segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Diário

Tivemos que fazer um exercício de escrita, lá no curso de Jornalismo Literário. Tínhamos que escrever 3 dias de um diário de uma personagem qualquer. Fiz esse daí de baixo em 5 minutos, tá? Não tá nada perfeito. Mas a galera do curso curtiu, então decidi por aqui. Taí.



Terça-feira

“Descubra o significado do seu nome, grátis”. Grandes merda. Pra que eu vou querer saber o significado do meu nome? Com certeza, nada de bom pode vir daí. Nada que venha de mim ou do meu nome pode ser bom.

O cigarro queima lentamente no cinzeiro, e eu não tenho força de vontade suficiente pra pegá-lo. O gelo derrete dentro do copo, aguando minha vodca. O relógio cuco que era da minha avó me diz que são 10 e meia da manhã. Acho que seria interessante, talvez, trocar essas meias. Faz três dias que estou usando essas mesmas meias. Mas é que eu não sei onde coloquei aquelas cor de abóbora, que eu amo tanto.

Isso, trocar de meias e desligar esse maldito computador. Seria um plano bom. Parece-me um plano bom. Ou talvez eu devesse entrar nesse site e descobrir o significado do meu nome, grátis. Deixar pra lá as meias, deixar pra lá o hospital, deixar pra lá tudo, deixar o cigarro queimar, a vodca aguar de vez, deixar que o mundo acabe, e ficar só pensando no significado do meu nome.


Quarta-feira

Ele está bem. Respira por aparelhos. Tem um certo tom triste nos olhos, os olhos cinza. Acho que vou dar uma procurada no que significa o nome dele. Assim que eu acabar essa cerveja. O relógio cuco que era da minha avó me diz que são três e meia da tarde. Três e meia. Cadê minha meia abóbora? Será que eu dormi tanto assim?


Quinta-feira

“Cheia de juventude”. Esse é o significado do meu lindo nome. O significado do nome dele é “feirante”. Feirante? Tá aí. Quem merece ficar trancada aqui por causa de um feirante? Eu não tive culpa, a arma não era minha, não fui eu quem entrou gritando, eu só estava aqui tomando meu conhaquinho, a décima nona dose, mais ou menos. O azar foi dele. E também não quero mais ficar pensando nisso. Ciúme nunca acaba bem. Tá aí. Respira no aparelhinho agora, feirante. Que eu achei minhas meias abóbora e tô indo dar uma sacudida no esqueleto. O relógio cuco que era da minha avó me diz que são onze da noite.

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