sábado, 18 de junho de 2016

Padrões, padrões, padrões... (Coluna Infinita)



Eu tava aqui me lembrando de uma vez, há anos, em que eu admirava muito um cara, mas a gente só se via uma vez por semana e conversava 15 minutos cada vez. E eu ia me interessando mais por ele a cada vez, e ia ficando louca, e queria muito sentar pra conversar com ele e conhecê-lo melhor. Mas, por causa do meu interesse, eu não conseguia fazer o mais simples. Porque pra chamar um brother pra tomar cerveja eu não tenho problemas: se ele disser que não pode, eu vou ficar de boa e marcar outro dia, e vou esquecer a história depois de cinco minutos. Mas, quando eu me interesso por alguém, eu não consigo. Porque, se ele disser não, eu vou me quebrar inteira. Porque, se ele disser não pra cerveja, é como se ele estivesse dizendo não pra mim, pra tudo, e eu não vou conseguir suportar o depois.

No caso em questão, o que eu fiz foi mandar um e-mail GIGANTE pra ele, engraçadinho, com todos os nossos pedaços de conversa interrompidos, pra dizer que eu queria continuar a conversa sem hora pra acabar. Mas foi gigante, super elaborado, fiz até projeto de texto, praticamente. Era uma obra de arte. Pensei e pensei, retirei palavras, coloquei outras, revisei, reli mil vezes e enviei. Daí fiquei lendo de novo a cada cinco minutos, enquanto ele não respondia. E a resposta dele tinha 3 linhas, e era algo do tipo “Você é louca, era só me chamar pra tomar uma cerveja”. A gente tomou a tal cerveja, afinal. Bom, eu não era a única louca do rolê, porque ele me chamou pra viajar com os primos dele depois disso, e a gente nem se conhecia direito. E eu fui, e as coisas deram certo por um dia, mas depois não, porque ele não era exatamente o que eu pensava que ele fosse, e eu também não devia ser o que ele pensava que eu era, se é que ele pensava. Bom, isso é o que acontece quando a gente não conhece as pessoas direito. Naqueles quinze minutos semanais eu criei um personagem dele na minha cabeça, e a realidade era outra. Eu me deixei influenciar pelo personagem que ele mostrava, mas eu também mostrava o meu, porque a vida é assim. E daí, quando finalmente rolou a cerveja, era uma conversa de personagens, era uma cena de teatro, com cenário e tudo. Tinha até figurante. Tudo isso pra dizer que, se a gente tivesse tomado uma breja antes de eu construir uma imagem irreal e fictícia dele, se eu tivesse feito as coisas de maneira normal, talvez o meu interesse se quebrasse, ou talvez a gente tivesse ficado só amigo, talvez a gente tivesse se conhecido de fato, nós, as pessoas, e não nossos personagens.

Enfim, anos depois eu me vejo repetindo tudo de novo. Eu vivo num mundo paralelo e muito louco, e os padrões se repetem infinitamente, mas que merda que é isso! Tenho uma amiga que diz que, quando uma situação se repete na nossa vida, é pra gente aprender com ela, e que, enquanto não aprendermos, não vamos nos livrar dela nunca, ela vai continuar a se repetir. Eu deveria ter aprendido, porque isso diz respeito à maneira como eu encaro as minhas paixões (no sentido amplo) e o meu interesse por caras incríveis, à primeira vista. Eles me parecem tão incríveis que eu acho que eles nunca vão querer nada comigo, nem tomar uma cerveja. Eu deveria mudar minha atitude, chegar e falar de boa. Mas eu não consigo. Eu não consigo, e eu me odeio depois e volto pra casa chorando porque eu fui uma idiota, porque eu perdi as brechas em que uma pessoa normal diria “Vamos tomar uma cerveja um dia e você me conta desse rolê, então”.

Mas eu não digo, e depois me martirizo. O problema é que eu não gosto de qualquer um. Ah, não. Eu sou uma pessoa muito chata, ranzinza. E eu vivo cercada de pessoas idiotas, tapadas, burras, modinha, vazias, desinteressantes, sertanejo universitário e baladinha, porre e vômito, novela e sapato novo. E então, quando aparece um cara que seja minimamente interessante, que se pareça comigo pelo menos um pouco nessa coisa de ser cinza (apesar do vermelho), eu fico louca.

Deixe-me ser justa: não é só minimamente interessante. É foda. É demais. Me dói fisicamente no peito a vontade de sentar num bar e conversar por horas, e entender, e conhecer de verdade, e rir mais, e pensar junto. Não é, nem de longe, só “minimamente” interessante. É interessante pra caralho, é tão, mas tão, mas tão incrível que eu fico muda. Que eu fico besta, idiota, olhando pro chão. Que eu me acho desinteressante, o que é que eu tenho pra dar pra esse cara? Que eu me sinto adolescente, burra, feia, travesti, ele nunca vai olhar pra mim. Que eu pareço retardada mental, que eu digo coisas e faço caretas e depois quero me dar um murro porque não era isso que eu queria dizer. É tão maravilhoso que eu não consigo falar coisa com coisa, que um segundo de silêncio equivale a dezenove mil coisas passando na minha cabeça. Tão fofo que eu olho todos os detalhes e depois fico com vergonha, não consigo dizer normalmente, como eu faria com um brother, "Banho e tosa?". Tão massa que eu paraliso. Que eu volto pra casa querendo morrer. Que eu venho aqui no blog e despejo esse monte de coisas “desconexas e não coesas”.  


Mas essa sou eu. Repetindo, repetindo, repetindo. Uma merda de uma Coluna Infinita, que repete o mesmo módulo de sempre, desde sempre e para sempre, saindo da terra e se enfiando no céu, igual, igual, igual, e monstruosa, monumental, gigante, ameaçadora. Uma Coluna Infinita que me engole, me destroça, me desfaz. A mesma coisa de sempre. Os mesmos módulos. Os mesmos padrões. Eu não consigo chegar perto, de novo, e de novo, e de novo. A culpa é minha, porque eu repito, repito, repito. Se é importante pra mim, eu não consigo. A culpa é minha. Mas eu jogo um pouco pra você, pra variar. A culpa também é sua. Você me parece tão incrível que eu não consigo chegar perto. E você não faz a mínima ideia.

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