendedor, a boa palavra basta. Dá uma carta de troca aí pra mim que eu tô aqui, só esperando.
Velha
Então é isso. Eu fiquei aqui pensando que com essa idade eu já deveria começar a tomar mais cuidado com a minha saúde, com o meu corpo, com a minha mente. Sei lá, ser uma pessoa mais séria, ser uma professora mais severa, entrar numa academia, parar de fumar. Mas a merda é que eu gosto muito de ser como eu sou. Eu talvez não devesse, mas eu gosto muito de ser essa Juliana Palermo que eu sou, sabe? E eu não me sinto com 31, porque às vezes eu tenho 17 (na maioria das vezes...), e de vez em quando eu tenho 81... Então, de qualquer maneira, eu curto mesmo ser essa palhaça, essa besta, essa professora louca que às vezes fala o que não deve, essa pessoa estranha que tantas vezes faz o que não deve, essa menina que pensa o que não deve, essa velha que sente o que não deve, essa mulher que acha mesmo é que tá tudo muito bom assim.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Ah, o subjuntivo...
Eu tenho uma queda maldita pelo subjuntivo. Eu sei, fazer o quê? Eu queria ser uma fã do indicativo, sabe, aquele que dá certeza, mas eu não sou assim. Às vezes eu descambo pro imperativo, ordeno, desejo, peço. Mas, na maior parte das vezes, eu curto mesmo é o subjuntivo. É o talvez. O possível, mas não certo. O será que... O talvez que... O quem sabe... Daí a vida passa e eu aqui subjuntivando. Eu sei, uma merda. Mas a possibilidade é tão, tão boa...
"Se tudo pode acontecer
se pode acontecer qualquer coisa
um deserto florescer
uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão
um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
e além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer..."
De Alice Ruiz, Arnaldo Antunes, Paulo Tatit e João Bandeira.
"Se tudo pode acontecer
se pode acontecer qualquer coisa
um deserto florescer
uma nuvem cheia não chover
Pode alguém aparecer
e acontecer de ser você
um cometa vir ao chão
um relâmpago na escuridão
E a gente caminhando de mão dada de qualquer maneira
Eu quero que esse momento dure a vida inteira
e além da vida ainda de manhã no outro dia
Se for eu e você
Se assim acontecer..."
De Alice Ruiz, Arnaldo Antunes, Paulo Tatit e João Bandeira.
Tão, tão bonito... vai que, né?
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